Painel de debate em evento com cinco participantes ao lado do telão, com José Carlos Aronchi, Cláudio Marcio, Elmo, Eduardo Calvet e Fernando Moreira em apresentações Da esquerda para a direita: José Carlos Aronchi, Cláudio Marcio, Elmo, Eduardo Calvet e Fernando Moreira (Foto: Divulgação)

IA desafia formação de novos profissionais de mídia

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Especialistas defendem que domínio de IA precisa vir acompanhado de repertório, método e criatividade na formação para o audiovisual



Por Redação em 24/08/2026

O avanço da inteligência artificial está impondo novos desafios à formação de profissionais de TV e mídia. No SET EXPO 2026, especialistas destacaram que a tecnologia não deve substituir a criatividade humana. O congresso ainda mostrou que o futuro da produção audiovisual deverá depender da combinação entre sensibilidade artística e domínio das ferramentas digitais.

Durante a sessão “O novo profissional de TV: letramento, treinamento e aplicações práticas de IA”, Elmo Francfort, coordenador do Memória ABERT e diretor do Museu Brasileiro de Rádio e Televisão, defendeu a necessidade de aliar a formação para o uso da inteligência artificial a uma visão humanizada do conteúdo. Para ele, o conteúdo bem-feito vai além da tecnologia: é aquilo que as pessoas realmente querem absorver. A origem da ideia deve ser humana, enquanto a IA serve para aprimorar conteúdos, encontrar fontes e acelerar processos, jamais para substituir o pensamento criativo.

Elmo Francfort, coordenador do Memória ABERT e diretor do Museu Brasileiro de Rádio e Televisão, durante entrevista em evento no palco, segurando um microfone e usando credencial.
Elmo Francfort, coordenador do Memória ABERT e diretor do Museu Brasileiro de Rádio e Televisão (Foto: Divulgação)

Francfort relatou o caso de um aluno que, segundo ele, não conseguiu concluir um trabalho após delegar parte do processo ao ChatGPT. O exemplo foi usado para ilustrar o risco de transferir à IA etapas que exigem autoria e reflexão. 

Em sua apresentação, ele também anunciou o lançamento da Mídiateca Brasileira, que pretende ser o maior banco de dados sobre a mídia brasileira. A plataforma reunirá verbetes, panoramas históricos e cruzamentos de informações. As biografias já ultrapassam 12 mil nomes. A construção será colaborativa, com curadoria humana e apoio da IA para resumir textos e gerar conexões entre os verbetes.

Eduardo Calvet, documentarista e produtor de filmes publicitários, trailers e realidade virtual, complementou as falas de Elmo Francfort, afirmando que nunca foi tão fácil criar, mas, com a expansão do streaming, do YouTube e da própria IA, nunca foi tão difícil se destacar. “Sem método, a inteligência artificial vira uma roleta, em que o profissional não treinado fica gerando materiais até acertar, gastando tokens, créditos e assinaturas”, explicou. Por isso, Calvet defendeu a formação por meio de um método estruturado, capaz de reduzir tanto o custo com as ferramentas quanto o tempo investido.

Eduardo Calvet, documentarista e produtor de filmes publicitários, trailers e realidade virtual, apresenta palestra em evento, segurando um microfone.
Eduardo Calvet, documentarista e produtor de filmes publicitários, trailers e realidade virtual (Foto: Divulgação)

Segundo o documentarista, a IA é excelente no trabalho pesado, mas só entrega resultados de qualidade quando o operador domina a linguagem do cinema e tem bagagem para modificar e aprimorar o que a tecnologia gera. “É preciso formar profissionais maduros, capazes de decidir com sensibilidade quando usar a IA apenas para um efeito especial, quando ela realmente acelera o processo, quando não vale a pena filmar e quando a ferramenta permite economizar dezenas ou centenas de milhares de reais em produção”, defende. Nesse sentido, Calvet, que também atua como professor em cursos universitários, tem desenvolvido uma metodologia de formação voltada a esse novo cenário. 

Novas competências para entrar no mercado 

Apontando para alternativas para a sustentabilidade do mercado, José Carlos Aronchi dedicou sua apresentação a um novo modelo de inserção profissional. O fundador e CEO da 2Ci Conteúdo Capacitação Inovação explicou que, além de competência técnica e domínio de IA, os profissionais precisam levar soluções financeiras às organizações, para gerar valor e garantir o próprio espaço de trabalho.

José Carlos Aronchi em evento, usando terno azul e segurando um microfone durante sua fala, com uma mão estendida segurando um controle ou dispositivo
José Carlos Aronchi (Foto: Divulgação)

Ele destacou a existência de fundos públicos, editais e bolsas de pesquisa que podem financiar o salário de um profissional em produtoras e emissoras para desenvolver projetos de inovação. O interessado deve ir até a empresa desejada, mapear problemas e necessidades e apresentar propostas que se transformem em projetos de pesquisa financiados por essas fontes.

Aronchi observou que as agências de fomento frequentemente têm recursos sobrando e falta de projetos. Entre as instituições que podem apoiar o mercado estão as Fundações de Amparo à Pesquisa,  além de instituições e organismos que apoiam ou financiam projetos de inovação. Aronchi mencionou ainda o CPQD e o Banco Mundial.  Uma oportunidade apontada é o acervo das emissoras. “Um cofre riquíssimo de conteúdo cujo aproveitamento ainda não está plenamente resolvido. Essa lacuna abre espaço para pesquisadores de tecnologia e comunicação, bem como para produtores de conteúdo”, completou.

*Especial para o Próximo Nível



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