Febraban Tech 2026 Febraban Tech 2026
Painel durante evento com palestrantes sentados em palco, incluindo Eduardo Lopes, Marcelo Gomes, Leandro Pupe Nóbrega, Ana Carla Abrão, Janaína Attie e Ivo Mósca, com telão ao fundo. Da esquerda para a direita: Eduardo Lopes, Marcelo Gomes, Leandro Pupe Nóbrega, Ana Carla Abrão, Janaína Attie e Ivo Mósca (Foto: Federação Brasileira de Bancos via Flickr)

Open Finance entra em nova fase de integração e uso estratégico de dados 

3 minutos de leitura

Representantes do Banco Central e de instituições financeiras discutem como infraestrutura, inteligência artificial, governança e colaboração podem ampliar a escala do ecossistema



Por Fernando Gaio* em 26/08/2026

O congresso Febraban Tech reuniu lideranças do Banco Central, Banco do Brasil, Santander, Nubank e da Open Finance Brasil para debater o futuro do Open Finance, e o consenso é de que a fase de testes acabou. O sistema já está em uma fase de maturidade competitiva e escala. A partir de agora, o gargalo não é mais “como conectar”, mas como gerenciar um sistema que exige eficiência operacional sem precedentes. A capacidade de organizar fluxos enormes de dados deve definir quem vai liderar esta etapa da chamada transformação digital financeira.

Essa transição exige que as instituições deixem de tratar os dados como ativos estáticos. Dar escala ao Open Finance significa organizar e analisar as informações para desenvolver serviços, melhorar a experiência dos clientes e gerar resultados para o negócio. 

Para suportar esse fluxo, a infraestrutura precisa estar na base da estratégia. No debate conduzido por Ivo Mósca, da Febraban, os convidados Ana Carla Abrão, da Associação Open Finance Brasil, Eduardo Lopes, do Nubank, Janaína Attie, do Banco Central, Leandro Pupe Nóbrega, do Santander Brasil, e Marcelo Gomes, do Banco do Brasil, apontaram a adoção de nuvem híbrida como caminho para equilibrar a segurança de dados críticos com a elasticidade exigida pelo Open Finance. A baixa latência também foi mencionada como condição importante para a oferta de serviços financeiros integrados. 

Segundo os participantes do painel “Open Finance em escala: do compartilhamento de dados à orquestração de ecossistemas”, interdependência, colaboração e sincronia de dados serão conceitos inegociáveis nesta expansão. A interdependência garantirá que o valor real será gerado pela conexão entre serviços e não em silos fechados. A colaboração deve abrir caminho para uma mentalidade de trabalho institucional conjunto. Já a sincronização é necessária para preservar a integridade e o fluxo das informações entre os diferentes elos da rede.

Motor tecnológico

Eduardo Lopes (Nubank), Marcelo Gomes (Banco do Brasil) e Leandro Pupe Nóbrega (Santander Brasil) reforçaram que a disputa pela liderança será vencida por quem utilizar melhor o Big Data. O desafio é converter oceanos de dados brutos em produtos financeiros hiper-personalizados e úteis, capazes de aprimorar a experiência do cliente.

A Inteligência Artificial atua como o motor dessa personalização proporcionada pelo Open Finance, processando padrões para criar ofertas preditivas. O diferencial competitivo estará em, por exemplo, antecipar necessidades de crédito ou investimento. Assim, as instituições pretendem converter a portabilidade de dados em lealdade de longo prazo.

A expansão do 5G também é um dos motores que deve viabilizar esta jornada. A conectividade de altíssima velocidade permitirá que transações complexas ocorram de forma instantânea, reduzindo o churn e aumentando o engajamento.

Governança, segurança e LGPD

A regulação foi apresentada no debate como uma condição para que o Open Finance avance com segurança. Janaína Attie, do Banco Central, e Ana Carla Abrão, da Associação Open Finance Brasil, destacaram o papel da governança na redução de riscos e na proteção dos participantes do ecossistema. Esse processo envolve conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e investimentos contínuos em cibersegurança. 

A segurança da infraestrutura crítica precisa avançar no mesmo ritmo das ameaças, que hoje também utilizam IA. Soluções como SD-WAN são consideradas vitais para assegurar que as políticas de governança e proteção sejam aplicadas em toda a rede distribuída. “Levantar os muros” digitalmente é uma necessidade estratégica para enfrentar criminosos cada vez mais capacitados.

Outro ponto central do debate foi a responsabilidade pelas decisões: não se delega ética para a máquina. Cabe às instituições estabelecer limites para o uso da IA, acompanhar seus resultados e proteger os interesses dos clientes. Como a inovação costuma preceder a regulação, as instituições devem agir com responsabilidade proativa.

O debate promovido pela Febraban sinalizou que o sucesso do Open Finance exige equilíbrio entre agressividade comercial e governança robusta. A liderança não será conquistada apenas por quem possui a melhor tecnologia, mas por quem detiver a cultura organizacional mais focada em dados e na valorização das pessoas que operam essas ferramentas.

*Especial para o Próximo Nível



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