As principais plataformas de mídia, como Google e Meta, simplificam a compra de mídia, mas operam como caixas-pretas. Os algoritmos são quase os mesmos para todos os anunciantes, gerando disputa por um público cada vez mais restrito e aumentando os gastos com a compra de publicidade. Além disso, a cobertura territorial é limitada. No Google Ads, por exemplo, dos mais de 5500 municípios brasileiros, apenas 1.100 aparecem nos relatórios.
Durante sua apresentação no congresso SET EXPO, a Claro demonstrou sua capacidade de alcançar cerca de 120 milhões de contatos nos segmentos de TV paga, mobile e Wi-Fi, entre outros. Esses clientes podem ser conectados às demandas dos anunciantes, com geolocalização precisa, explicou Gabriel Villa, gerente de novos negócios e publicidade da Claro Ads.
A demonstração prática de como esta capacidade pode ser usada veio de uma demanda da ESPM para um curso técnico gratuito, noturno e de curta duração, com bolsas integrais, voltado a um público de renda mais baixa que a escola conhecia pouco. Em vez de campanhas genéricas para o Rio e São Paulo, a solução Nexus da Claro partiu da leitura de território.
A análise indicou que o público-alvo não residia no centro do Rio, mas na Baixada Fluminense e em comunidades. O cruzamento de dados validou o perfil dos bolsistas e abriu caminho para canais mais precisos, especialmente com o Prezão Free (pré-pago da Claro), explicou Domingos Secco, fundador e presidente da Alright AdTech. Segundo Secco, a estratégia apresentou resultados positivos de engajamento e retenção.
IA como motor do processo
Cruzar todas essas camadas manualmente é inviável. É nesse ponto que entra a IA do Nexus. O sistema alimenta modelos de linguagem com os dados organizados (demografia, mobilidade, hábitos locais etc) e gera narrativas contextuais do lugar: dinâmica social, como as pessoas se vestem, que músicas escutam e insights.
Conhecida por Trama, esta IA evita estereótipos e alucinações típicas de LLMs genéricos, porque recebe dados concretos e restritos. O resultado são textos que permitem criar mensagens, imagens e chamadas locais, em vez de um único filme ou peça rodando de forma idêntica em todas as regiões do Brasil. O objetivo é apoiar o processo criativo e a execução da campanha, não apenas o planejamento. O anunciante ou a agência pode ajustar a comunicação em função de demandas específicas e do momento.
Wi-Fi público e geolocalização
Com estas novas oportunidades de direcionar a publicidade, a rede de Wi-Fi público da Claro, que mais do que quadruplicou o número de pontos ativos em um ano, deixou de ser comercializada de forma genérica e passou a oferecer geolocalização precisa por ponto ou por setor censitário. O anunciante consegue falar com quem está fisicamente naquele local, com valor de mídia mais qualificado. Isso é útil para captura de leads, construção de marca e ativação local. Os estádios também estão sendo mapeados: em breve pontos como o Nubank Parque passarão a contar com Claro Wi-Fi.
Futuro da personalização
Como diferencial em relação a outras plataformas de mídia, o Nexus conecta dados de inventário (mobile, Wi-Fi e TV) diretamente à demanda, abre a “caixa-preta dos algoritmos” e dá ao anunciante o controle sobre o território e a mensagem. “Em um país tão diverso e complexo quanto o Brasil, a combinação de geolocalização granular, dados demográficos e IA generativa ancorada em fatos permite campanhas mais eficientes, menos desperdício e comunicação que realmente conversa com cada pedaço do mapa”, defendeu Gabriel Villa, da Claro Ads.
*Especial para o Próximo Nível
