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Mulher vestida com colete de segurança verificando inventário usando tablet em armazém, simbolizando logística inteligente Imagem gerada digitalmente

Logística inteligente: como a tecnologia revolucionou as supply chains

3 minutos de leitura

De robôs colaborativos a drones de entrega, soluções digitais transformam o caminho das mercadorias do armazém até o consumidor final



Por Redação em 23/09/2025

Faz cerca de duas décadas que a revolução digital atingiu mais profundamente as fábricas e distribuidoras. Soluções de automação, inteligência artificial (IA) e conectividade permitiram a ascensão de mecanismos de logística inteligente – mais dinâmicos, resilientes e sustentáveis que os moldes tradicionais.

Entender como cada etapa foi aprimorada é a melhor forma de compreender como os produtos têm chegado cada vez mais rápido ao consumidor final. Isso também explica por que os processos se tornaram mais confiáveis, permitindo preços mais competitivos e um controle aprimorado sobre todas as etapas produtivas.

IA no coração dos armazéns

Nos hubs de distribuição modernos, sistemas de visão computacional e robôs colaborativos (cobots) já fazem parte da rotina diária. Para isso, algoritmos de aprendizado de máquina (machine learning) são utilizados para analisar volumes de pedidos em tempo real, ajustando a alocação de recursos e priorizando itens de alta rotatividade. 

Como resultado, o tempo de preparação de pedidos é reduzido, assim como os erros humanos também são mitigados. Caso as tecnologias empregadas nos galpões detectem alguma atividade incomum, elas podem reportá-las diretamente aos supervisores, garantindo que cada colaborador receba um feedback personalizado de acordo com os pontos centrais que precisam ser melhorados. 

A Flexilog é uma empresa europeia que se tornou famosa por seu sistema de IA capaz de prever picos de demanda com base em dados históricos, tendências de mercado ou mesmo condições climáticas. 

Funciona da seguinte forma: quando o algoritmo detecta um aumento esperado de 15% nas vendas de produtos sazonais, ele configura automaticamente as linhas de picking, redistribui os trabalhadores e aciona robôs para facilitar o cumprimento das demandas.

IoT: rastreamento em tempo real

Ilustração de tecnologia IoT com dispositivos conectados, incluindo painel solar, turbina eólica, robô e nuvem de armazenamento
Foto: ZinetroN/ Shutterstock

A Internet das Coisas (IoT) está cada vez mais presente nas cadeias de suprimentos (supply chains). Sensores de temperatura, vibração e localização em tempo real enviam informações às plataformas de gerenciamento de transporte (TMS) via redes 5G ou LPWAN, o que permite monitorar a integridade dos pacotes ao longo de todo o processo logístico.

O recurso se mostra ainda mais relevante quando o assunto é transportar produtos frágeis, que requerem cuidados especiais ao longo do trajeto. Esse controle, segundo informações da Orbcomm, ajuda a reduzir perdas por extravio em até 40%, na maioria dos casos.

Veículos autônomos percorrem as estradas e os céus

A promessa de veículos autônomos (AVs) já ultrapassou a etapa de protótipos e, no caso de empresas mais robustas, eles já fazem parte do cotidiano. Nos últimos dois anos, frotas de caminhões de nível 4 foram lançadas, capazes de operar sem intervenção humana e em vias de alta velocidade.

No Brasil, a Translog, transportadora especializada em produtos farmacêuticos, testou um comboio autônomo de semi-rebocadores elétricos equipados com sensores LIDAR e câmeras de alta resolução. Com isso, o consumo de combustível foi reduzido em 18% e os incidentes de colisão foram praticamente extintos.

Além das estradas, drones de entrega urbana ganham espaço em áreas densamente povoadas. Em cidades como Barcelona e Cingapura, empresas de e‑commerce utilizam drones de médio alcance para transportar encomendas leves em menos de 20 minutos, contornando congestionamentos e diminuindo a pegada de carbono associada ao transporte terrestre.

Sustentabilidade é diferencial da logística inteligente

Vale destacar que a pressão por práticas mais verdes não vem apenas dos órgãos governamentais, mas também das próprias empresas e consumidores. O valor agregado se torna maior quando o impacto ao meio ambiente é drasticamente reduzido.

Soluções inteligentes permitem que empresas reduzam emissões de CO₂, otimizem o uso de energia e adotem modelos circulares.

Algoritmos de roteirização avançada calculam trajetos que minimizam quilometragem percorrida, aproveitando cargas consolidadas e evitando viagens vazias. Quando combinados com veículos elétricos ou híbridos, esses roteiros podem cortar as emissões de gases de efeito estufa em até 25 %, segundo pesquisa da Element Fleet Management.

Além do mais, plataformas de IA analisam padrões de devolução e sugerem estratégias sob medida de reutilização ou mesmo reciclagem de embalagens. Com isso, o ciclo de fechamento dos produtos é otimizado.

Principais desafios e perspectivas futuras

Sustentabilidade e logística inteligente estarão entre os temas em debate na 30ª edição da Futurecom, que acontece de 30 de setembro a 2 de outubro. O evento vai destacar os principais desafios do setor. Um dos principais é a transição de sistemas legados para outros mais modernos, um processo que muitas vezes pode acarretar custos iniciais elevados.

Outro ponto crítico é a escassez de profissionais qualificados em áreas técnicas especializadas, sobretudo em países em desenvolvimento. No entanto, com planejamento adequado e investimento em capacitação, esses obstáculos poderão ser superados nos próximos anos, favorecendo a adoção mais ampla das novas tecnologias.



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