DTV+ Imagem gerada por Inteligência Artificial

DTV+: entenda a nova TV 3.0 do Brasil

3 minutos de leitura

Tecnologia com conexão 5G promete revolucionar a forma como as pessoas assistem televisão no país



Por Redação em 03/09/2025

A TV, aquela velha companheira de nossas salas, está se preparando para uma transformação sem precedentes. Longe de desaparecer, ela se reinventa, abraçando a conectividade para se tornar a DTV+, ou, como vem sendo chamada: a nova TV 3.0. Trata-se de uma nova era da televisão digital brasileira, que promete mais interatividade, qualidade e uma experiência unificada, independentemente de onde o telespectador esteja. 

A TV 3.0 apresenta uma melhoria notável na qualidade de áudio e vídeo. A DTV+, por meio de padrões avançados de compressão, possibilitará a transmissão de conteúdo em 4K e, futuramente, em 8K, com imagens mais nítidas, cores vibrantes (graças ao HDR) e contraste aprimorado.

A seguir, o Próximo Nível uniu algumas das principais discussões do mercado sobre a DTV+, como ela está sendo construída com satélite e 5G broadcast e trouxe uma visão estratégica de grandes nomes desse mercado. Acompanhe.

DTV+: mais versátil e inclusiva com satélite e 5G Broadcast

Foto: Rasulov/ Shutterstock

A próxima geração da TV digital brasileira, conhecida como DTV+, tem uma meta ambiciosa: ser mais do que apenas a transmissão unidirecional que conhecíamos até então. O objetivo é criar uma plataforma ampla e inclusiva, combinando o que há de melhor nas transmissões terrestres, via satélite e também por redes móveis de conectividade. 

Essa interoperabilidade entre os padrões é a chave para oferecer uma experiência unificada ao telespectador, que poderá consumir conteúdo de alta qualidade em casa, no carro ou em qualquer lugar que esteja através de um smartphone.

Para quem vive em áreas remotas ou depende da TV via satélite (TVRO), a boa notícia é que a DTV+ chegará também a essa audiência. 

O Fórum Brasileiro de TV Digital (SBTVD) já trabalha no desenvolvimento de uma versão intermediária, o TVRO 2.5, que busca replicar a experiência da TV 3.0 terrestre. Esse foi um dos temas do SET Expo 2025 (o mais importante evento brasileiro de tecnologia de radiodifusão). A inovação permitirá recursos como imagem em 4K, medição de audiência e a inserção dinâmica de anúncios, abrindo novas portas para as emissoras. A Claro empresas, por exemplo, já firmou acordos para lançar o TVRO 2.5 em 2026, sinalizando a proximidade dessa novidade no mercado.

Além disso, a integração com o 5G broadcast  é um divisor de águas. A tecnologia permite que a TV aberta chegue a pessoas em movimento, em transporte público ou em grandes aglomerações. 

O 5G broadcast tem uma enorme vantagem em situações de alta demanda, como eventos esportivos ou shows, onde milhares de pessoas acessam o mesmo conteúdo em tempo real sem sobrecarregar a rede de dados. No entanto, a implementação ainda enfrenta desafios técnicos, como a definição de faixas de frequência e o desenvolvimento de dispositivos que possam receber simultaneamente o 5G broadcast e se comunicar com a rede de dados, garantindo uma experiência perfeita.

Conectividade impulsiona a DTV+

O SET Expo 2025 confirmou que a conectividade é o verdadeiro motor da DTV+. Especialistas reunidos nos congressos debateram como a revolução digital está forçando as emissoras a se reinventarem para competir com o poder avassalador dos serviços de streaming. A nova abordagem, portanto, é tornar as plataformas de TV “hiperconectadas”, capazes de oferecer experiências mais personalizadas e com integração de dados e tecnologias emergentes.

Diego Pereira Cortinhas, coordenador de Engenharia de Projetos de Pré-vendas no segmento de mídia da Claro empresas, explicou a nova realidade: as emissoras não são mais simples canais de transmissão. “Elas se tornaram hubs de múltiplos sistemas, usando infraestruturas interconectadas para otimizar toda a cadeia, da produção à distribuição”, disse. 

Exemplos práticos já mostram essa transformação em ação, como o uso de 5G pela TV Globo no Carnaval de 2023 para transmissões mais fluídas. Outro caso foi a operação de enlaces dedicados pela Band e FIA na Fórmula 1, garantindo a alta qualidade da cobertura em tempo real.

Os especialistas também abordaram a aplicação da inteligência artificial (IA) para aprimorar a monetização através de publicidade personalizada, um passo essencial para manter a relevância comercial da TV aberta. 

Celso de Melo, da Globo, reforçou a evolução da emissora na distribuição digital, que começou com desafios na Copa do Mundo e evoluiu para o desenvolvimento de uma própria CDN (Rede de Entrega de Conteúdo) para garantir a alta qualidade de transmissão, uma prova do investimento pesado em infraestrutura.

A convergência perfeita: TV e internet

Imagem gerada por Inteligência Artificial

A conclusão que emerge de todas essas discussões é que a linha entre a TV e a internet está desaparecendo. A DTV+ não é apenas uma evolução tecnológica, portanto, é uma convergência de mídias que beneficia o telespectador com mais opções e controle. Afinal, a combinação de sinais terrestres, satélites e 5G broadcast garante que o conteúdo esteja acessível de forma fluida em qualquer dispositivo.

Essa fusão estratégica permite que as emissoras ofereçam muito mais do que programação linear e a interatividade, a personalização de anúncios e o acesso a conteúdos sob demanda se tornam o novo padrão, transformando a TV em uma experiência rica e sob medida para cada usuário. Na prática, os telespectadores verão os antigos canais de televisão como aplicativos.

Com a assinatura do decreto que regulamenta a TV 3.0, a fase preparatória deve ser concluída ainda em 2025, com início das primeiras transmissões no primeiro semestre de 2026. A estimativa do governo brasileiro é que o processo de expansão para a cobertura de todo o território nacional leve cerca de 15 anos.



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