Ilustração de conectividade com nuvem e edge: um grande ícone de nuvem com circuitos e dados sobreposto a uma infraestrutura urbana com servidores, cabos e um celular ao primeiro plano ao pôr do sol Imagem gerada digitalmente

Da nuvem ao edge: a infraestrutura invisível que transforma a mídia

4 minutos de leitura

Cloud, edge computing, automação e redes inteligentes estão entre os destaques do SET Expo 2026



Por Redação em 10/08/2026

A infraestrutura da radiodifusão, durante muito tempo, foi um tema restrito aos departamentos de engenharia. Servidores, redes, armazenamento e conectividade permaneciam nos bastidores enquanto o foco da indústria estava na produção de conteúdo.

Mas a expansão da inteligência artificial, do streaming, da TV 3.0, da publicidade endereçável e da distribuição multiplataforma transformou a infraestrutura em um ativo estratégico.

Hoje, a competitividade das empresas de mídia depende da capacidade de processar dados em tempo real, automatizar operações e distribuir conteúdo com baixa latência, uma combinação que aproxima cloud computing e edge computing em uma arquitetura cada vez mais híbrida.

Essa transformação é um dos destaques da programação do SET Expo 2026, que escolheu infraestrutura e conectividade como um dos principais eixos do Congresso, ao lado de inteligência artificial, streaming e segurança da informação. Segundo a organização, o setor caminha para um ecossistema em que broadcast e broadband atuam de forma complementar, sustentados por cloud, IP, 5G e inteligência artificial.

A infraestrutura não é mais invisível

Durante anos, a infraestrutura permaneceu invisível para o público e até para boa parte das estratégias das emissoras. Hoje, ela se tornou um dos principais fatores de competitividade do setor. 

O crescimento exponencial do consumo de vídeo em diferentes dispositivos exige muito mais do que capacidade de armazenamento. Atualmente, uma operação de mídia precisa responder rapidamente a mudanças na audiência, adaptar conteúdos para diferentes plataformas, processar grandes volumes de dados e manter disponibilidade praticamente contínua.

É nesse contexto que surge a combinação entre cloud e edge. Enquanto a nuvem oferece elasticidade para armazenamento, processamento e escalabilidade, o edge computing aproxima parte desse processamento do usuário final ou do ponto de captura do conteúdo.

Na prática, isso reduz latência, melhora transmissões ao vivo, acelera aplicações baseadas em inteligência artificial e torna mais eficiente a distribuição de conteúdo em escala.

Não por acaso, esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado audiovisual.

Segundo Paulo Henrique Castro, presidente da SET, a indústria está migrando para um ecossistema híbrido, no qual broadcasting e broadband deixam de competir para operar de forma integrada, explorando as vantagens de cada tecnologia.

O novo backbone da mídia

Visão urbana com antenas e torres de telecomunicações ao entardecer, com trilhas e pontos de conexão em destaque, simbolizando o novo backbone da mídia, nuvem e edge.
Imagem gerada digitalmente

Entre os destaques da programação oficial do Congresso está o painel “Da Conectividade à Infraestrutura Inteligente: o novo backbone do broadcast”. Conduzido por Fabio Acquati, diretor de Tecnologia da NGN Telecom, o debate mostrará como cloud computing, edge computing, automação e inteligência artificial estão redefinindo a infraestrutura das empresas de mídia e transformando tecnologia operacional em vantagem competitiva.

O tema reflete uma mudança importante. Se antes o backbone era apenas responsável por transportar sinais, hoje ele precisa também:

  • integrar ambientes cloud e on-premises;
  • suportar workflows totalmente IP;
  • conectar aplicações baseadas em IA;
  • automatizar processos;
  • garantir observabilidade em tempo real;
  • manter níveis elevados de segurança cibernética.

Outro painel diretamente relacionado ao tema mostra como essa infraestrutura evolui na prática. Em “Do MCR ao NOC Inteligente: observabilidade, telemetria e operação baseada em dados”, especialistas discutirão como centros de operação passam a utilizar monitoramento em tempo real, análise preditiva e inteligência operacional para aumentar disponibilidade, eficiência e confiabilidade dos serviços.

O tradicional modelo reativo (identificar uma falha depois que ela acontece) está sendo substituído por operações preditivas, capazes de antecipar problemas antes que afetem a transmissão ou a experiência do usuário.

5G Broadcast amplia as possibilidades

Imagem com a Terra vista do espaço, redes digitais e pontos luminosos conectando cidades, com linhas que simbolizam 5G Broadcast e comunicação entre nuvem e edge.
Foto: CineVI / Shutterstock / Modificada com IA

A evolução da infraestrutura também passa pelas redes. Outro destaque da programação é o painel “5G, 5G Broadcast e 6G: o novo ciclo das redes para mídia e entretenimento”, moderado por Francisco Martins Portelinha Júnior, gerente executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Inatel Competence Center. O debate analisará como as novas gerações de redes ampliam as possibilidades de produção ao vivo, cobertura jornalística, grandes eventos e distribuição de conteúdo para múltiplos dispositivos. Na prática, essas tecnologias fortalecem arquiteturas baseadas em edge computing, permitindo processamento distribuído e maior eficiência em aplicações sensíveis à latência.

A transformação da infraestrutura também está mudando o perfil dos profissionais do setor.

O Congresso promoverá o painel “O novo perfil profissional da engenharia de broadcast na era da IA”, moderado por Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo.

O debate parte da constatação de que o engenheiro de broadcast deve atuar em um ambiente onde software, APIs, cloud, redes IP, segurança cibernética e análise de dados tornam-se competências tão importantes quanto o conhecimento tradicional em transmissão. Essa convergência amplia a demanda por profissionais capazes de integrar diferentes tecnologias em arquiteturas cada vez mais distribuídas.

Infraestrutura orientada por dados

Outro aspecto recorrente na programação do SET Expo é o uso estratégico dos dados. Além das discussões sobre operação inteligente, o Congresso promoverá o painel “Tenho os dados e agora o que faço?” para discutir como transformar dados em inteligência para personalização de conteúdo, eficiência operacional e novos modelos de negócio. O tema reforça uma tendência observada em toda a indústria: infraestrutura, analytics e inteligência artificial deixam de ser disciplinas separadas para formar uma única camada tecnológica capaz de sustentar novas experiências de consumo.

A infraestrutura da mídia tornou-se praticamente invisível para o público, mas nunca foi tão decisiva para o negócio. É ela que permite transmissões mais resilientes, aplicações de inteligência artificial em tempo real, experiências personalizadas, publicidade segmentada e operações altamente automatizadas. Para aprofundar o tema, a programação do SET Expo 2026 reúne debates sobre arquitetura tecnológica, infraestrutura, radiodifusão, inteligência artificial, cloud, redes, dados, entre outros, refletindo a transformação tecnológica que redefine a indústria de mídia. 



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