Mão em ambiente corporativo sustenta um símbolo visual de nuvem, representando a necessidade de modernizar infraestruturas de cloud para suportar novas cargas de inteligência artificial e modelos híbridos de TI. Imagem gerada digitalmente

Nuvens têm de ser reestruturadas até 2028 para suportar novas cargas, aponta IDC

2 minutos de leitura

Pressão das aplicações de IA deve levar organizações a reestruturar ambientes legados e consolidar o modelo híbrido como base da infraestrutura corporativa



Por Redação em 23/01/2026

A consolidação da inteligência artificial como eixo central das estratégias digitais coloca a infraestrutura no centro das decisões de CIOs. Previsões da IDC indicam que, até 2027, a maior parte das organizações globais terá de modernizar ambientes de nuvem considerados legados para conseguir absorver as novas demandas de IA.

A análise foi apresentada durante o webnar da IDC com base no FutureScape, metodologia proprietária que consolida projeções de médio e longo prazo a partir de pesquisas com líderes de TI e análises de mercado.

Pietro Delai, diretor de pesquisas para a América Latina na IDC, alertou que nem toda nuvem hoje em operação está preparada para esse cenário. “Estamos acostumados a falar de cloud como algo moderno, mas a infraestrutura que temos hoje não necessariamente vai se comportar bem com toda a demanda de inteligência artificial que está por chegar”, afirmou. Segundo o analista, o tempo para adaptação será curto, o que reforça a necessidade de iniciar desde já processos de revisão arquitetural.

Delai destacou ainda que a gestão desses ambientes tende a mudar de forma significativa. A administração centrada apenas em máquinas virtuais ou containers perde espaço para modelos mais complexos, exigindo capacitação das equipes de TI e novos processos operacionais. “Não teremos muito tempo para mudar a nuvem que temos hoje para que ela funcione com IA”, disse.

Nesse contexto, a escolha de parceiros passa a ser estratégica. A recomendação da IDC é que as organizações avaliem desde já provedores e integradores capazes de apoiar a modernização do chamado legacy cloud, reduzindo riscos e acelerando a captura de valor dos projetos de inteligência artificial.

Os dados regionais reforçam essa leitura. Em 2024, 43,5% do orçamento externo de TI das empresas latino-americanas ainda estava concentrado em ambientes tradicionais. A nuvem pública respondia por 28,7% e a nuvem privada por 27,8%. A projeção para 2026 aponta uma redução gradual da TI tradicional, para cerca de 39,8%, enquanto a nuvem pública avança para 32,7%, com a nuvem privada permanecendo praticamente estável.

O resultado é a consolidação do modelo híbrido como padrão dominante na região, reforçado pela expansão do edge computing. Segundo a IDC, quase 50% dos investimentos em computação de borda na América Latina já estão associados a iniciativas de inteligência artificial, refletindo a busca por menor latência, redução de custos e maior controle sobre dados.

IA avança nos endpoints e amplia a base instalada

A pressão da IA sobre a infraestrutura não se limita aos datacenters e ambientes de nuvem. Durante o webnar, Reinaldo Sakis, diretor da IDC Brasil, apresentou dados sobre a incorporação de recursos de inteligência artificial diretamente nos dispositivos utilizados no ambiente corporativo.

De acordo com Sakis, 38% dos smartphones comercializados recentemente na América Latina já contam com IA embarcada no processador. No caso dos notebooks, a proporção é de cerca de 15%, enquanto tablets chegam a aproximadamente 27%. Para o analista, os percentuais ainda são iniciais, mas indicam a formação de uma base instalada que tende a crescer rapidamente e a reforçar os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial.



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