Eliésio Silva Júnior, Thiago Perrella, Noor Hassan e Fabio Acquati Da esquerda para a direita: Eliésio Silva Júnior, Thiago Perrella, Noor Hassan e Fabio Acquati (Foto: Fernando Gaio)

TV migra infraestruturas para seguir competitiva

3 minutos de leitura

Especialistas na SET Expo 2026 apontam como nuvem, conectividade, automação e IA estão redesenhando a infraestrutura das emissoras



Por Fernando Gaio* em 19/08/2026

A indústria de televisão passou da alta previsibilidade para um ambiente de incertezas: as decisões de hoje podem estar desatualizadas em seis meses, comprometendo investimentos e estratégias. O avanço do streaming tornou a situação ainda mais desafiadora. 

Gestores de tecnologia e especialistas em nuvem, conectividade, automação e inteligência artificial se reuniram no congresso SET EXPO 2026 para discutir caminhos que permitam manter as empresas de comunicação competitivas. 

Durante o painel “Da Conectividade à Infraestrutura Inteligente”, Thiago Perrella, diretor de Engenharia e Tecnologia do Grupo Bandeirantes, descreveu a atual rotina de uma grande emissora. Com um volume expressivo de produção diária de jornalismo e entretenimento, o conteúdo precisa ser gerado, adaptado e distribuído quase instantaneamente não só para a grade linear (TV aberta), mas também para o ecossistema digital, redes sociais e canais de streaming.

Thiago Perrella, diretor de Engenharia e Tecnologia do Grupo Bandeirantes
Thiago Perrella, diretor de Engenharia e Tecnologia do Grupo Bandeirantes (Foto: Divulgação)

“Não produzimos apenas para a TV aberta. Precisamos atender o telespectador onde quer que ele esteja, seja no celular, no rádio ou no ambiente digital, ajustando formatos (horizontal ou vertical) e formatos de entrega de maneira ágil”, explicou. Esse cenário exige o desenvolvimento de fluxos de produção dinâmicos.

Para acelerar esta infraestrutura, é necessário automatizar e antecipar processos — da chegada dos vídeos e demais arquivos de mídia à análise constante dos recursos disponíveis e da audiência conquistada, explica Noor Hassan, Worldwide Partner Solutions Architect, Media & Entertainment da Amazon Web Services (AWS). Segundo a executiva, o segredo está em transformar ferramentas isoladas em um ecossistema integrado e reativo.

Complementando a visão dos fornecedores de tecnologia, Eliésio Silva Júnior, diretor de vendas da MediaKind, destacou que a infraestrutura deve ser agnóstica e adaptável ao tipo de programação ou ao negócio demandado. “A tecnologia não é mais o grande gargalo. O desafio agora é desenhar uma arquitetura flexível para suportar novos modelos de receita sem gerar retrabalho nem desperdício de investimento”, pontuou.

Eliésio Silva Júnior, diretor de vendas da MediaKind
Eliésio Silva Júnior, diretor de vendas da MediaKind (Foto: Divulgação)

Nuvem como ferramenta estratégica

O painel também se dedicou a desmistificar o uso da nuvem nas emissoras de TV. Noor Hassan afirmou que a nuvem não deve ser vista como um fim em si mesma, mas sim como um veículo ou uma caixa de ferramentas. Ela permite às empresas de mídia realizar experimentos e inovar com agilidade, sem a necessidade de adquirir infraestruturas caras, que podem se tornar obsoletas rapidamente.

Noor Hassan
Noor Hassan (Foto: Divulgação)

Ao abordar o arquivamento e a monetização de acervos, Noor defendeu que manter grandes volumes de dados armazenados na nuvem facilita o uso de inteligência artificial para catalogação e criação automática de novas edições de conteúdo, gerando novas fontes de receita com vídeos antigos.

Nuvem, on-premise ou híbrido?

Quando questionado sobre o modelo ideal para as emissoras — nuvem pública, on-premise ou nuvem híbrida —, Thiago Perrella foi pragmático: “Depende do bolso e da aplicação”. A resposta reflete a realidade das grandes operações. Para o gerenciamento diário de arquivos pesados, com centenas de horas de vídeo bruto em alta resolução, o custo contínuo de transferência e armazenamento em nuvem pública ainda pode ser proibitivo. Nesses casos, o modelo híbrido se consolida como a melhor solução.

Como se manter competitivo

A transição para uma infraestrutura inteligente não é apenas uma escolha tecnológica, mas uma decisão sobre o modelo de negócio mais adequado a um mercado de extrema competição. À medida que a concorrência se intensifica, a exigência por tráfego IP nativo, segmentação de anúncios e personalização da experiência do usuário torna impossível a manutenção de estruturas tradicionais. Fica o dilema: como investir sem errar?

O painel SET EXPO deixou claro que a nova estrutura – o backbone – do broadcast combina conectividade robusta, possibilidade de expandir o uso da nuvem conforme a necessidade e automação guiada por IA. Ao adotar esse ecossistema, as empresas de mídia podem reduzir o capital empenhado na manutenção de equipamentos e focar na criação de conteúdo e em novas oportunidades de negócios.

*Especial para o Próximo Nível



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