A infraestrutura física é um dos pontos centrais do debate sobre o avanço da inteligência artificial (IA) no Brasil. Durante o SECOP 2026, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, defendeu a ampliação dos investimentos em energia, data centers e infraestrutura de dados para sustentar o desenvolvimento da tecnologia no país.
Segundo reportagem do site Capital Digital, Assumpção defendeu que o Brasil precisa elevar imediatamente o patamar de sua ambição e iniciar um ciclo robusto de investimentos em energia, data centers e infraestrutura nacional de dados. Sem essa base física, o país corre o risco de perder a capacidade de determinar seu próprio caminho e tomar decisões de forma soberana na era digital.
Diferentemente do debate concentrado em quais modelos de IA ou tecnologias adotar, a infraestrutura física é o conjunto de ativos de longo prazo essenciais para viabilizar qualquer aplicação. Essa infraestrutura inclui máquinas de alta capacidade, redes de energia elétrica capazes de atender à demanda computacional, data centers e equipamentos especializados.
De acordo com o presidente da Dataprev, mesmo em uma era marcada pela virtualização de serviços de tecnologia, esses ativos físicos permanecem insubstituíveis e sua importância é significativamente ampliada com o avanço da inteligência artificial.
Incertezas no fornecimento de servidores

O executivo destacou que o mercado internacional desses equipamentos enfrenta restrições de oferta. Segundo ele, há fabricantes globais que exigem dos próprios clientes o financiamento antecipado da expansão da capacidade de produção. Esse cenário contribui para o aumento dos preços e para as incertezas no fornecimento global de chips e servidores.
Ele chama a atenção para o fato de o Brasil correr o risco de perder o direito de escolher se irá desenvolver modelos próprios de IA, adaptar tecnologias estrangeiras ou adotar soluções híbridas. Assumpção ressaltou que é relevante assegurar as condições materiais mínimas para que o país tenha a liberdade de fazer suas próprias escolhas estratégicas.
A Dataprev integra essa infraestrutura ao administrar bases de dados previdenciárias, trabalhistas e assistenciais, além de informações de educação e dados relacionados à saúde pública. Mensalmente, a estatal processa cerca de 42 milhões de benefícios previdenciários, operação considerada a segunda maior folha de pagamentos de todo o mundo.
Dados estratégicos exigem infraestrutura e governança
A infraestrutura nacional de dados também está no centro do projeto INSPIRE, iniciativa do governo federal em parceria com o CPQD. Segundo reportagem do site Convergência Digital o projeto está relacionado ao avanço do conceito de governo agêntico no Brasil, modelo que busca tornar a prestação de serviços públicos mais proativa e personalizada.
A proposta vai além da automação de processos existentes. A ideia é criar uma base tecnológica que permita ao governo antecipar necessidades dos cidadãos e oferecer serviços de forma mais integrada.
Para viabilizar esse modelo, o projeto prevê uma infraestrutura nacional de dados baseada em governança, catalogação e controle de qualidade das informações. A estrutura deve permitir que sistemas de inteligência artificial utilizem dados de diferentes áreas da administração pública de forma integrada.
O projeto também prevê que dados considerados estratégicos permaneçam sob controle do poder público. Nesse contexto, Serpro e Dataprev têm papel na infraestrutura tecnológica e na gestão das informações que dão suporte à digitalização dos serviços públicos e ao desenvolvimento de aplicações de IA.
