Torre de telecomunicações com a inscrição 5G broadcast em vermelho, envolta por linhas luminosas que simulam sinal. Imagem gerada digitalmente

5G Broadcast: novas possibilidades para a distribuição de conteúdo

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Tecnologia estará entre os temas do SET EXPO 2026, que debate novas aplicações das redes móveis na produção audiovisual, no jornalismo, em megaeventos e na distribuição de conteúdo



Por Redação em 13/08/2026

A evolução das redes móveis está mudando a infraestrutura por trás da produção e da distribuição de conteúdo audiovisual. No SET EXPO 2026, o 5G aparece associado a diferentes etapas dessa transformação: da transmissão de imagens em campo à cobertura de grandes eventos e, em uma perspectiva mais ampla, à distribuição de conteúdo diretamente para dispositivos móveis por meio do 5G Broadcast.

A 38ª edição do Congresso de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento da SET acontece de 17 a 20 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Entre os temas da programação está o painel “5G, 5G Broadcast e 6G: o novo ciclo das redes para mídia e entretenimento”, que discutirá aplicações de redes privadas na produção ao vivo, cobertura jornalística e eventos, além do potencial do 5G Broadcast para distribuição de conteúdo em massa.

A agenda também inclui uma apresentação da Claro empresas, no dia 17 de agosto, intitulada “5G: Novas Aplicações em Produções Audiovisuais do Jornalismo aos Mega Eventos”. A presença desses temas no mesmo ambiente ajuda a explicar uma mudança importante: o 5G não deve ser analisado apenas como uma evolução da internet móvel. Para o setor audiovisual, a tecnologia abre possibilidades para repensar como uma transmissão é produzida, transportada e, no caso do 5G Broadcast, distribuída.

Do cabo à rede móvel

Na produção tradicional de televisão, uma transmissão externa depende de uma infraestrutura física e logística que pode envolver cabos, enlaces dedicados, unidades móveis e equipamentos específicos para transportar o sinal até a emissora ou centro de produção.

O 5G introduz outra possibilidade. Com maior capacidade e potencial para comunicações de baixa latência, além da possibilidade de utilização de redes privadas, a conectividade móvel pode assumir parte das funções que antes dependiam exclusivamente de estruturas físicas.

Isso é particularmente relevante para jornalismo e eventos. Câmeras, mochilinks e outros equipamentos podem utilizar a rede para enviar imagens em tempo real, permitindo estruturas de produção mais flexíveis.

No contexto audiovisual, a consequência é potencialmente maior autonomia para equipes de produção e jornalismo. Uma cobertura externa pode depender menos de estruturas instaladas especificamente para determinado evento e mais de uma infraestrutura de conectividade disponível no local.

É aqui que entra o 5G Broadcast

Mulher sorrindo e com fones de ouvido brancos, assistindo a um streaming móvel via 5G broadcast em seu smartphone.
Foto: Pheelings media/ Shutterstock

Mas existe uma diferença fundamental entre usar o 5G para produzir uma transmissão e usar o 5G Broadcast para distribuí-la. O 5G convencional estabelece uma conexão entre a rede e cada usuário. O 5G Broadcast trabalha com uma lógica diferente: utiliza transmissão ponto-multiponto para entregar o mesmo conteúdo simultaneamente a um grande número de dispositivos.

Na prática, isso abre a possibilidade de transmitir conteúdo diretamente para celulares e outros dispositivos compatíveis sem que cada espectador precise estabelecer uma conexão individual de dados para receber aquele conteúdo.

Esse modelo ganhou um caso concreto no Brasil em 2026. Em Curitiba, a Rede CNT sediou demonstrações de 5G Broadcast coordenadas pela Rohde & Schwarz, com participação de Ateme, EFTX, Anatel, Claro e Ministério das Comunicações. Os testes avaliaram, entre outros aspectos, a convivência do sinal com as redes móveis existentes.

O objetivo é particularmente relevante para a televisão aberta: permitir que conteúdos possam chegar diretamente aos dispositivos móveis sem consumir a franquia de dados do usuário e sem exigir que milhões de pessoas acessem individualmente uma rede celular para receber o mesmo conteúdo.

