A precificação de produtos e serviços é moldada por uma série de fatores que, em parte, flutuam conforme o dinamismo geopolítico e socioeconômico. A velocidade na atualização dos preços, no entanto, nem sempre acompanha essas mudanças. Nesse sentido, as etiquetas eletrônicas de prateleira (ESLs, na sigla em inglês) ganham espaço como uma alternativa às tradicionais etiquetas de papel e uma ferramenta para estabelecimentos alterarem seus preços em poucos segundos, de forma centralizada e sincronizada com os sistemas de gestão.
Além de reduzir custos operacionais e minimizar erros de precificação, a tecnologia amplia a capacidade de resposta das organizações às mudanças econômicas, como oscilações cambiais, aumento nos custos logísticos, alterações na demanda e promoções da concorrência. As etiquetas também contribuem para otimizar estoques e aprimorar a experiência do consumidor.
Etiquetas eletrônicas reduzem custos e aumentam a eficiência

A principal vantagem das etiquetas eletrônicas está na substituição de um processo manual, demorado e suscetível a falhas por uma operação digital. Em vez de imprimir novas etiquetas e mobilizar equipes para percorrer corredores revisando preços produto por produto, a empresa pode realizar todas as alterações simultaneamente a partir de um sistema central.
Essa agilidade torna-se estratégica diante de cenários de instabilidade econômica, quando fornecedores reajustam preços com frequência ou quando fatores externos, como inflação, câmbio e custos de transporte, impactam diretamente o valor final dos produtos. Com a sincronização em tempo real, a loja consegue refletir rapidamente essas mudanças nas gôndolas, reduzindo perdas decorrentes de preços desatualizados.
Benefícios vão além da atualização dos preços
O impacto das etiquetas eletrônicas não se restringe à precificação. A digitalização das gôndolas melhora a gestão operacional como um todo.
Entre os principais ganhos estão a redução de erros entre o preço exibido na prateleira e o registrado no caixa, a diminuição do tempo dedicado às trocas de etiquetas, a realocação de colaboradores e a otimização dos processos de separação de pedidos para delivery.
De acordo com o Diário do Comércio, a adoção das etiquetas eletrônicas em uma rede supermercadista de São Paulo eliminou um processo que consumia entre uma e duas horas diárias e mobilizava até cem colaboradores. Atualmente, as atualizações são realizadas em poucos segundos por meio de conexão Wi-Fi e integração ao sistema de gestão de preços. Além disso, as etiquetas mudam automaticamente de cor para destacar promoções e auxiliam funcionários na localização dos produtos durante o processo de separação de pedidos (picking), aumentando a produtividade da operação.
A evolução tecnológica também trouxe novas funcionalidades, como a consulta a informações nutricionais, avaliações de outros clientes, sugestões de harmonização, composição técnica e cupons promocionais diretamente pelo celular.
Transparência é ponto de atenção
Apesar dos ganhos operacionais, a expansão das etiquetas eletrônicas também levanta discussões sobre transparência na formação de preços. Como a tecnologia possibilita alterações em questão de segundos, as empresas devem estar atentas e respeitar as normas do Código de Defesa do Consumidor na estratégia de precificação.
Na avaliação de Nicoly Crepaldi Minchuerri, advogada do Mazzucco&Mello, informações claras e precisas são fundamentais para preservar a confiança do consumidor. Caso um preço seja alterado entre a escolha do produto e a passagem pelo caixa sem comunicação adequada, o estabelecimento pode ser enquadrado por prática abusiva.
Por isso, embora o preço dinâmico seja visto como uma ferramenta capaz de reduzir perdas, sua adoção depende de mecanismos transparentes de informação.
