Corredor de data center com racks de servidores e telas luminosas, mostrando infraestrutura de IA e computação em nuvem em ambiente simulado. Imagem gerada digitalmente

Avanço da IA exige mais investimentos em infraestrutura no Brasil

2 minutos de leitura

Energia, data centers e infraestrutura de dados estão entre as áreas que precisam de mais investimentos, segundo avaliação da Dataprev



Por Nelson Valencio em 23/09/2026

A infraestrutura física é um dos pontos centrais do debate sobre o avanço da inteligência artificial (IA) no Brasil. Durante o SECOP 2026, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, defendeu a ampliação dos investimentos em energia, data centers e infraestrutura de dados para sustentar o desenvolvimento da tecnologia no país. 

Segundo reportagem do site Capital Digital, Assumpção defendeu que o Brasil precisa elevar imediatamente o patamar de sua ambição e iniciar um ciclo robusto de investimentos em energia, data centers e infraestrutura nacional de dados. Sem essa base física, o país corre o risco de perder a capacidade de determinar seu próprio caminho e tomar decisões de forma soberana na era digital.

Diferentemente do debate concentrado em quais modelos de IA ou tecnologias adotar, a infraestrutura física é o conjunto de ativos de longo prazo essenciais para viabilizar qualquer aplicação. Essa infraestrutura inclui máquinas de alta capacidade, redes de energia elétrica capazes de atender à demanda computacional, data centers e equipamentos especializados. 

De acordo com o presidente da Dataprev, mesmo em uma era marcada pela virtualização de serviços de tecnologia, esses ativos físicos permanecem insubstituíveis e sua importância é significativamente ampliada com o avanço da inteligência artificial.

Incertezas no fornecimento de servidores

Técnico de TI em data center analisa um painel de controle em notebook entre racks de servidores com luzes de status vermelhas e cabos organizados
Imagem gerada digitalmente

O executivo destacou que o mercado internacional desses equipamentos enfrenta restrições de oferta. Segundo ele, há fabricantes globais que exigem dos próprios clientes o financiamento antecipado da expansão da capacidade de produção. Esse cenário contribui para o aumento dos preços e para as incertezas no fornecimento global de chips e servidores. 

Ele chama a atenção para o fato de o Brasil correr o risco de perder o direito de escolher se irá desenvolver modelos próprios de IA, adaptar tecnologias estrangeiras ou adotar soluções híbridas. Assumpção ressaltou que é relevante assegurar as condições materiais mínimas para que o país tenha a liberdade de fazer suas próprias escolhas estratégicas. 

A Dataprev integra essa infraestrutura ao administrar bases de dados previdenciárias, trabalhistas e assistenciais, além de informações de educação e dados relacionados à saúde pública. Mensalmente, a estatal processa cerca de 42 milhões de benefícios previdenciários, operação considerada a segunda maior folha de pagamentos de todo o mundo.

Dados estratégicos exigem infraestrutura e governança 

A infraestrutura nacional de dados também está no centro do projeto INSPIRE, iniciativa do governo federal em parceria com o CPQD. Segundo reportagem do site Convergência Digital o projeto está relacionado ao avanço do conceito de governo agêntico no Brasil, modelo que busca tornar a prestação de serviços públicos mais proativa e personalizada. 

A proposta vai além da automação de processos existentes. A ideia é criar uma base tecnológica que permita ao governo antecipar necessidades dos cidadãos e oferecer serviços de forma mais integrada.

Para viabilizar esse modelo, o projeto prevê uma infraestrutura nacional de dados baseada em governança, catalogação e controle de qualidade das informações. A estrutura deve permitir que sistemas de inteligência artificial utilizem dados de diferentes áreas da administração pública de forma integrada.

O projeto também prevê que dados considerados estratégicos permaneçam sob controle do poder público. Nesse contexto, Serpro e Dataprev têm papel na infraestrutura tecnológica e na gestão das informações que dão suporte à digitalização dos serviços públicos e ao desenvolvimento de aplicações de IA.



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