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Tokenização de telecom é a nova tendência, segundo especialista

3 minutos de leitura

Operadoras devem adaptar infraestrutura e métricas à lógica dos modelos de IA generativa, avalia analista do setor



Por Redação em 13/05/2026

As empresas de telecomunicações atravessam mais uma mudança importante, passando de simples transportadoras de dados para empresas de infraestrutura de IA. Essa é a avaliação do especialista Stephen M. Saunders em artigo do portal Fierce Telecom. Nessa jornada, ele defende que haverá uma tokenização das telecomunicações.

Explicando: dados sensíveis serão substituídos por identificadores digitais randomizados (tokens), que podem ser processados em blockchain ou redes seguras.

Para Saunders, mais do que uma simples tendência, os tokens estão rapidamente se tornando a moeda central do ecossistema de IA e, em breve, poderão redefinir as próprias redes de telecomunicações. Diante desse cenário, as operadoras enfrentam a escolha de continuar apenas transportando o tráfego de IA ou passar a pensar e operar nos termos dessa tecnologia, transitando para um inovador modelo de “empresa de infraestrutura de IA” ou AICO (da sigla em inglês).

Embora o token esteja no centro dessa revolução, a tecnologia por trás do conceito não é nova. Durante décadas, eles foram utilizados no processamento de linguagem natural (NLP) como pequenos segmentos de texto que representam uma palavra, parte de uma palavra ou até mesmo um sinal de pontuação. A grande mudança dos últimos anos foi a elevação dessa ferramenta para a unidade central de computação nos sistemas de IA modernos.

Hoje, modelos de linguagem de grande escala (LLMs), como o Chat GPT-4, processam tudo em formato de tokens e gigantes da tecnologia construíram negócios multibilionários em torno dessa mecânica, cobrando por seus serviços de IA não como softwares tradicionais, mas como um serviço medido. O preço é calculado por token, funcionando quase como uma cobrança “por unidade de pensamento”.

De operadora de rede para infraestrutura de IA

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A operadora T-Mobile é um exemplo de aplicação de tokens de IA em telecomunicações. Ela alcançou recentemente um marco impressionante em suas operações: processa mais de 1 trilhão de tokens anualmente, em um esforço contínuo para integrar a inteligência artificial em seus processos. À medida que o volume dessa nova “carga cognitiva” cresce, sua importância econômica começa a rivalizar de igual para igual com o tráfego de dados tradicional.

É importante notar que os tokens não substituirão os pacotes de rede convencionais, pois eles viajam dentro desses pacotes, contudo eles introduzem uma nova camada de abstração que se posiciona acima da rede física.

Para entender a diferenciação, basta lembrar que, historicamente, as operadoras de telecomunicações definiram a qualidade de suas redes utilizando métricas baseadas no tráfego de pacotes, analisando fatores como perda de pacotes, latência e jitter. Com o avanço das cargas de trabalho de IA, surge um argumento técnico muito forte para que elas estendam esses parâmetros e desenvolvam capacidades para monitorar e agir com base nos tokens.

Nesse novo paradigma, a latência tradicional da rede é substituída pelo indicador “tempo até o primeiro token” (time-to-first-token, ou TTFT). O TTFT mede a rapidez com que a infraestrutura consegue entregar o início de uma resposta de IA a um usuário final. Em vez de atestar a qualidade de serviço apenas pelo volume de pacotes transferidos, as operadoras poderão começar a monitorar a transmissão de “tokens por segundo”. Essa reconfiguração abre portas para novos modelos de negócio, autenticação e otimização.

As empresas que passarem a ter acesso a precificações baseadas na eficiência de entrega de tokens, conseguirão ter visibilidade sobre o desempenho real de inferência e a utilização do hardware, e ainda adquirem uma métrica vital para o consumo energético: a quantidade de energia gasta por token.

O grande desafio da transição para um modelo AICO reside na diferença dos produtos comercializados hoje. Atualmente, as operadoras oferecem conexões e APIs focadas na realidade física do usuário. Em outras palavras, uma identidade atrelada a um chip SIM, uma localização geográfica validada e o status da rede ao vivo, entre outros.

Infraestrutura cognitiva

Em contrapartida, os serviços em nuvem vendem “cognição”, ou seja, sistemas que interpretam o mundo e tomam decisões, cobrando em tokens. A ponte entre esses dois mundos exige que as operadoras deixem de ser apenas agentes de autenticação de usuários para se tornarem facilitadoras ativas das inferências sobre eles.

Hoje, o tráfego gerado pela IA ainda é apenas uma fração da internet pública, mas já dita as regras dentro dos grandes data centers. Se as empresas de telecomunicações quiserem participar dessa nova e bilionária economia de maneira igualitária, elas precisarão adotar as mesmas unidades de medida que as gigantes de tecnologia.

Sem uma visibilidade focada no tráfego de tokens, as operadoras continuarão cegas para o verdadeiro valor do que transportam, correndo o risco de ficarem para trás na corrida da “infraestrutura cognitiva”, finaliza o Saunders em seu artigo.



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