Cérebro digital representando os riscos associados à inteligência artificial, com elementos gráficos de alerta e análise de dados Imagem gerada digitalmente

IA supera ciberataques e passa a liderar ranking de riscos para os negócios no Brasil

3 minutos de leitura

Allianz Risk Barometer 2026 mostra que a IA, associada sobretudo à eficiência, passou a ser vista como um vetor de exposição a riscos operacionais, legais e reputacionais



Por Redação em 08/05/2026

Após ser celebrada como alavanca de produtividade e inovação, a inteligência artificial (IA) passou a ocupar, em 2026, o topo do ranking de riscos de segurança para os negócios no Brasil. De acordo com o Allianz Risk Barometer 2026, a IA foi apontada como o principal fator de ameaça ao ambiente corporativo no país, à frente de riscos tradicionais como ciberataques, mudanças regulatórias e eventos climáticos. No panorama global, a tecnologia é avaliada como a segunda maior ameaça, atrás apenas de incidentes cibernéticos.

A escalada do décimo para o segundo lugar em um intervalo de um ano se deve, em parte, às potenciais implicações da tecnologia nos campos político, social e econômico, além de estar ligada a outros riscos do ranking, como o cibernético e macroeconômico. Somado a isso, a integração da IA em processos operacionais das empresas aumenta a percepção de risco associado.

Há também, como explicou o economista-chefe da Allianz, Ludovic Subran, um descompasso entre a velocidade de adoção da inteligência artificial e a estruturação de processos de governança, capacitação da força de trabalho e regulamentação. Sendo assim, “as empresas veem cada vez mais a IA não apenas como uma poderosa oportunidade estratégica, mas também como uma fonte complexa de riscos operacionais, legais e reputacionais”.

Da eficiência ao risco

Gráfico de crescimento de uso de inteligência artificial e os riscos associados até 2026, destacando um aumento significativo
Foto: Summit Art Creations / Shutterstock / Modificado com IA

No recorte brasileiro do levantamento, a inteligência artificial aparece como o risco número um para os negócios, superando o risco cibernético, que liderava o ranking anteriormente. Junto a ela, mudanças na legislação (3º), desenvolvimento macroeconômico (7º) e crise energética (10º) também subiram posições.

A inversão no primeiro lugar sinaliza que embora os ataques digitais continuem relevantes, a IA passou a ser vista também como um vetor de risco em meio à escalada da tecnologia em empresas. Nesse contexto, desafios como a confiabilidade de sistemas, limitações na qualidade dos dados, dificuldades de integração e escassez de profissionais qualificados em IA serão mais comuns.

Diante dos obstáculos, cresce a preocupação com os investimentos necessários para superá-los. Para 47% dos respondentes, os recursos necessários para lidar com as ameaças de IA e cibernética são moderados. Já para 43%, os custos são considerados altos.

Riscos operacionais, legais e reputacionais

De acordo com o Allianz Risk Barometer, os riscos associados à IA se concentram em três frentes principais. A primeira é operacional e envolve interrupções de negócios, sistemas desalinhados e erros que se propagam em cascata em fluxos de trabalho automatizados.

A segunda frente diz respeito a riscos legais e de compliance. Nesse sentido, o descumprimento de regulações emergentes, responsabilização por resultados prejudiciais gerados por IA e sanções decorrentes de estruturas de governança em evolução são exemplos práticos dos riscos que uma organização pode enfrentar durante a implementação da inteligência artificial.

Por fim, o risco reputacional está relacionado ao mau uso – e até malicioso – da tecnologia. Mais familiares à sociedade, a desinformação e o uso antiético da IA, feito muitas vezes através da produção de imagens e vídeos realistas, podem causar danos à marca. Entram nesse segmento, o vazamento de dados e decisões enviesadas que afetam clientes ou colaboradores.

Apesar da maioria dos entrevistados (44%) afirmar que a IA gera mais benefícios do que riscos, é preciso endereçar as problemáticas. Para isso, empresas estão priorizando três áreas: governança, capacitação e resiliência.

  • Governança: em um momento de transição da fase de experimentação para a fase de institucionalização da IA, aprimorar o framework de governança de IA, com mecanismos de monitoramento contínuo e supervisão humana, auxilia a empresa a implementar as melhores práticas e definir normas de uso da tecnologia para reduzir riscos.
  • Capacitação: o uso responsável e correto da IA passa, para além da definição de regras, pelo conhecimento da ferramenta. Mais do que performar melhor, profissionais capacitados conseguem detectar e agir diante de erros, vieses e ameaças, o que reduz os riscos para a organização como um todo.
  • Resiliência: o desenvolvimento de planos de contingência e de resposta a incidentes relacionados à IA ajuda a reduzir eventuais danos, sejam eles de ordem reputacional ou tecnológica.


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