Renato Grau, futurista, apresenta palestrante em palco de evento de inovação em saúde, com telão ao fundo e público assistindo. Iluminação azul e estrutura tecnológica Renato Grau, futurista (Foto: Healthcare Innovation Show via Flickr)

Integração da IA na saúde exige regras claras de governança

3 minutos de leitura

Debates no Healthcare Innovation Show destacam a necessidade de definir responsabilidades, proteger dados e garantir supervisão humana no uso da tecnologia



Por Redação em 30/09/2026

Adotar soluções tecnológicas não é uma novidade no setor de saúde, que busca constantemente ferramentas para conferir mais assertividade e agilidade aos diagnósticos, melhorar a jornada do paciente e impulsionar a eficiência operacional em hospitais e clínicas. No entanto, o futurista Renato Grau ponderou, durante o Healthcare Innovation Show 2026 (HIS), que a integração da inteligência artificial no segmento exige uma abordagem mais responsável, sobretudo em relação à governança.

Renato Grau em palestra futurista, falando ao microfone em um evento, com telão ao fundo exibindo frases sobre aplicação de IA e tecnologia digital.
Renato Grau, futurista (Foto: Healthcare Innovation Show via Flickr)

Diante da complexidade e dos riscos associados ao uso indevido da IA, a governança auxilia as organizações a adotar melhores práticas, obter resultados mais consistentes, reduzir ameaças e alinhar a tecnologia às demais estruturas organizacionais.

Governança ganha destaque em meio às tecnologias

Um velho conhecido de empresas no que tange ao uso ou desenvolvimento de tecnologia e soluções digitais dentro das organizações, mas fora dos processos formais, ganhou uma nova configuração com a IA. A versão de inteligência artificial do shadow IT, o chamado shadow AI, coloca em risco a segurança de operações e de dados sensíveis da empresa e de pacientes. Nesse sentido, a governança se torna ainda mais estratégica do ponto de vista da segurança, em um cenário de avanço do shadow AI.

Do ponto de vista das melhores práticas, a governança também pode aprimorar a maneira como os dados são organizados. Em vez de considerar consultas, exames ou internações como episódios isolados, em um recorte micro, o uso adequado da IA pode fornecer uma visão macro da jornada do paciente. A IA pode atuar justamente na conexão dessas informações, identificando sinais que poderiam permanecer dispersos.

Um exemplo apresentado no HIS foi o uso de dados de exames de imagem pela Rede D’Or para identificar alterações que não estavam relacionadas ao objetivo inicial do exame. Os alertas eram encaminhados à equipe de enfermagem, que poderia acionar o sistema para investigação.

Integração tecnológica resulta no “humano expandido”

Outra frente da aplicação de IA se dá na redução de tarefas burocráticas como a transcrição de consultas. Como resultado, os profissionais de saúde têm mais tempo disponível para dedicar a outras atividades. 

O ganho de produtividade, porém, não encerra a discussão, pois a organização precisa definir como esse tempo será utilizado. É nesse ponto que surge o conceito de “humano expandido”, apresentado por Grau como um profissional que atua em conjunto com máquinas capazes de executar tarefas e produzir informações.

Nesse modelo, a IA pode assumir atividades de micrologística, triagem e processos automatizados, enquanto o profissional fica responsável pela tomada de decisão. A ideia está associada ao chamado “julgamento soberano”, ou seja, à capacidade humana de estabelecer propósitos e limites, escolhendo o caminho ético para o futuro do setor. “A responsabilidade é e deve ser humana”, afirmou Grau.

Estruturas híbridas reorganizam responsabilidades

A transformação proposta também alcança a própria estrutura das organizações. Segundo Grau, a tendência é a formação de estruturas híbridas, nas quais agentes de IA executam tarefas definidas, enquanto profissionais se dedicam ao processo.

Essa configuração modifica inclusive o papel das áreas de tecnologia, que passam a ter uma relação mais estreita com a governança à medida que usuários se tornam mais autônomos diante de plataformas mais simples e intuitivas. Para que esse modelo funcione, entretanto, são necessárias regras claras e processos capazes de estabelecer responsabilidades.

A integração entre tecnologia e governança também se reflete na relação com o paciente. No dr.consulta, segundo o CEO Massanori Shibata Jr., a IA é utilizada no ambiente corporativo para apoiar a gestão e a capacitação, preservando a humanização no atendimento direto aos pacientes.

Massanori Shibata Jr, CEO, participa de painel em evento corporativo, usando fones de ouvido e segurando um microfone enquanto fala ao público em um palco iluminado com luzes roxas e azuis.
Massanori Shibata Jr, CEO (Foto: Healthcare Innovation Show via Flickr)

Já a Unimed-BH apresentou o agente digital “Onde Ir”, criado para orientar usuários na navegação pela rede assistencial. A solução funciona por meio de uma interface conversacional que, em caso de dúvida, direciona o paciente ao canal adequado, como telemedicina, pronto atendimento ou consultório.



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