Febraban Tech 2026 Febraban Tech 2026
Palestra no evento FEBRABAN TECH com Silvia Bassi, Daniel Augusto Falbi, Estevam Carvalho e Wladimir Silva em um painel, telão com o tema “Do data center ao cluster de IA: infraestrutura, automação de o novo core bancário”. Da esquerda para a direita: Silvia Bassi ,Daniel Augusto Falbi, Estevam Carvalho e Wladimir Silva (Foto: Divulgação)

IA leva bancos a redesenhar infraestrutura e perfil dos profissionais de tecnologia 

3 minutos de leitura

Painel no Febraban Tech 2026 mostra como IA leva bancos a repensar data centers, nuvem e automação e amplia a demanda por novas competências nas equipes de tecnologia



Por Nai Fachini em 25/08/2026

A corrida dos bancos pela inteligência artificial está começando em uma camada que nem sempre aparece para o cliente: a infraestrutura. Data centers, energia, refrigeração, conectividade, cloud, automação e governança estão sendo redesenhados para sustentar uma nova geração de aplicações e serviços. O movimento exige estruturas mais simples e modulares, mas também profissionais com novas competências e decisões tecnológicas tomadas em ciclos cada vez mais curtos.

Esse foi um dos principais pontos discutidos no painel “Do data center ao cluster de IA: infraestrutura, automação e o novo core bancário”, realizado nesta segunda-feira (24), no Febraban Tech 2026. Participaram Daniel Augusto Falbi, do Bradesco; Estevam Carvalho, do BTG Pactual; e Wladimir Silva, da Ascenty, com mediação de Silvia Bassi, da The Shift.

Para o Bradesco, a simplificação é um dos pilares dessa transformação. A instituição trabalha para reduzir a complexidade dos ambientes, com estruturas mais compactas e modulares, orientadas por propósitos bem definidos. A lógica é conectar infraestrutura e plataformas para criar condições de escala para a inteligência artificial.

“A infraestrutura deve ser leve, simples e modular”, destacou Falbi durante o painel, ao contrapor o novo modelo aos ambientes tradicionais, marcados pelo excesso de robustez.

A mudança também passa pela construção de plataformas capazes de integrar diferentes ambientes tecnológicos. No Bradesco, essa estratégia inclui iniciativas como o BEX (Bradesco Engineer Xperience), voltado à simplificação da jornada de infraestrutura, e ferramentas que utilizam IA para acelerar o trabalho das equipes de tecnologia.

IA muda também o data center

Se a IA exige mais capacidade computacional, a transformação não acontece apenas nos servidores. Para os data centers, a nova demanda significa repensar engenharia, energia, refrigeração e conectividade.

Segundo Wladimir Silva, da Ascenty, os bancos passaram a demandar ambientes preparados para uma lógica “AI first”, o que aproxima cada vez mais as áreas de tecnologia e engenharia. A infraestrutura precisa ser capaz de acompanhar cargas que podem crescer rapidamente e, ao mesmo tempo, operar dentro de parâmetros de sustentabilidade.

Wladimir Silva, da Ascenty, apresenta durante evento corporativo no palco, falando ao microfone com fone de ouvido e usando terno cinza diante de telão com iluminação colorida.
Wladimir Silva, da Ascenty (Foto: Divulgação)

Nesse cenário, a energia ganha protagonismo. “Energia é a palavra-chave, o principal ativo”, afirmou Silva. Segundo Silva, a questão não está necessariamente na existência de capacidade instalada, mas na disponibilidade imediata para atender às novas demandas.

O redesenho também envolve automação. Monitorar consumo de energia, necessidade de refrigeração e conectividade passa a fazer parte de uma operação em que a infraestrutura precisa responder de maneira mais dinâmica às cargas de inteligência artificial.

Cloud e decisões em ciclos mais curtos

No BTG Pactual, a nuvem pública continua sendo uma das bases da estratégia tecnológica. Estevam Carvalho afirmou que, sem cloud, o banco teria levado mais tempo e gastado mais para chegar ao estágio atual.

Estevam Carvalho, do BTG Pactual, participa de entrevista ou painel em estúdio, com microfone de ouvido e camisa social clara diante de fundo com luzes e telão colorido.
Estevam Carvalho, do BTG Pactual (Foto: Divulgação)

Ao mesmo tempo, a velocidade da evolução da IA tornou as decisões de infraestrutura menos permanentes. O banco acompanha as mudanças nas estratégias dos grandes fornecedores e mantém aberta a possibilidade de rever suas escolhas.

“Nada é definitivo no mundo atual de IA”, afirmou Carvalho. Segundo ele, o horizonte de planejamento também mudou: em vez de pensar em ciclos de um ano, a instituição passou a considerar períodos de aproximadamente seis meses.

A mudança revela uma característica da atual transformação tecnológica do setor financeiro: a infraestrutura precisa ganhar capacidade de adaptação na mesma velocidade em que a tecnologia evolui.

IA também muda o perfil dos profissionais 

A transformação não se limita à tecnologia. O avanço da automação e da IA também modifica o perfil das equipes responsáveis por construir e operar esses ambientes.

Carvalho apontou para a evolução do profissional de TI em direção a funções mais próximas do desenvolvimento de infraestrutura. A tendência é que especialistas passem a combinar conhecimento técnico sobre ambientes de infraestrutura com capacidade de desenvolver e otimizar soluções próprias.

O Bradesco também destacou o papel da experiência acumulada pelas equipes. Profissionais que conhecem profundamente os ambientes de infraestrutura podem ser potencializados por ferramentas de IA e gerar ganhos de produtividade.

Ao mesmo tempo, permanece um desafio: a formação de mão de obra. O BTG apontou uma escassez de profissionais especializados, enquanto a Ascenty destacou que a curva de aprendizado ainda está distante do ideal.

Governança para escalar

Com mais tecnologia, mais automação e mais possibilidades de uso de IA, surge outra questão: como escalar sem aumentar a complexidade?

Para o Bradesco, a resposta passa pela governança. A instituição considera necessário centralizar diretrizes para permitir a distribuição das soluções em escala, mantendo segurança e capacidade de mensurar o valor gerado.

A discussão mostra que a transformação da infraestrutura bancária não é apenas uma corrida por capacidade computacional. É uma busca por estruturas capazes de combinar escala, eficiência, segurança e flexibilidade em um ambiente tecnológico que muda em intervalos cada vez menores.

No caminho do data center ao cluster de IA, o setor financeiro está redesenhando não apenas sua infraestrutura, mas também a forma como desenvolve, opera e governa a tecnologia. 



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