redes privativas Foto: Linkedin – Diego Aguiar

Há tecnologia, mas faltam produtos para escala de redes privativas

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Grandes projetos customizados colocam Brasil na vanguarda, mas expansão depende da oferta de benefícios tangíveis para cada caso de negócio



Por Redação em 05/10/2023

Junto a novas tecnologias e aplicações que permitem saltos de produtividade e outros ganhos, funcionalidades do 5G, como qualidade de serviço e segregação, podem habilitar transformações radicais em setores como indústria, serviços essenciais e gestão urbana. A forma de levar essa convergência de tecnologias ao mercado foi o eixo do painel Redes Privativas: A grande virada de chave para a conectividade das empresas e de cidades mais conectadas e digitais, no Futurecom 2023.

“O Brasil é 8º mercado de redes privativas no mundo em número de anúncios. Há projetos emblemáticos em áreas como mineração e montadoras. Ainda estamos em uma fase de projetos especiais e muito customizados para grandes clientes. Será preciso criar produtos para gerar escala”, disse Ari Lopes, gerente sênior para Américas da Omdia, que mediou a sessão com outros seis especialistas do setor. Foram eles: Alexandre Gomes, diretor de marketing da Embratel; Diego Aguiar, diretor de operações da Telefônica; José Renato Gonçalves, presidente da NEC; Márcio Verone, head de vendas da Nokia; Virgílio Fiorese, diretor para redes privativas da Amdocs; e Werner Shaefer, vice-presidente do Centro de Excelência em Redes e Telecomunicações da Intel.

“Hoje, as consultorias acabaram com a abordagem tradicional de começar perguntando ‘onde está sua dor’. Os clientes sabem melhor do que nós o que querem em seus processos. O que buscam é entender as soluções”, disse Gomes, da Embratel. Ele acrescentou que, além da tecnologia, outro foco está nos habilitadores, como IA e IoT. “A indústria quer as inovações para reduzir perdas, evitar acidentes e viabilizar suas operações”, resumiu. O terceiro eixo é o ecossistema. “Porque ninguém oferece tudo sozinho”, justificou.

O mercado B2B quer ver os projetos de negócios. A conta tem de fechar e, talvez, ainda não tenhamos soluções de valor avassalador, segundo Gonçalves. Ele enfatizou que a visão de retorno de investimento não é necessariamente financeira. “Pode ser prevenir acidentes de trabalho”, exemplificou.

Para Aguiar, uma das razões da procura (por soluções de redes privativas) é para entender como as tecnologias se aplicam. “A segunda demanda é encontrar um caso de uso que traga alta eficiência operacional. Com isso se consegue funding”, disse.

“A indústria de telecom tem de aprofundar o entendimento do mercado B2B. A ponte entre a finalidade de negócio e a rede é diferente, conforme o setor e perfil de cliente”, destacou Verone, da Nokia.

Alianças e coopetição

Mais do que um projeto de conectividade, as redes privativas dependem de diversos fatores relacionados a datacenters, localização das instâncias em nuvem, aplicações e a própria rede de dispositivos que habilitam a transformação digital dos processos. Nesse contexto, as indústrias recorrem a vários tipos de provedores. “Fragmentação de parceiros é natural”, reconheceu Gomes. Ele observou que, além da capacidade de interagir com outros fornecedores, a interlocução dentro dos próprios clientes passou a ser mais ampla. “As conversas não são apenas com os profissionais de telecomunicações ou TI. Muitas vezes, é o diretor da fábrica”, mencionou.

“No passado pensávamos só em competição e hoje há parcerias até entre operadoras para gerar uma cadeia de valor”, disse Fiorese. “As redes dedicadas crescem por demanda dos clientes. As operadoras têm recursos, que precisam ser transformados em produto para chegar ao mercado com escala”, acrescentou.

Coleta e processamento de vídeo representam uma grande demanda para redes privativas, segundo Fiorese. Ele pontuou que, se o objetivo for verificar se os funcionários usam proteção e cumprem as normas de segurança, por exemplo, há um algoritmo muito peculiar. “A câmera 4K e a conexão 5G são as mesmas e precisam ser combinados em um produto”, exemplificou.



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