A tradicional fragmentação dos sistemas bancários, marcada por processos organizados em silos, está sendo desafiada pela necessidade urgente de eficiência operacional. O setor não busca apenas inovação incremental, mas uma reestruturação capaz de garantir resiliência e competitividade. Durante a Febraban Tech 2026, Thiago Gama (XP Inc.) e Silvio Pegado (Ripple) exploraram como a integração de novas tecnologias deixou de ser uma discussão técnica para se tornar uma estratégia de sobrevivência. Para os gestores, orquestrar infraestruturas híbridas é o único caminho para sustentar o crescimento.

A falta de visibilidade nos processos de câmbio e comércio exterior, por exemplo, ainda representa um dos maiores gargalos. No modelo atual, a fragmentação gera uma “caixa-preta” que compromete a gestão do fluxo financeiro. “O que acaba machucando mais a empresa é justamente a falta de previsibilidade”, comenta Thiago Gama, da XP Inc.
Sem dados claros, a tomada de decisão sobre antecipação de recebíveis e gestão de capital de giro torna-se reativa, evidenciando a necessidade de soluções tecnológicas que ofereçam velocidade de ponta a ponta. Para resolver esse bloqueio, o uso de big data torna-se essencial no monitoramento e na análise em tempo real, permitindo antecipar decisões.
Caminhos da tecnologia
Depois de os participantes concordarem que é preciso abandonar processos isolados, surge o desafio de definir os critérios para escolher as tecnologias adequadas às integrações. Para a XP, a mentalidade deve ser orientada ao valor, e não apenas à tecnologia: “O cliente não está comprando uma infraestrutura financeira. Para o cliente, tem que ser agnóstico”, afirmou Thiago Gama. Essa abordagem exige uma camada de orquestração inteligente, aberta a soluções de diferentes fornecedores que podem ser substituídos a qualquer momento.
A integração de novos trilhos de blockchain com sistemas tradicionais, por exemplo, depende de uma nuvem híbrida robusta, potencializada por inteligência artificial para a gestão das rotas financeiras e de baixa latência garantida por redes 5G e SD-WAN. Essa base tecnológica assegura que, embora o processo de “bits e bytes” seja complexo nos bastidores, a entrega para o cliente seja fluida e resiliente.
Sem deixar a velocidade de lado, outros aspectos inegociáveis são a cibersegurança e a conformidade. Para os debatedores, a confiança não reside apenas na tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology), com bancos de dados compartilhados e sincronizados, mas também nas garantias institucionais que protegem o ativo. Eles entendem que a adoção de soluções baseadas em blockchain promove uma governança superior ao reduzir intermediários e processos manuais, aumentando a transparência operacional. Thiago Gama também enfatizou que o sucesso da jornada digital depende de estruturas claras de governança e de decisões orientadas pelas necessidades do negócio, e não apenas pela pressão para acompanhar novas tendências.
