Dados do InfoJobs, com base em informações de 2025, mostram que o domínio de ferramentas e aplicações de IA gera incrementos de renda tanto em cargos altamente especializados quanto em posições analíticas e operacionais.
As faixas mais elevadas de remuneração aparecem nos cargos de especialista, associados a áreas como ciência de dados, engenharia de dados, automação e inteligência artificial aplicada, com médias salariais próximas de R$ 10 mil. São posições diretamente ligadas ao desenho, à implementação e à governança de soluções de IA, em um contexto de escassez de profissionais qualificados e alta competição por talentos.
Em um patamar intermediário, profissionais que atuam na interface entre tecnologia e estratégia, especialmente em cargos de analista, registram salários médios em torno de R$ 5.100. Já um grupo específico, com ganhos médios na faixa de R$ 5.800, reúne profissionais capazes de alinhar o uso da inteligência artificial a objetivos claros e mensuráveis do negócio.
Segundo a CHRO da Redarbor Brasil (grupo detentor do InfoJobs), Patricia Suzuki, essa valorização está diretamente ligada à capacidade de transformar tecnologia em resultados concretos. “A valorização salarial está diretamente ligada à escassez de profissionais já preparados e à capacidade de transformar dados e tecnologia em decisões estratégicas para o negócio”, afirma.
Na base da estrutura organizacional, o impacto da IA também é visível. Funções de nível operacional que já incorporam ferramentas baseadas em inteligência artificial no dia a dia apresentam média salarial em torno de R$ 3.800.
Caça de competências e ganhos para usuários avançados
Em algumas áreas, tecnologias e funções que surgem ou se renovam em meses exigem profissionais que levam anos para se qualificar para elas. Evidentemente, os especialistas que conseguem antecipar e acelerar esse ciclo são altamente valorizados, principalmente em momentos de demanda explosiva.
A vantagem relativa para os funcionários de nível operacional, contudo, tem mais a ver com um retorno direto dos ganhos de produtividade obtidos por esses profissionais. O incremento, entre 15% e 25% da média geral de salários, é bem consistente com o que se pode medir na entrega com o uso criativo e pragmático das novas ferramentas.
A executiva da Redarbor Brasil, destaca que os dados reforçam que a inteligência artificial não cria oportunidades apenas para cargos sêniores. “O mercado passa a valorizar cada vez mais profissionais que unem conhecimento técnico, visão de negócio e capacidade analítica”, diz.
IA como ferramenta para candidatos

Do lado dos candidatos, o uso de inteligência artificial também ganhou espaço como apoio à busca por emprego. Matérias recentes do portal TechTudo reuniram ferramentas que vão desde a criação automatizada de currículos até a simulação de entrevistas, com soluções voltadas à organização do conteúdo, otimização para sistemas de triagem (ATS) e treinamento de respostas.
Entre os recursos destacados estão plataformas que integram dados do LinkedIn para agilizar a montagem do currículo, ferramentas focadas em palavras-chave exigidas por sistemas automatizados de recrutamento, além de aplicativos que analisam tom de voz, ritmo de fala e até linguagem corporal em entrevistas simuladas. O objetivo comum é aumentar a eficiência do candidato na preparação para processos seletivos cada vez mais digitalizados.
O próprio TechTudo, no entanto, faz uma advertência clara sobre o uso indiscriminado dessas tecnologias. “O uso de IA também exige atenção. Um dos principais riscos é o currículo ficar genérico demais, com frases padronizadas que não refletem a trajetória real do candidato. Sem revisão humana, diferentes currículos acabam soando iguais, o que pode prejudicar a avaliação do recrutador.”
A recomendação recorrente é que a IA funcione como apoio e não como substituta da curadoria humana, especialmente em um contexto em que autenticidade e coerência do histórico profissional seguem sendo critérios relevantes.
Quando a IA vira problema no recrutamento
Enquanto a inteligência artificial tem ajudado áreas de recursos humanos a acelerar etapas de seleção, também se tornou uma nova fonte de risco. Uma matéria do AIoT Brasil chama atenção para o uso de deepfakes em processos seletivos, transformando a tecnologia em uma dor de cabeça para as empresas.
A manipulação de imagens, vozes e históricos profissionais amplia os desafios de verificação e reforça a necessidade de checagens mais robustas. O contraste evidencia que, ao mesmo tempo em que impulsiona salários, produtividade e eficiência, a IA exige novos cuidados na gestão de pessoas e na segurança dos processos digitais.
