segurança da informação Imagem gerada por Inteligência Artificial

Segurança da informação deve receber R$ 104,6 bilhões até 2028

3 minutos de leitura

Mesmo com alto investimento, o setor ainda enfrenta desafios que exigem compromisso e visão integrada.



Por Redação em 27/08/2025

O Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom revelou uma situação contraditória do Brasil no campo da segurança da informação. Por um lado, o país é reconhecido como modelo em comprometimento com a cibersegurança, segundo o Global Cybersecurity Index 2024, devido à performance em métricas de cooperação internacional; estruturas organizacionais; capacitação e conscientização; medidas técnicas; e medidas legais. Por outro lado, ainda é um dos maiores alvos de ataques no mundo, com um acúmulo de 60 bilhões de tentativas apenas em 2023. 

Entre 2025 e 2028, o segmento deve apresentar um crescimento de 43,8% nos investimentos em cibersegurança, o que significa um montante de R$ 104,6 bilhões. Apesar do aporte, o Brasil precisa superar uma postura pela qual já é associado: “early adopter, but late finisher”. Ou seja, o país é rápido em adotar novas tecnologias, mas a consolidação dessas soluções na estratégia de segurança da empresa ainda é deficiente.

Em comunicado à imprensa, o presidente executivo da Brasscom, Affonso Nina, afirmou que “a preocupação com as questões de cibersegurança é clara, mas a maturidade das iniciativas ainda está abaixo do desejável”.

Desafios no ambiente corporativo

segurança da informação
Foto: Adobe Stock

Embora o relatório destaque o desempenho positivo do Brasil no Global Cybersecurity Index, há espaço para aperfeiçoamento nos quesitos de estruturas organizacionais e capacitação. Isso significa que é preciso promover melhorias na governança institucional, na conscientização e desenvolvimento de aptidões digitais.

No que diz respeito à governança institucional, os principais desafios relatados envolvem o suporte executivo inadequado, o papel pouco decisório do CISO (diretor de segurança da informação, na sigla em inglês) e a postura predominantemente reativa das empresas brasileiras. 

A falta de apoio de líderes em medidas necessárias e o desinteresse na prontidão de segurança é apontada, respectivamente, por 69% e 73% dos respondentes de uma pesquisa da Kyndryl. Como consequência dessa negligência, as empresas podem sofrer com a violação de dados, responsável por um custo médio de US$ 4,88 milhões em 2024, valor 10% maior que o ano anterior. 

No C-level, o documento aponta a função do CISO como comprometida, uma vez que comumente atua como influenciador, não decisor como o CIO (diretor de TI, na sigla em inglês). Dessa forma, além de ter que negociar recursos – o que pode acarretar fragmentação – a sua atuação fica limitada às dinâmicas do dia a dia e, portanto, pouco integrada a um planejamento amplo de segurança.

Por fim, a falta de uma postura proativa faz com que a empresa concentre os esforços e investimentos em respostas e recuperação de incidentes. Diante da alta exposição das organizações (79% estão expostas a ataques cibernéticos), a dificuldade em formular planos de proteção preventivos, mesmo com o conhecimento dos riscos, demonstra a baixa maturidade em segurança e a capacidade reduzida de responder de maneira ordenada aos riscos.

Segurança da informação requer abordagem integrada

A segurança cibernética é sinalizada no relatório como um “compromisso organizacional que exige investimento, planejamento e engajamento de todos os níveis da empresa”. Isso porque envolve um processo de implementação extenso que engloba diferentes setores e agentes. As etapas vão desde a identificação e avaliação inicial até a revisão e melhoria contínua:

  • Identificação e avaliação inicial: detectar ativos críticos e vulnerabilidades.
  • Planejamento de segurança: definir normas e diretrizes de segurança da informação, além de estruturar controles tecnológicos, administrativos e físicos.
  • Implementação de controles: adotar mecanismos de segurança (antivírus e firewall), medidas físicas (acesso e vigilância) e gestão de permissões (autenticação).
  • Treinamento e conscientização: capacitar funcionários reduz riscos e fortalece a competência digital contra ameaças como phishing. 
  • Monitoramento e manutenção: acompanhar atividades e manter sistemas atualizados diminui a chance de ataques bem-sucedidos.
  • Resposta a incidentes: identificar, mitigar e acionar planos estruturados de resposta.
  • Revisão e melhoria contínua: auditar resultados e aplicar possíveis aprimoramentos.

Além desse processo, o documento destaca a necessidade de uma abordagem holística e adaptável que integra pessoas, processos e tecnologia. No campo de pessoas, além do treinamento e conscientização, é importante que os colaboradores se mantenham atualizados sobre técnicas de ataque. A higiene cibernética básica, que abrange autenticação de dois fatores (2FA), backup de dados sensíveis e senhas fortes, também faz parte das recomendações.

Em processos, é necessário manter uma governança capaz de garantir um método contínuo de prevenção e correção frente a ataques, bem como uma colaboração entre setor privado, academia e governo. Internamente, gerenciar riscos, além de estimular e preservar uma cultura de segurança da informação alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para reduzir vulnerabilidades.

No âmbito tecnológico, a recomendação é usar diferentes aplicações para fortalecer ainda mais a segurança. A inteligência artificial, por exemplo, pode ser utilizada para identificar comportamentos fora do padrão e responder rapidamente a incidentes. Implementar várias camadas de proteção também faz parte das orientações de uso da tecnologia.



Matérias relacionadas

Servidores em um data center com racks iluminados por luzes vermelhas e arquitetura tecnológica de alta performance. Estratégia

Corrida pela infraestrutura de IA desafia a economia antes dos ganhos de produtividade

Investimentos bilionários em data centers, energia e chips pressionam custos globais e a política monetária, enquanto o Brasil busca espaço na nova cadeia de valor

Pessoa trabalhando em notebook com interface digital de IA em estilo futurista, mostrando o texto “IA Agents”, elementos de busca, anúncios e painéis de análise em vermelho e branco. Estratégia

Tecnologia pode substituir horas de trabalho por eficiência no varejo

Automação de processos e inteligência artificial permitem elevar a produtividade, redistribuir tarefas e preservar a qualidade do atendimento diante da possível redução da jornada e do fim da escala 6×1

ícone de cadeado digital em destaque com circuitos e pontos luminosos em tons de vermelho, simbolizando cibersegurança, proteção e segurança de dados Estratégia

Organizações avançam na cibersegurança de ambientes industriais

Visibilidade sobre parques automatizados, estrutura de defesas e arquiteturas seguras de conectividade trazem amadurecimento da segurança em ambientes que sustentam operações críticas, enquanto amplia consciência sobre os riscos

Mão em primeiro plano segurando um escudo digital em estilo holográfico com ícones de tecnologia, sugerindo proteção e soberania digital. Ao fundo, notebook na mesa. Estratégia

Estudo identifica inovação, governança e autonomia tecnológica como pilares da soberania digital

Publicação do CTS-FGV defende a implementação de um Sistema Nacional de Soberania Digital para reduzir a dependência de plataformas estrangeiras