Febraban Tech 2026 Febraban Tech 2026
Cenário futurista com mãos robóticas e ícones de segurança, banco e dados, em fundo vermelho e elementos de circuito, digital e automatizado Foto: Summit Art Creations / Shutterstock / Modificada com IA

O banco do futuro será formado por agentes inteligentes?

3 minutos de leitura

Agentes de IA podem ampliar a automação bancária ao interpretar informações, tomar decisões dentro de limites definidos e executar tarefas



Por Redação em 19/08/2026

O banco do futuro poderá ser menos dependente de interfaces tradicionais e mais baseado em agentes inteligentes capazes de interpretar informações, tomar decisões dentro de limites definidos e executar tarefas em nome de clientes e instituições. Essa transformação estará entre os temas do Febraban Tech 2026, que será realizado de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com o tema “Agentes Inteligentes, liderança humana”.

A discussão faz parte da evolução em relação ao uso da inteligência artificial apenas para consultas e atendimento. Um agente de IA pode receber um objetivo, analisar informações, definir etapas e utilizar diferentes sistemas para executar uma tarefa.

A Febraban já inclui os agentes de IA entre as tecnologias emergentes para o setor bancário. No estudo Tecnologias Emergentes para o Setor Bancário 2025, a entidade aponta aplicações em investimentos, pagamentos e grandes compras. Do assistente ao agente de IA, a principal diferença está no grau de autonomia. Enquanto um assistente responde a uma solicitação, um agente pode receber um objetivo e executar uma sequência de ações para alcançá-lo. No setor financeiro, isso pode significar analisar dados, comparar alternativas e realizar uma operação autorizada pelo cliente.

A programação do Febraban Tech 2026 prevê debates sobre “Agentes de IA em rede” e sobre a transição para modelos de trabalho que combinam pessoas e agentes de inteligência artificial.

O que muda para os bancos

A expansão dos agentes pode atingir atendimento, desenvolvimento de software, análise documental, backoffice, prevenção a fraudes e outros processos que dependem de dados e sistemas integrados. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o setor já possui uma infraestrutura digital ampla. O orçamento anual dos bancos para tecnologia ultrapassou R$ 50 bilhões, enquanto o mobile banking concentra parte relevante das mais de 240 bilhões de transações realizadas anualmente. 

A pesquisa também aponta que 98% das funcionalidades bancárias já estão disponíveis nos canais digitais. Esse ambiente cria condições para que a IA avance de uma função de apoio para a execução de processos.

Condição que pode ser ampliada com Open Finance, uma vez que permite o compartilhamento de dados e serviços financeiros entre instituições, mediante autorização do cliente. Em publicação do Banco Central do Brasil, pesquisadores apontam que a combinação entre Open Banking, big data e inteligência artificial pode favorecer novos produtos e serviços financeiros.

Em um modelo baseado em agentes, um sistema autorizado poderia reunir informações de diferentes instituições, comparar alternativas e executar determinadas ações em nome do cliente. Isso altera a relação com os bancos: a jornada financeira pode deixar de estar concentrada no aplicativo de uma única instituição e passar a ser coordenada por um agente que interage com diferentes serviços.

Quem autoriza o agente?

A expansão da autonomia traz uma questão central: até onde um agente pode agir em nome do cliente? 

No modelo tradicional, o usuário acessa o aplicativo, escolhe uma operação e confirma sua execução. Com agentes, pode delegar uma tarefa e estabelecer parâmetros para que o sistema tome decisões dentro de determinados limites.

Por isso, identidade digital, autenticação, autorização e rastreabilidade ganham importância.

No estudo sobre tecnologias emergentes, a Febraban destaca que a identidade digital integrada poderá permitir que pessoas ou agentes autorizados acessem contas, realizem transações e assinem contratos remotamente.

Quando o assunto é governança e segurança, quanto maior a autonomia dos agentes, maior a necessidade de estabelecer quais dados, sistemas e operações eles podem acessar. O Banco Central incluiu entre suas prioridades regulatórias o estudo dos riscos e impactos do uso de inteligência artificial pelas instituições financeiras. A questão envolve proteção de dados, segurança, responsabilidade pelas decisões e mecanismos de auditoria.

Um erro em uma ferramenta que apenas produz uma resposta pode gerar uma informação incorreta. Em um sistema que executa operações, o mesmo erro pode produzir uma consequência financeira ou operacional.

A supervisão humana, porém, continua no centro dessa discussão. O próprio tema do Febraban Tech 2026, “Agentes Inteligentes, liderança humana”, coloca a relação entre automação e responsabilidade humana no centro do debate. A questão é a definição de tarefas: quais podem ser automatizadas, quais exigem supervisão e quais decisões permanecem sob responsabilidade das pessoas.

A possibilidade de agentes trabalhando em rede amplia essa discussão. Diferentes sistemas podem assumir funções específicas (interação com o cliente, análise de risco, execução de operações e segurança), enquanto mecanismos de governança estabelecem limites e controles. Assim, o banco do futuro pode não ser apenas aquele que utiliza inteligência artificial, mas aquele capaz de organizar agentes, dados, sistemas e pessoas em uma mesma arquitetura de serviços financeiros.

O Febraban Tech 2026 coloca essa transformação em debate ao aproximar dois elementos: a autonomia dos agentes e a liderança humana. A questão não é apenas o que a IA poderá executar, mas como o sistema financeiro definirá os limites dessa autonomia e a responsabilidade pelas decisões. Acompanhe a cobertura do Febraban Tech 2026 no Próximo Nível. 



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