A próxima etapa da transformação digital dos bancos depende de uma estrutura capaz de sustentar mais processamento, armazenamento, conectividade e disponibilidade. Com a expansão da inteligência artificial, dos agentes autônomos, do Open Finance e dos serviços em tempo real, a infraestrutura tecnológica é parte central da estratégia das instituições financeiras.
O tema estará entre os debates do Febraban Tech 2026, que acontece de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Entre as trilhas oficiais da 36ª edição está “Inovação resiliente: cloud, data centers e a nova engenharia do setor”, que coloca a infraestrutura no centro da discussão sobre a próxima fase da tecnologia bancária.
A questão é direta: como ampliar a capacidade tecnológica dos bancos sem comprometer segurança, disponibilidade e eficiência?
A expansão dos serviços digitais também aumenta a demanda por infraestrutura. A dimensão desse crescimento aparece nos números da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026. O orçamento dos bancos brasileiros para tecnologia ultrapassou R$ 50 bilhões. O setor movimenta mais de 240 bilhões de transações por ano pelo mobile banking, enquanto 98% das funcionalidades bancárias já estão disponíveis nos canais digitais.
A pesquisa também mostra que a inteligência artificial já começou a gerar resultados operacionais. Os bancos registram ganhos de eficiência superiores a 10% no atendimento ao cliente e acima de 11% em processos internos, como backoffice e desenvolvimento. Cerca de 20% das instituições já operam IA em larga escala na experiência do cliente, enquanto mais de 50% ampliam essas aplicações.
Esse crescimento aumenta a pressão sobre a infraestrutura. Modelos de IA exigem capacidade computacional, enquanto aplicações em tempo real dependem de processamento e acesso a dados com baixa latência.
Cloud não é mais uma escolha tecnológica
A computação em nuvem aparece entre os pilares estruturais destacados pela própria Febraban na pesquisa de 2026, ao lado de cibersegurança e Open Finance. Segundo a entidade, cloud computing permite ampliar escala, agilidade e acesso a novas tecnologias.
A discussão sobre nuvem também envolve arquitetura. A questão para os bancos não é apenas migrar sistemas, mas definir quais aplicações devem operar em ambientes de nuvem, como esses ambientes serão integrados e quais requisitos precisam ser mantidos para garantir disponibilidade e segurança.
O Banco Central do Brasil também trata a infraestrutura como parte da capacidade de sustentação do Sistema Financeiro Nacional. Em seu Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação 2026-2029, o BC estabelece como objetivo prover infraestrutura e plataformas para serviços de TI, incluindo capacidade adequada de processamento, armazenamento e comunicação e o uso padronizado e automatizado de nuvem pública.
Data centers entram na estratégia

A expansão da IA recoloca os data centers no centro da discussão tecnológica. O tema aparece diretamente na programação internacional do Febraban Tech. No dia 25 de agosto, das 10h às 11h, a engenheira e especialista em redes Radia Perlman falará sobre os desafios da infraestrutura digital diante da expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, dos data centers e do crescimento do tráfego de dados. A discussão inclui conectividade, resiliência e segurança das redes.
A escolha do tema acompanha uma mudança na natureza da infraestrutura bancária. A estrutura precisa suportar grandes volumes de transações, além de aplicações que processam dados continuamente e serviços que dependem de disponibilidade permanente.
No sistema financeiro, aumentar capacidade não significa apenas instalar mais recursos computacionais. A infraestrutura precisa continuar funcionando diante de falhas, ataques e oscilações de demanda.
A regulamentação do Banco Central estabelece requisitos para políticas de segurança cibernética e para a contratação de serviços de processamento, armazenamento de dados e computação em nuvem pelas instituições financeiras. A Resolução CMN nº 4.893 também estabelece responsabilidades relacionadas à segurança e à continuidade dos serviços contratados.
O próprio planejamento tecnológico do Banco Central para 2026-2029 estabelece como meta manter disponibilidade média de pelo menos 99,8% para serviços críticos de tecnologia. O documento também prevê a ampliação do uso de nuvem pública em conformidade com uma arquitetura de referência.
Para os bancos, a equação envolve capacidade e resiliência: processar mais dados e executar mais aplicações sem reduzir a disponibilidade dos serviços.
A infraestrutura para a era dos agentes
A discussão ganha outra dimensão quando relacionada aos agentes de inteligência artificial.
Um agente que apenas responde a uma pergunta exige uma estrutura diferente daquela necessária para um sistema que consulta bases de dados, utiliza diferentes ferramentas, toma decisões dentro de parâmetros e executa operações.
Por isso, a infraestrutura tende a deixar de ser uma camada invisível da tecnologia bancária. Ela passa a determinar quais aplicações podem operar em escala, qual velocidade de resposta pode ser oferecida e quais níveis de autonomia podem ser concedidos aos sistemas.
Essa conexão também está na programação do Febraban Tech 2026. Ao lado da trilha sobre cloud, data centers e nova engenharia do setor, o evento terá discussões sobre agentes de IA em rede, engenharia do futuro, real-time intelligent banking, cibersegurança e Open Finance.
Quem decide o próximo investimento?
A discussão sobre infraestrutura também chegará aos executivos responsáveis pelas decisões de tecnologia dos maiores bancos brasileiros. No dia 25 de agosto, das 11h20 às 12h30, o painel “O mindset da próxima onda da tecnologia bancária. Quem decide?” reunirá CIOs e CTOs de Bradesco, Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Santander e BTG Pactual para discutir prioridades de investimento, modernização de plataformas e preparação das operações para um ambiente orientado por IA, dados e automação.
Entre os temas previstos estão a modernização de sistemas legados, novas arquiteturas tecnológicas, computação pós-quântica, gestão de dados e o equilíbrio entre velocidade de inovação e segurança operacional.
O debate ajuda a colocar a infraestrutura em perspectiva. A próxima geração de serviços bancários exigirá uma arquitetura capaz de conectar cloud, data centers, redes, dados, segurança e sistemas legados. É essa infraestrutura que determinará até onde os bancos poderão levar a automação e os serviços em tempo real.
