O 5G está entre as tecnologias capazes de transformar a produção e a distribuição de conteúdo televisivo. Durante a SET EXPO 2026, Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente de Outorga e Licenciamento de estações da Anatel, mostrou que o 5G não é apenas um “4G mais rápido”, mas um meio fundamentalmente novo, capaz de redesenhar a produção audiovisual. “O 5G surge como um meio transformador”, afirmou.

Para atender às exigências de transmissões ao vivo em altíssima resolução (4K/8K) usando redes de dados, o grande gargalo sempre foi a taxa de uplink (envio de dados). Nas redes móveis comerciais comuns, a prioridade é o downlink (download do consumidor final).
Para contornar essa limitação e viabilizar transmissões estáveis e de baixa latência, Renato Sales destacou três modelos viáveis para produtoras e emissoras.
- Redes privadas: o próprio veículo de comunicação adquire, instala e opera sua infraestrutura 5G em um perímetro delimitado. Assim ele garante banda de uplink 100% dedicada e controle sobre a qualidade, embora tenha investimento inicial em infraestrutura.
- Redes dedicadas via operadoras: a infraestrutura física continua pertencendo às operadoras móveis, mas um canal exclusivo e dedicado é configurado para a emissora, aliando confiabilidade a um modelo de custos operacionais.
- Slicing de rede: a emissora aluga temporariamente uma “fatia” da rede pública comercial. É uma opção de menor custo para a cobertura de eventos pontuais.
Embora a cobertura 5G ainda esteja em expansão, Renato Sales ressalta que o Brasil já conta com uma malha expressiva. Segundo o gerente da Anatel, a faixa de 3,5 GHz soma mais de 56 mil estações distribuídas por mais de 1.800 municípios.
5G em expansão
Ampliando o debate sobre a expansão do 5G, Gina Duarte apresentou um balanço dos projetos de infraestrutura e inclusão digital Siga Antenado e Brasil Antenado, liderados pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), da qual ela é CEO.

No caso do Siga Antenado, responsável por preparar o caminho para o 5G, foi realizada a liberação da faixa de radiofrequência de 3,5 GHz e a migração das parabólicas tradicionais (Banda C) para a tecnologia digital em Banda Ku. Já no “Brasil Antenado”, focado na garantia do acesso à TV aberta em localidades com cobertura limitada, foram atendidas famílias de baixa renda com a instalação gratuita de kits de parabólicas.
Gina Duarte também destacou o programa Norte Conectado, que implementa redes de fibra óptica no leito dos rios da Amazônia. Considerado o maior projeto de inclusão digital do gênero no mundo, ele já instalou cerca de 4.000 km de cabos, com meta de 12.000 km.
Segundo a CEO, as iniciativas já atenderam 323 municípios em 16 estados, beneficiando mais de 260 mil famílias. Em cidades onde havia acesso a apenas um canal de TV aberta, os moradores passaram a ter acesso a até 100 canais digitais gratuitos.
5G Broadcast na Rede CNT
Diferentemente da transmissão móvel convencional, o 5G Broadcast permite distribuir o mesmo sinal simultaneamente para um grande número de dispositivos, sem exigir uma conexão individual de dados para cada usuário.
Na posição de radiodifusor, Robson Tavares, diretor técnico da Rede CNT, detalhou o projeto para levar a televisão aberta aos smartphones, sem consumir os pacotes de dados do usuário.

Segundo Robson, o propósito da iniciativa é assegurar que a televisão continue desempenhando seu papel social. “Conteúdo livre e gratuito, da forma mais inclusiva possível, para toda a população brasileira e em todos os dispositivos. Essa é a meta.”
O projeto começou a ganhar forma em 2025, quando o debate sobre o 5G Broadcast ganhou impulso internacional. Em cooperação com o Ministério das Comunicações, Anatel e parceiros tecnológicos, foi estruturada a operação piloto. Os testes de campo foram executados na sede da CNT. A equipe utilizou uma faixa de 10 MHz, onde foi alocado um canal de 5 MHz na frequência de 753 MHz.
Para garantir a segurança do projeto, as medições conduzidas pela Anatel não identificaram interferência nos serviços móveis.
A nova estratégia da TV
Ao final do painel, Francisco Martins Portelinha Júnior, gerente executivo de PDI no Inatel Competence Center (ICC), detalhou como as redes de quinta geração estão remodelando a produção, distribuição e monetização de mídia. Segundo o especialista, estas redes desempenham um papel diferente das tecnologias anteriores. “O 5G não age somente como uma tecnologia a mais, mas sim permite às mídias nova maneiras de monetizar e levar informação de diferentes formas”, afirmou.

Portelinha explicou que com conexões de ultrabaixa latência e alta capacidade de uplink, a barreira de entrada para a transmissão externa em alta definição caiu drasticamente. Ele ressaltou que, com o 5G, qualquer criador ou jornalista equipado com um smartphone pode produzir, transmitir e rentabilizar conteúdos de alta qualidade diretamente do local dos fatos, sem a dependência imediata de grandes e dispendiosas estruturas de unidades móveis de broadcast.
Na evolução para transmissões em resolução 4K/8K, a TV encontra no 5G um grande parceiro. Portelinha enfatizou os esforços conjuntos promovidos por entidades como a EAF (Entidade Administradora da Faixa) e órgãos governamentais para viabilizar a infraestrutura necessária. Longe de ser uma tecnologia concorrente, o 5G surge como uma ferramenta para potencializar a estratégia de relevância da TV permitindo a ocupação de novos dispositivos, formatos e modelos de distribuição.
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