Técnicos de manutenção industrial usando sensores IoT em uma usina ao entardecer. Imagem gerada digitalmente

IoT e sensores impulsionam modelos preditivos de manutenção industrial

2 minutos de leitura

Ferramentas permitem antecipar falhas, diminuir custos e aumentar eficiência operacional, enquanto conectividade via satélite amplia o alcance da tecnologia



Por Redação em 06/05/2026

O modelo de manutenção industrial reativo, ou seja, baseado em correções de falhas após ocorrerem, já não parece fazer sentido para empresas que visam eficiência operacional e financeira. Impulsionada pelo avanço da Internet das Coisas (IoT) e pela popularização de sensores conectados, a abordagem preditiva, orientada por dados em tempo real, ganhou força em organizações que pretendem se manter competitivas nos próximos anos. Isso porque o movimento impacta diretamente a produtividade, os custos e a previsibilidade das operações industriais.

Estimativas da Fortune Business Insights, levantadas pelo Valor Econômico, apontam para uma crescente digitalização das fábricas, com o mercado global de IoT aplicada à manufatura saltando de cerca de US$ 141 bilhões em 2025 para mais de US$ 670 bilhões até 2032. No âmbito nacional, a expectativa é que o valor de R$ 7 bilhões registrado em 2025 chegue a quase o triplo dessa quantia até 2034.

Na prática, a mudança pode ser exemplificada por meio de sensores instalados em máquinas e equipamentos, capazes de monitorar variáveis como vibração, temperatura e desempenho. Esses dados são enviados continuamente a plataformas digitais que analisam padrões e identificam anomalias antes que elas evoluam para falhas críticas.

Da reação à antecipação

Uma das principais rupturas provocadas pela integração da IoT no planejamento estratégico reside na forma como as indústrias lidam com o tempo. Antes, as intervenções ocorriam majoritariamente após a quebra de equipamentos e a operação era frequentemente afetada por paradas não programadas, além dos prejuízos financeiros e atrasos logísticos. Agora, com maior inserção da ferramenta tecnológica, a manutenção passa a ser planejada com base em dados.

O cofundador da Melvin, Eymard Barroso, explica que “quando um sensor identifica uma vibração fora do padrão ou uma elevação anormal de temperatura, a equipe consegue agir antes que o problema se torne crítico”. Assim, reduz-se o tempo de inatividade, aumenta-se a previsibilidade e evita-se efeitos em cadeia na logística e no abastecimento de insumos.

Nesse cenário, marcado pelo envio de dados que são convertidos em informações úteis sobre o chão de fábrica, a gestão é beneficiada. Gestores conseguem identificar gargalos produtivos, priorizar investimentos e planejar intervenções com maior assertividade.

Somado a isso, a queda no custo dos sensores e a facilidade de integração com sistemas existentes garantem a democratização da tecnologia e têm permitido que empresas de médio porte também incorporem soluções de IoT em suas operações.

Superando o desafio de conectividade

Equipamento industrial com sensor IoT instalado, enquanto uma pessoa usando luva de proteção analisa dados de manutenção preditiva em um tablet, em ambiente de fábrica com iluminação vermelha ao fundo.
Imagem gerada digitalmente

Apesar dos avanços, a infraestrutura de conectividade ainda representa um obstáculo, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros industriais. É nesse contexto que a IoT via satélite se destaca.

Ao permitir a transmissão de dados em locais com cobertura limitada de redes tradicionais, a conectividade via satélite amplia o alcance das soluções de monitoramento. Essa capacidade é particularmente relevante em países de grande extensão territorial, como o Brasil, onde ativos industriais e energéticos estão frequentemente distribuídos em áreas remotas.

No setor elétrico, por exemplo, sensores conectados via satélite já monitoram transformadores, torres de transmissão e subestações localizadas em regiões mais afastadas. Esses dispositivos acompanham variáveis e identificam falhas potenciais antes que causem interrupções, aumentando a confiabilidade do sistema.

A aplicação da IoT também se estende à gestão energética, já que sensores podem monitorar o desempenho de painéis solares, inversores e sistemas de armazenamento para assegurar o funcionamento adequado e identificar eventuais perdas de eficiência. Esse movimento acompanha o cenário de expansão das fontes renováveis, que tendem a ser geograficamente distribuídas. 



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