A tecnologia de internet via satélite direta no celular (D2D, da sigla em inglês direct to device) começa a avançar no Brasil e promete ampliar a conectividade em áreas sem cobertura móvel convencional. Diferentemente do acesso de banda larga tradicional por satélite, que depende de roteadores em terra, o D2D permite que os usuários usem o serviço sem depender de equipamentos intermediários.
A solução dispensa antenas ou redes terrestres, o que pode ampliar seu uso potencial em áreas com cobertura deficiente ou mesmo em situações de emergência, quando a rede celular convencional pode sofrer interrupções.
Reportagem do Estado de S.Paulo aponta que a tecnologia tem deixado a fase experimental para entrar em operação comercial. A nova etapa deve ser implementada nos próximos meses, o que significa a oferta de planos de assinatura pelos players que ocupam esse nicho, hoje ainda restrito a algumas dezenas de países.
No Brasil, o modelo de negócio envolveria a parceria com operadoras móveis locais, complementando a oferta de cobertura celular. Ou seja, não haveria uma competição direta com empresas de telecomunicações móveis e sim uma sinergia, onde o D2D entraria como solução complementar, ampliando a cobertura em áreas onde o sinal celular é limitado ou inexistente.
Duas empresas já demonstraram interesse em atuar no país, processo que exige a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Uma delas é a Starlink, que comprou a Echostar, que tem licença para operar o D2D no Brasil e em outros países. A texana AST Space Mobile é a outra companhia citada pelo Estado de S.Paulo.
Os especialistas ouvidos pela reportagem indicam que as comunidades remotas e os órgãos públicos estariam entre os principais públicos-alvo, em áreas que vão desde rodovias federais até aplicações militares e de segurança. Áreas de fronteira, grandes fazendas e setores isolados como mineração também fazem parte de potenciais clientes.
Estados Unidos lideram adoção de D2D

Dados da consultoria Ookla mostram que os Estados Unidos lideram o mercado de D2D, representando 45,9% de todas as conexões globais em março de 2026. Outros países que apresentaram números expressivos de conexões D2D incluem a Austrália (18,1% das amostras D2D globais), o Chile (10%) e o Canadá (9,8%). Em comum, todos eles têm extensas áreas rurais.
Um dado interessante é o posicionamento do Chile no mercado de D2D: 1,26% dos usuários de dispositivos móveis já utiliza conexões D2D. É um percentual mais alto do que os Estados Unidos (0,46%) e do que o Canadá (0,70%). Os três países também possuem forte atividade mineradora, setor apontado como um dos potenciais beneficiários da tecnologia.
O Japão, com 0,11%, registra o índice mais baixo entre os países com adoção do D2D entre usuários móveis tradicionais.
A Ookla também ressalta que o número de conexões D2D globais aumentou aproximadamente 24,5% entre julho de 2025 e março de 2026. Esse crescimento coincide com o lançamento dos serviços D2D da Starlink Mobile em diversos países, incluindo Chile, Ucrânia, Peru e Reino Unido.
Nos Estados Unidos e Canadá o serviço sofreu uma redução na quantidade de conexões, tendência apontada pela consultoria como uma reação ao início de cobrança do serviço por parte de operadoras móveis locais.
A consultoria destaca ainda que as conexões D2D representam uma conquista técnica notável, já que os satélites em órbita terrestre baixa (LEO) estão aproximadamente 60 vezes mais distantes dos telefones dos usuários do que uma torre de celular terrestre tradicional, que fica a apenas alguns quilômetros de distância.
