A segurança cibernética, que já foi tratada como uma camada adicional da infraestrutura tecnológica, hoje é um dos pilares da continuidade operacional das empresas de mídia. A transformação digital acelerou a migração de fluxos de trabalho para a nuvem, ampliou o uso de inteligência artificial, consolidou arquiteturas baseadas em IP e conectou emissoras, plataformas de streaming e dispositivos em um mesmo ecossistema. O resultado é uma superfície de ataque significativamente maior, além da necessidade de incorporar segurança desde a concepção das operações.
Essa realidade explica por que a segurança da informação figura entre os macrotemas do SET Expo 2026, ao lado de infraestrutura e conectividade, inteligência artificial e streaming. Para a organização do evento, a nova geração da mídia depende de um ecossistema híbrido que integra broadcast, broadband, cloud, 5G, inteligência artificial e novas plataformas de distribuição, tornando a proteção dos ambientes digitais um requisito para inovação e continuidade do negócio.
Quanto mais conectada a mídia, maior o desafio

A convergência entre radiodifusão e internet trouxe ganhos importantes em flexibilidade, escalabilidade e eficiência operacional. Ao mesmo tempo, aproximou o setor dos desafios enfrentados por outras indústrias altamente digitalizadas.
Hoje, um ataque cibernético pode comprometer transmissões ao vivo, interromper operações de produção, afetar sistemas de automação, expor dados estratégicos ou impactar a distribuição de conteúdo em múltiplas plataformas.
Por isso, proteger apenas servidores ou data centers já não é suficiente. A segurança passa a envolver toda a arquitetura tecnológica, incluindo redes IP, ambientes cloud, APIs, aplicações de inteligência artificial, dispositivos conectados e centros de operação.
Um dos painéis que ajuda a compreender essa nova realidade é “Da Conectividade à Infraestrutura Inteligente: o novo backbone do broadcast”, conduzido por Fabio Acquati, diretor de Tecnologia da NGN Telecom. A proposta é mostrar como cloud computing, edge computing, automação e inteligência artificial estão redefinindo a infraestrutura das empresas de mídia. Em um ambiente cada vez mais distribuído, a segurança faz parte da própria arquitetura tecnológica.
Programação sobre segurança cibernética no SET Expo
Outro destaque da programação relaciona diretamente operação e cibersegurança. O painel “Do MCR ao NOC Inteligente: observabilidade, telemetria e operação baseada em dados” apresenta a evolução dos centros de operação para modelos baseados em monitoramento contínuo, análise preditiva e inteligência operacional. Embora o foco seja a eficiência e a disponibilidade, os mesmos mecanismos utilizados para identificar falhas operacionais também podem fortalecer a capacidade de detectar comportamentos anômalos, responder rapidamente a incidentes e aumentar a resiliência das operações de mídia.
Já no painel “O novo perfil profissional da engenharia de broadcast na era da IA”, moderado por Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo, especialistas discutirão como conhecimentos em software, APIs, cloud, redes IP, análise de dados e segurança cibernética passam a integrar o perfil da engenharia de mídia.
A inclusão explícita da segurança entre essas competências reforça a importância da proteção das operações digitais para os profissionais que projetam, integram e operam ambientes de produção e distribuição de conteúdo.
A inteligência artificial é outro fator que reforça a importância da segurança. Entre os painéis anunciados pelo Congresso estão debates sobre escalabilidade da IA, aplicações práticas em workflows de emissoras e produção virtual. À medida que modelos de IA passam a acessar bases de dados, automatizar processos e apoiar decisões operacionais, cresce também a necessidade de estabelecer políticas de governança, controle de acesso e proteção das informações utilizadas por esses sistemas.
A própria SET destaca que a indústria atravessa uma transformação tecnológica impulsionada pela convergência entre televisão, internet e plataformas digitais, movimento que coloca a experiência do usuário no centro da inovação. Nesse contexto, disponibilidade, confiabilidade e proteção da infraestrutura tornam-se fatores essenciais para garantir essa experiência.
Mais do que evitar ataques, a segurança cibernética contribui para a continuidade operacional, preserva a confiança do público e viabiliza novos modelos de distribuição e monetização.
O que esperar do debate no SET Expo 2026
Ao inserir a pauta de segurança cibernética entre os macrotemas, associando-a diretamente a debates sobre conectividade, inteligência artificial, nuvem e infraestrutura inteligente, o SET Expo 2026 reflete uma evolução significativa nas prioridades do mercado.
A nova indústria está baseada em dados, automação e operações distribuídas. Por isso, a proteção dos ativos digitais torna-se indispensável para a inovação, a competitividade e a sustentabilidade do negócio.
