Engenheira ou técnica em data center com cabelos cacheados usando crachá, segurando um tablet e analisando um rack de servidores em ambiente industrial com iluminação vermelha ao fundo. Imagem gerada digitalmente

Escassez de energia pressiona expansão de data centers

2 minutos de leitura

Infraestrutura elétrica limitada e alta demanda por água expõem desafios para a operação e crescimento do setor nos próximos anos



Por Redação em 14/05/2026

A escassez de energia elétrica bateu à porta do Vale do Silício, segundo reportagem do Olhar Digital. A limitação no acesso à energia ocorre por vários fatores, entre eles os obstáculos de licenciamento e regulatórios, mas principalmente a lenta construção de infraestruturas novas de transmissão e a obsolescência das redes elétricas existentes.

Os casos de data centers construídos e paralisados se multiplicam. Os exemplos incluem a Stack Infrastructure, que possui um centro de dados de 48 MW novo, mas não operacional por falta de energização. A Digital Realty, também no Vale do Silício, enfrenta dificuldades semelhantes: seu data center já foi construído, mas segue inativo pela incapacidade da concessionária local de fornecer energia.” 

Somente a cidade de Santa Clara tem 57 data centers ativos ou em construção. Do lado de quem fornece energia, a Silicon Valley Power, os investimentos para atualização do sistema elétrico somam US$ 450 milhões, mas a data de finalização desse upgrade é 2028.

O apagão para data centers não se restringe à Califórnia e pode se estender para outros estados onde o custo de energia é menor, que é um fator de atratividade. A lista inclui Novo México, Louisiana, Texas e Pensilvânia.

O norte da Virgínia, conhecido como Data Center Alley pela presença maciça desse tipo de empreendimento, também enfrenta limitações da concessionária local, a Dominion Energy. O tempo de conexão de data centers à rede elétrica, que era de um ano, agora tem a média de três e, em alguns casos, pode se estender por sete anos.

Consumo de água amplia preocupação no Brasil 

O cenário brasileiro também preocupa pela demanda de energia e água dos data centers. Um levantamento publicado pelo jornal da Unesp, universidade estadual paulista, mostra que, dos 200 centros de dados do país, 80 estão no eixo São Paulo e Campinas.

A preocupação vai além da energia elétrica e inclui também o elevado consumo de água. A publicação cita estudo chinês que mostra que os data centers consumiram 2,7% de toda a água fornecida na China em 2022. A Agência Internacional de Energia, por sua vez, indica que o consumo global de data centers pode mais que dobrar, saindo dos atuais 560 bilhões de litros para 1,2 trilhão de litros em 2030.

Esse consumo poderia colocar em xeque empreendimentos nas bacias hidrográficas do Alto-Tietê e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Essas duas bacias estão entre as mais populosas e mais pressionadas do Brasil em termos de recursos hídricos, de acordo com a publicação e viveram episódios de restrição de consumo nos últimos anos em virtude de períodos de estiagem.

Importante dizer que o Redata, programa federal de estímulo ao setor, considera a necessidade de eficiência hídrica em data centers. O Índice de Eficiência Hídrica (WUE) deve ser igual ou inferior a 0,05 L/kWh por ano. Embora positivo, as Big Techs afirmam operar em níveis mais restritos. A Microsoft reportou, em 2025, ter um WUE de 0,3 L/kWh, enquanto a Amazon divulgou que seu WUE teria sido de 0,15 L/kWh, em 2024.



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