Painel em evento SET Expo, com Ronaldo Dias, Fábio Damásio e Esdras Miranda. Da esquerda para a direita: Ronaldo Dias, Fábio Damásio e Esdras Miranda (Foto: Divulgação)

Como a IA mudou a lógica da produção e distribuição de mídia 

2 minutos de leitura

Painel na SET Expo 2026 mostrou como inteligência artificial, automação e personalização estão reorganizando fluxos de trabalho e criando novas possibilidades de distribuição e monetização de conteúdo



Por Fernando Gaio em 24/08/2026

“A audiência está pulverizada e o custo cresce de forma exponencial. Precisamos de soluções que simplifiquem a operação e tragam controle sobre custos e receitas”, afirmou Ronaldo Dias, diretor de vendas da Amagi, empresa especializada em operações de TV baseadas em nuvem, durante o congresso SET Expo 2026. Dias participou do painel “IA na cadeia de conteúdo”, que discutiu como a inteligência artificial altera os padrões tradicionais de produção e distribuição de mídia.

Ronaldo Dias, diretor de vendas da Amagi
Ronaldo Dias, diretor de vendas da Amagi (Foto: Divulgação)

Ao destacar o impacto da fragmentação da audiência no aumento dos custos operacionais, ele enfatizou que a dispersão do público exige ferramentas capazes de reorganizar processos e dar maior previsibilidade às receitas. O caminho apresentado pelo executivo envolve cinco eixos de transformação apoiados por IA: simplificação do fluxo de trabalho, personalização em escala, agentes virtuais e automação, verticalização e novos formatos e novas métricas de monetização. 

A simplificação do fluxo de trabalho envolve a reorganização dos processos internos para responder à aceleração do mercado, em que o ciclo de implementação de novos canais caiu de anos para poucos meses, ou mesmo semanas.

Já a personalização em escala passa pela utilização de uma única fonte de produção para gerar saídas distintas. Dias exemplificou com o caso de uma notícia sobre aumento na tarifa de transporte: enquanto o público tradicional consome a análise política e econômica do fato, gerações mais jovens, como as gerações Z e Alfa, demandam abordagens mais diretas ou focadas no impacto financeiro pessoal.

No eixo de agentes virtuais e automação entram assistentes integrados às operações para assumir tarefas repetitivas. Em transmissões esportivas, por exemplo, a IA permite gerar diferentes estilos de narração (analítica, emocional ou focada no público jovem) para um mesmo conteúdo em vídeo.

A transição do modelo tradicional de canais para formatos focados em conteúdo verticalizado, adaptados ao consumo em dispositivos móveis, também foi apontada como uma resposta às mudanças nos hábitos de consumo. 

Finalmente, as novas métricas de monetização provocam a substituição dos modelos de publicidade tradicionais por formatos integrados ao ambiente digital.

O impacto da IA nos custos e no trabalho 

Ao comentar esta mudança na lógica tradicional, Esdras Miranda, diretor de tecnologia e operações do Grupo de Comunicação Jangadeiro, apresentou dados sobre a redução de equipes operacionais, com projeções de cortes de até 80% em três anos. O debate apontou que funções repetitivas tendem a desaparecer, enquanto cresce a demanda por profissionais com perfil analítico e capacidade de gestão de risco.

Esdras Miranda, diretor de tecnologia e operações do Grupo de Comunicação Jangadeiro, apresenta em um palco durante evento, ao lado de um telão com gráficos.
Esdras Miranda, diretor de tecnologia e operações do Grupo de Comunicação Jangadeiro (Foto: Divulgação)

Como medir o retorno sobre investimento em IA foi outro ponto discutido. Enquanto a redução de despesas é facilmente calculada, o ganho de produtividade individual ainda carece de métricas consolidadas. 

*Especial para o Próximo Nível



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