Da esquerda para a direita: Dario Paixão, Jaime Santamarta, Ana Carina Rodríguez e Flavio Bortolozzi Da esquerda para a direita: Dario Paixão, Jaime Santamarta, Ana Carina Rodríguez e Flavio Bortolozzi (Foto: Divulgação)

Inteligência artificial pode tornar as cidades mais humanas e eficientes?

3 minutos de leitura

Especialistas apontam como IA, dados e conectividade têm transformado a gestão urbana e os serviços públicos



Por Nai Fachini em 26/03/2026

A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como um dos principais motores da transformação digital nas cidades, especialmente quando aplicada à gestão urbana e à melhoria da qualidade de vida da população. Esse tema foi destaque no palco principal do Smart City Expo Curitiba, um dos principais encontros sobre cidades inteligentes da América Latina. O debate reuniu especialistas para discutir como tecnologias como o monitoramento em tempo real, a automação de serviços públicos e a análise preditiva têm modificado a forma como os centros urbanos operam, tornando a gestão mais eficiente, conectada e orientada por dados.

Segundo Ana Carina Rodríguez, subsecretária de Inovação da cidade de Escobar, (localizada na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina), a IA permite uma mudança na atuação dos municípios, que deixam de reagir a problemas para atuar de forma preventiva.

“Os dados possibilitam a identificação de padrões de comportamento, permitindo que os municípios atuem na prevenção de problemas em infraestrutura e otimizem recursos públicos de forma mais eficiente”, explicou.

O potencial da tecnologia para fortalecer a relação entre gestão pública e cidadãos foi destacado por Dario Paixão, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação. Segundo ele, o impacto da IA vai além da eficiência administrativa.

“Os cidadãos podem ser muito beneficiados com a inteligência artificial, porque não só os serviços públicos ficam mais eficientes, mas o mais importante é a melhoria da qualidade de vida, o que se reflete na saúde, na mobilidade, no meio ambiente e no saneamento”, afirmou.

Curitiba como exemplo de aplicação prática

Curitiba é vista como referência no uso de tecnologia aplicada à gestão urbana. Paixão ressalta que a cidade já trabalha com inteligência artificial há décadas, especialmente impulsionada pelo ambiente acadêmico, mas que a aplicação nos serviços públicos ganhou força mais recentemente.

“Hoje vemos a IA presente em diferentes frentes, como segurança, saúde, educação e nos próprios aplicativos da prefeitura, conectando dados e serviços”, disse. Segundo ele, um dos exemplos mais concretos é o uso da tecnologia na zeladoria urbana. Veículos equipados com câmeras percorrem a cidade coletando imagens e identificando automaticamente problemas como buracos nas vias, falta de sinalização, necessidade de poda de árvores ou acúmulo de lixo em terrenos, entre outros. “Essas informações são enviadas para as secretarias responsáveis, que conseguem agir de forma mais rápida e eficiente”, explicou.

Cidades mais sustentáveis e conectadas

Jovem usando smartphone em cidade inteligente, símbolo de cidades mais humanas e eficientes com inteligência artificial.
Foto: Prostock-studio / Shutterstock / Modificada com IA

Na prática, os especialistas destacam que o uso da IA acelera a construção de ambientes urbanos mais sustentáveis e resilientes. De acordo com José Roberto Serenini, Head de Vendas IoT da Claro empresas, o uso de IA já avança em diferentes frentes da infraestrutura urbana, com aplicações tanto no setor público quanto em concessionárias e empresas privadas.

Ele explica que ferramentas de monitoramento e análise permitem acompanhar indicadores em tempo real, beneficiando tanto o setor público quanto empresas e usuários finais em áreas como iluminação pública, saneamento, gás e energia elétrica.

Serenini conta que a Claro empresas oferece soluções focadas em conectividade NB-IoT e LTE-M, combinadas com ferramentas para modernizar a gestão de infraestruturas críticas e operações de grande escala. “São soluções que foram desenvolvidas para aumentar a eficiência e otimizar o gerenciamento de recursos em diversos setores, incluindo a administração pública, concessionárias, empresas privadas e projetos estruturados por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs)”, completou.

Integração ainda é desafio nas cidades inteligentes

Cidade ao entardecer, com luzes de veículos em movimento e um horizonte urbano moderno, promovendo cidades mais sustentáveis e conectadas.
Foto: Ayham Thalji / Shutterstock / Modificada com IA

Apesar dos avanços, a integração entre diferentes soluções segue como um dos principais desafios das cidades inteligentes. Para Luciano Ishikawa, diretor comercial da Constanta Industrial, muitas iniciativas ainda operam de forma isolada, o que limita o potencial das tecnologias.

“Estar junto com a Claro, uma empresa com essa visão de modernização e toda essa estrutura, é sem dúvida a parceria ideal para a gente realmente criar aquilo que o pessoal chama de conceito de cidades inteligentes. Assim, conseguimos integrar tudo: a iluminação pública conversa com o saneamento, com a água, com o esgoto, com a telegestão do gás e com a telegestão das redes elétricas. E, no final do dia, essa informação por trás de tudo é o que realmente transforma as cidades e melhora a vida das pessoas.”

O executivo também destacou a atuação do grupo no desenvolvimento de soluções integradas. “Hoje o grupo é formado por uma área de inovação, que é o Instituto Constanta de Inovação, responsável pelo desenvolvimento desses projetos. Temos também a área industrial, que fabrica essas soluções, com unidades em Manaus e no estado de São Paulo, além de atender clientes de diversos segmentos. Quando olhamos para essas verticais de IoT, temos empresas do grupo focadas em iluminação pública, saneamento, gás e energia. Ou seja, acabamos criando um ecossistema. Conseguimos desenvolver tecnologia nacional, fabricar localmente, fomentar o emprego e a pesquisa, e levar essas soluções para diversos setores”, concluiu.

Para Serenini, o conceito de smart city passa por levar inteligência para a infraestrutura urbana. “A proposta é acoplar câmeras à rede de iluminação pública para viabilizar serviços de cidade inteligente. Com isso, é possível melhorar a iluminação, reforçar a segurança e melhorar a mobilidade urbana, porque podemos usar dados para entender fluxos, reorganizar vias e redirecionar o tráfego em tempo real. No fim, é isso que define uma cidade inteligente: usar tecnologia e informação para melhorar a vida das pessoas”, reafirmou.



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