As demonstrações realizadas na Rede CNT começaram com medições de campo em fevereiro de 2026 e avançaram para transmissões em março. A operação envolveu radiodifusão, indústria, governo e telecomunicações para avaliar a viabilidade técnica do modelo. O projeto também insere o 5G Broadcast nas discussões sobre o futuro da TV aberta e sua integração ao ecossistema da TV 3.0. 

A próxima geração da televisão brasileira não está sendo desenhada apenas como uma evolução da qualidade de imagem. O conceito envolve uma televisão mais conectada, baseada em IP e capaz de combinar diferentes formas de distribuição e interação.

Nesse cenário, o broadcast continuará responsável pela distribuição eficiente de conteúdo para grandes audiências, enquanto a banda larga acrescentará recursos de interatividade, personalização e serviços conectados. O 5G Broadcast pode ampliar essa lógica para o ambiente móvel.

O impacto nas transmissões ao vivo

É justamente nas transmissões ao vivo que a combinação dessas tecnologias pode produzir alguns dos efeitos mais visíveis. Imagine um grande evento esportivo, um festival de música ou uma cobertura jornalística com milhares de pessoas reunidas em uma mesma área. O mesmo ambiente pode exigir simultaneamente produção de vídeo, comunicação entre equipes, transmissão para emissoras, acesso a plataformas digitais e distribuição de conteúdo para o público. 

O 5G pode atuar na camada de produção e conectividade. Redes privadas podem oferecer maior controle sobre os recursos utilizados pelas equipes. E tecnologias de transmissão ponto-multiponto, como o 5G Broadcast, podem assumir outra função: distribuir o mesmo conteúdo para grandes quantidades de dispositivos.

Essa separação entre produção, transporte e distribuição é importante para entender por que o tema aparece no SET Expo dentro de uma discussão mais ampla sobre infraestrutura. A programação oficial coloca o 5G, o 5G Broadcast e o 6G dentro de um mesmo ciclo de transformação das redes para mídia e entretenimento. O painel previsto para o evento também relaciona essas tecnologias a edge computing, inteligência artificial, XR, baixa latência e redes autônomas.

5G avança em aplicações profissionais 

A participação da Claro empresas no SET Expo 2026 leva esse debate para o campo das aplicações profissionais. Em apresentação no evento, a companhia abordará o uso do 5G em produções audiovisuais, jornalismo e megaeventos. O tema se conecta ao setor de mídia e entretenimento, que envolve conectividade, redes privadas e infraestrutura digital.

A empresa também tem uma atuação associada ao ecossistema brasileiro de 5G Broadcast e participou das demonstrações realizadas pela Rede CNT em Curitiba, ao lado de fabricantes, fornecedores de tecnologia, radiodifusores e órgãos reguladores.

É importante, portanto, observar a participação da companhia em duas frentes complementares: o 5G como infraestrutura para produção audiovisual e o ecossistema de telecomunicações como parte da discussão sobre novas formas de distribuição de televisão.

O principal ponto da discussão no SET Expo 2026 não é descobrir se o 5G é mais rápido que as tecnologias anteriores. A questão é o que uma infraestrutura de rede mais flexível permite fazer com o conteúdo audiovisual. Para a produção, pode significar menos dependência de infraestrutura física e maior mobilidade. Para o jornalismo, novas possibilidades de transmissão a partir de locais onde a montagem de uma estrutura convencional seria mais complexa. Para grandes eventos, maior capacidade de conectar equipamentos e equipes em ambientes de alta densidade.

Para a distribuição, o 5G Broadcast acrescenta outra possibilidade: utilizar uma lógica de transmissão para entregar o mesmo conteúdo a grandes audiências móveis. O Brasil começa a construir uma televisão em que broadcast, broadband, conectividade móvel, aplicativos e dados passam a fazer parte de um mesmo ecossistema. O próximo passo é, além de conectar mais pessoas, entender como essa conectividade pode alterar a própria arquitetura da televisão e das transmissões ao vivo.



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