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painel sobre Multicloud, IA e Soberania de Dados Da esquerda para direita: Rodrigo Asaad, Mário Rachid, Paulo Zambroni e Moises Medeiros

O melhor das nuvens globais com serviços locais sob medida

3 minutos de leitura

Empresas adotam estratégias para extrair o potencial de inovação dos serviços nativos de múltiplos provedores, com um parceiro mais próximo orquestrando essas composições



Por Vanderlei Campos em 10/06/2026

O ambiente multicloud deixou de ser um conjunto de silos operacionais para se tornar uma escolha de negócios estratégica e intencional. O movimento atual do mercado aponta que, em vez da contratação isolada de máquinas virtuais, armazenamento e outros serviços comuns de infraestrutura, os projetos de transformação digital agora buscam aproveitar a inovação contida nos serviços nativos de cada nuvem, combinando o alcance de provedores globais com a flexibilidade do atendimento e da orquestração sob medida. Esse foi o eixo do painel sobre Multicloud, IA e Soberania de Dados, que reuniu especialistas da Claro empresas, AWS e Oracle, no Web Summit Rio 2026.

A busca por arquiteturas eficientes exige que as organizações saibam extrair as melhores ferramentas de cada ecossistema. Paulo Zambroni, diretor de contas da AWS, ressaltou essa mudança de paradigma: “Acreditamos na multicloud com o melhor de cada provedor e a orquestração de um parceiro como a Claro”, resumiu. De acordo com o executivo, o planejamento intencional substitui a antiga complexidade operacional e os custos excessivos gerados pela sobreposição desordenada de plataformas.

Complementando a perspectiva técnica, Moisés Medeiros, vice-presidente para a indústria de telecomunicações e mídia da Oracle, ponderou sobre a maturidade necessária para consolidar essa transição. “Usar várias nuvens é uma coisa. Ter uma arquitetura multicloud é outra”, afirmou Medeiros, apontando que o sucesso depende da inteligência na hora de conectar as diferentes soluções.

Infraestrutura local e ganho de performance

Para sustentar essa integração e garantir a soberania de dados exigida em vários setores do mercado nacional, investimentos massivos vêm modificando o cenário físico da tecnologia no país. Mário Rachid, diretor executivo da Claro empresas, destacou os esforços direcionados à área. “Investimos mais de R$ 1 bilhão na área de cloud, para que os clientes trabalhem com diferentes provedores sob uma mesma plataforma de orquestração”, mencionou.

Rachid explicou que a estratégia envolve a instalação física de racks da AWS e da OCI (Infraestrutura de nuvem Oracle) diretamente nos datacenters da Claro empresas. Graças a essa proximidade e às interconexões internas de rede, as aplicações que precisam acionar várias instâncias simultaneamente entre os provedores rodam até 70% mais rápido.

O diretor de inovação em produtos B2B da Claro empresas, Rodrigo Assad, informou que a operadora vai expandir ainda mais o suporte local. “Parceiros como AWS e Oracle terão uma alternativa para, por exemplo, implementar ‘zonas de disponibilidade’ em várias regiões do país”, adiantou.

Essa capilaridade regional foi um dos pontos destacados por Zambroni, que observou que a Claro empresas detém uma proximidade com o cliente final e uma presença geográfica em praças brasileiras que os próprios provedores de escala global (hyperscalers) enfrentam dificuldades para alcançar.

Cooperação entre concorrentes em função do cliente

Embora disputem fatias de mercado globalmente, as gigantes de tecnologia têm estreitado laços com parceiros integradores locais para viabilizar projetos complexos. “Há cinco anos, este encontro era improvável. Hoje, entendemos a importância de convergirmos em função dos objetivos dos clientes”, comparou Zambroni.

Essa cooperação é vista como essencial para mitigar os principais gargalos atuais, como a implementação de inteligência artificial e a estruturação de dados. “Criar pilotos simples (MVPs) leva poucos meses. Em contrapartida, rodar agentes de IA com dados reais de clientes, principalmente em funções críticas e complexas como a prevenção de churn, exige dados rigorosamente estruturados”, advertiu Medeiros. Diante da volatilidade e atualização acelerada dos modelos de linguagem de grande porte (LLMs), arquiteturas flexíveis se tornam indispensáveis.

Os painelistas destacaram que o avanço dessa infraestrutura robusta depende também da capacidade de atenuar ou reverter o déficit crônico de profissionais de TI no país. Para contornar a escassez de talentos, marcas como Claro, AWS e Oracle direcionam recursos substanciais a programas de capacitação técnica, certificações e convênios universitários, garantindo que o mercado brasileiro consiga extrair o valor máximo da inovação multicloud.

 

* Acompanhe a cobertura do Web Summit Rio 2026 na página especial do Próximo Nível.



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