Satélite em órbita da Terra, mostrando suas estruturas e painéis solares contra o fundo do espaço. Foto: Artsiom P / Shutterstock

Projeto de 5G no espaço prevê operação comercial a partir de 2028

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Uso de satélites com processamento em órbita, desenvolvido pela Airbus, amplia a cobertura das redes móveis e viabiliza conectividade em áreas remotas



Por Redação em 28/04/2026

As redes 5G tradicionais usam uma infraestrutura terrestre que envolve torres de celular e fibra óptica, entre outros componentes. A novidade agora é a expansão da tecnologia literalmente para o espaço, com as redes 5G não-terrestres (5G NTN, da sigla em inglês). Nesse caso, as redes dependem de satélites para fornecer conectividade ilimitada e disponível em qualquer lugar, inclusive no mar e no ar. Essa é a proposta da Airbus, em parceria com empresas da área satelital, entre elas a Aalyria, AccelerComm, CesiumAstro, Deutsche Telekom, Eutelsat, o Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial (ITRI), Keysight Technologies, Onati, Radisys, Sener e ST Engineering iDirect.

Como explica o portal Teletime, a conexão foi viabilizada pelo uso da rede de acesso via espacial (SpaceRAN), que aproveita os recursos de satélite definidos por software da própria Airbus para otimizar e gerenciar a infraestrutura de 5G no espaço.

Do repetidor ao processamento em órbita

De acordo com a Airbus, na configuração de satélite definido por software, em vez de simplesmente atuar como um repetidor de sinal, o satélite processará ativamente o sinal a bordo. Primeiro ele recebe o sinal e o decompõe, depois o processa, antes de regenerar o sinal para ser enviado novamente.

A empresa europeia destaca que a capacidade dos satélites de processar e regenerar sinais a bordo é revolucionária. Ela reduz a latência, aumenta a taxa de transferência de dados e permite uma gestão de rede mais eficiente. Ao utilizar enlaces intersatélites para permitir que os satélites “conversem” entre si, o tráfego pode ser roteado diretamente, reduzindo o número de estações terrestres necessárias e, consequentemente, o custo total das operações.

O foco da nova rede serão clientes das áreas de defesa, governo e da aviação comercial, sendo que o serviço tem previsão de ser disponibilizado a partir de 2028.

Desenvolvido no âmbito do Air!5G, um projeto apoiado pelo governo francês através do plano de investimentos França 2030, na estratégia Redes do Futuro, a inciativa será fundamental para preparar a próxima geração da tecnologia sem fios (6G) e, eventualmente, reduzir o custo da transmissão de dados em órbita.

A Airbus também participou do teste de redes não-terrestes 5G, liderado pela Agência Especial Europeia (ESA), em novembro de 2025. A iniciativa envolveu um consórcio de empresas para testar a 5G NTN usando satélites de baixa órbita.

Segundo a ESA, os testes abrem caminho para a implantação do padrão 5G-Advanced NR NTN, que levará à futura interoperabilidade entre satélites e redes terrestres em um amplo ecossistema, reduzindo o custo de acesso e permitindo o uso de banda larga via satélite para dispositivos NTN em todo o mundo.

De acordo com a MediaTek, fabricante de semicondutores e participante do consórcio, o teste utilizou satélites OneWeb,  construídos pela Airbus, que possuem transponders transparentes, com link de serviço em banda Ku, link de alimentação em banda Ka e adotam o conceito de “feixes em movimento terrestre”.

Durante o teste, o terminal de usuário NTN – com uma antena de painel plano desenvolvida pela Sharp – conectou-se com sucesso via satélite ao núcleo 5G terrestre utilizando a antena de gateway localizada no Centro Europeu de Pesquisa e Tecnologia Espacial (ESTEC) da ESA, na Holanda.

O teste comprovou que a integração completa dos padrões de comunicação, compartilhados e aceitos por toda a indústria de telefonia móvel, torna as constelações de satélites compatíveis, podendo complementar as redes terrestres de forma integrada. O resultado é possibilidade de se ter uma conectividade verdadeiramente ubíqua, com economias de escala, e abrir novos mercados para smartphones, automóveis e Internet das Coisas (IoT).



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