Febraban Tech 2026 Febraban Tech 2026
Infraestrutura bancária em destaque: mãos segurando um celular com ícones e circuito digital de moeda e símbolos de segurança, conectados por rede de dados em fundo escuro Foto: Gumbariya / Shutterstock / Modificada com IA

Infraestrutura bancária se prepara para a era da IA e dos serviços em tempo real

4 minutos de leitura

Expansão da inteligência artificial, cloud, data centers, redes e resiliência ganham peso estratégico diante do crescimento do processamento e do volume de dados



Por Redação em 20/08/2026

A próxima etapa da transformação digital dos bancos depende de uma estrutura capaz de sustentar mais processamento, armazenamento, conectividade e disponibilidade. Com a expansão da inteligência artificial, dos agentes autônomos, do Open Finance e dos serviços em tempo real, a infraestrutura tecnológica é parte central da estratégia das instituições financeiras.

O tema estará entre os debates do Febraban Tech 2026, que acontece de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Entre as trilhas oficiais da 36ª edição está “Inovação resiliente: cloud, data centers e a nova engenharia do setor”, que coloca a infraestrutura no centro da discussão sobre a próxima fase da tecnologia bancária.

A questão é direta: como ampliar a capacidade tecnológica dos bancos sem comprometer segurança, disponibilidade e eficiência?

A expansão dos serviços digitais também aumenta a demanda por infraestrutura. A dimensão desse crescimento aparece nos números da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026. O orçamento dos bancos brasileiros para tecnologia ultrapassou R$ 50 bilhões. O setor movimenta mais de 240 bilhões de transações por ano pelo mobile banking, enquanto 98% das funcionalidades bancárias já estão disponíveis nos canais digitais.

A pesquisa também mostra que a inteligência artificial já começou a gerar resultados operacionais. Os bancos registram ganhos de eficiência superiores a 10% no atendimento ao cliente e acima de 11% em processos internos, como backoffice e desenvolvimento. Cerca de 20% das instituições já operam IA em larga escala na experiência do cliente, enquanto mais de 50% ampliam essas aplicações.

Esse crescimento aumenta a pressão sobre a infraestrutura. Modelos de IA exigem capacidade computacional, enquanto aplicações em tempo real dependem de processamento e acesso a dados com baixa latência.

Cloud não é mais uma escolha tecnológica

A computação em nuvem aparece entre os pilares estruturais destacados pela própria Febraban na pesquisa de 2026, ao lado de cibersegurança e Open Finance. Segundo a entidade, cloud computing permite ampliar escala, agilidade e acesso a novas tecnologias.

A discussão sobre nuvem também envolve arquitetura. A questão para os bancos não é apenas migrar sistemas, mas definir quais aplicações devem operar em ambientes de nuvem, como esses ambientes serão integrados e quais requisitos precisam ser mantidos para garantir disponibilidade e segurança.

O Banco Central do Brasil também trata a infraestrutura como parte da capacidade de sustentação do Sistema Financeiro Nacional. Em seu Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação 2026-2029, o BC estabelece como objetivo prover infraestrutura e plataformas para serviços de TI, incluindo capacidade adequada de processamento, armazenamento e comunicação e o uso padronizado e automatizado de nuvem pública.

Data centers entram na estratégia

Corredor de data centers com fileiras de racks de servidores escuros, luzes no teto e painéis com LEDs vermelhos
Foto: Sashkin / Shutterstock / Modificada com IA

A expansão da IA recoloca os data centers no centro da discussão tecnológica. O tema aparece diretamente na programação internacional do Febraban Tech. No dia 25 de agosto, das 10h às 11h, a engenheira e especialista em redes Radia Perlman falará sobre os desafios da infraestrutura digital diante da expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, dos data centers e do crescimento do tráfego de dados. A discussão inclui conectividade, resiliência e segurança das redes.

A escolha do tema acompanha uma mudança na natureza da infraestrutura bancária. A estrutura precisa suportar grandes volumes de transações, além de aplicações que processam dados continuamente e serviços que dependem de disponibilidade permanente.

No sistema financeiro, aumentar capacidade não significa apenas instalar mais recursos computacionais. A infraestrutura precisa continuar funcionando diante de falhas, ataques e oscilações de demanda.

A regulamentação do Banco Central estabelece requisitos para políticas de segurança cibernética e para a contratação de serviços de processamento, armazenamento de dados e computação em nuvem pelas instituições financeiras. A Resolução CMN nº 4.893 também estabelece responsabilidades relacionadas à segurança e à continuidade dos serviços contratados.

O próprio planejamento tecnológico do Banco Central para 2026-2029 estabelece como meta manter disponibilidade média de pelo menos 99,8% para serviços críticos de tecnologia. O documento também prevê a ampliação do uso de nuvem pública em conformidade com uma arquitetura de referência.

Para os bancos, a equação envolve capacidade e resiliência: processar mais dados e executar mais aplicações sem reduzir a disponibilidade dos serviços.

A infraestrutura para a era dos agentes

A discussão ganha outra dimensão quando relacionada aos agentes de inteligência artificial.

Um agente que apenas responde a uma pergunta exige uma estrutura diferente daquela necessária para um sistema que consulta bases de dados, utiliza diferentes ferramentas, toma decisões dentro de parâmetros e executa operações.

Por isso, a infraestrutura tende a deixar de ser uma camada invisível da tecnologia bancária. Ela passa a determinar quais aplicações podem operar em escala, qual velocidade de resposta pode ser oferecida e quais níveis de autonomia podem ser concedidos aos sistemas.

Essa conexão também está na programação do Febraban Tech 2026. Ao lado da trilha sobre cloud, data centers e nova engenharia do setor, o evento terá discussões sobre agentes de IA em rede, engenharia do futuro, real-time intelligent banking, cibersegurança e Open Finance.

Quem decide o próximo investimento?

A discussão sobre infraestrutura também chegará aos executivos responsáveis pelas decisões de tecnologia dos maiores bancos brasileiros. No dia 25 de agosto, das 11h20 às 12h30, o painel “O mindset da próxima onda da tecnologia bancária. Quem decide?” reunirá CIOs e CTOs de Bradesco, Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Santander e BTG Pactual para discutir prioridades de investimento, modernização de plataformas e preparação das operações para um ambiente orientado por IA, dados e automação.

Entre os temas previstos estão a modernização de sistemas legados, novas arquiteturas tecnológicas, computação pós-quântica, gestão de dados e o equilíbrio entre velocidade de inovação e segurança operacional.

O debate ajuda a colocar a infraestrutura em perspectiva. A próxima geração de serviços bancários exigirá uma arquitetura capaz de conectar cloud, data centers, redes, dados, segurança e sistemas legados. É essa infraestrutura que determinará até onde os bancos poderão levar a automação e os serviços em tempo real.



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