Futurecom
Visualização futurista de data spaces com elementos digitais e conexões de tecnologia avançada, destacando a importância do habilitamento da internet 5.0. Imagem gerada digitalmente

Data spaces podem habilitar a internet 5.0

4 minutos de leitura

Com o avanço da IoT, infraestruturas para compartilhamento de dados entre companhias podem ser apoiadas por IA e levar a economia baseada em dados a outro patamar



Por Rodrigo Conceição Santos em 03/10/2025

A ideia de espaços digitais controlados para troca de dados entre companhias avançou na Europa e começa a ser discutida no Brasil. Os data spaces, na visão da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), vão habilitar ambientes seguros e controlados para abastecer projetos de gêmeos digitais, inteligências artificiais, realidades aumentadas e outros tipos de tecnologias modernas que se baseiam em dados.

O assunto foi apresentado durante o Futurecom 2025 e tem como base uma evolução natural da internet, que deixou de trafegar apenas dados de pessoas e passou a trafegar dados de coisas – inclusive os geridos por empresas. “Entendemos a internet das coisas como uma evolução e não como uma inovação da internet. Agora, o momento é de interoperabilidade para o IoT, unindo grandes cadeias e ecossistemas de empresas, indústrias e cidades”, disse Flávio Maeda, vice-presidente da Abinc.

Em outras palavras, ele se refere a uma economia baseada em dados que pode ser impulsionada se houver maior compartilhamento dos dados coletados e armazenados por organizações diferentes.

O que é e para que serve um data space?

Data space ilustrado com servidores de armazenamento de dados, representando o ambiente de hospedagem de informações digitais para gerenciamento eficiente.
Imagem gerada digitalmente

Atualmente, segundo a Abinc, há uma estimativa europeia de que apenas 2% dos dados empresariais são, de alguma forma, compartilhados. Isso mostra que as empresas desconfiam umas das outras, mas também revela que o compartilhamento não foi algo “conversado” entre elas, gerando o resultado de que cada empresa, governo ou indústria trabalha individualmente para captar novas informações, quando poderia utilizar dados já armazenados.

Esse é o princípio do data space, que tem avançado na Europa, com uma estimativa de mais de 150 data spaces operando. Inclusive, houve um simpósio sobre o tema em março deste ano, realizado durante a Semana Polonesa de TIC, em Varsóvia, na Polônia. “A Abinc está trazendo o conceito de data space com base na experiência europeia, que inclui regulamentação para dados de IoT. Isto é diferente do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, da sigla em inglês), que inspirou a nossa LGPD e se refere a dados de pessoas”, explicou Maeda.

Segundo ele, a European Data Act – que é a regulação para uso de dados da Europa – está reagindo também sobre dados de máquinas, para proporcionar segurança jurídica e confiança ao maior compartilhamento de dados de IoT. “Essa nova infraestrutura proposta é para permitir segurança, escala e confiabilidade para acontecer essa transferência de dados entre empresas. Se estamos falando de uma economia de dados, estamos falando de troca, de fluidez entre organizações, e isso precisa ter esse novo mecanismo legal”, defendeu o especialista da Abinc.

Para explicar o data space de forma simples, ele resumiu que é uma nova infraestrutura a ser criada na internet para viabilizar a escalabilidade de troca de dados empresariais. Na parte de governança, deve existir uma autoridade (como a ANPD é para dados pessoais) para que todas as empresas sigam as mesmas regras. Além disso, essa economia baseada em informação estimula a monetização de dados, o que também amplia o compartilhamento entre corporações. “Data space não é data lake, porém. Novamente, ele é uma forma das empresas trocarem dados de modo peer to peer. Enfim, são ambientes controlados para fazer a interoperabilidade de dados acontecer”, disse. 

Assim, os data spaces são ambientes descentralizados, por natureza, e combinam governança em padrão internacional, inclusive com protocolo que prevê NDA, APIs e outros frameworks de governança.

IA e economia de dados nos data spaces

Os grandes modelos de linguagem de IA, popularizados com o ChatGPT no final de 2023, utilizam dados da internet. Para Maeda, o próximo passo da inteligência artificial generativa acontecerá com a utilização de dados mais robustos, e esses não estão públicos, mas sim dentro de corporações. “Falando do mundo físico, os dados de IoT de carros, drones e robôs industriais, por exemplo, vão precisar ser acessados pela IA no futuro próximo e isso precisa acontecer em um ambiente seguro, que são os data spaces”, explicou.

Esse tipo de aplicação está no contexto de uma nova economia, baseada em dados, que pressupõe comércio, geração, coleta, processamento e o uso soberano dos dados.

Carlos Nazareth, professor e diretor do Inatel, pontuou que a economia digital é complexa, ao ponto que dados são a solução dos tempos modernos, mas ao mesmo tempo são o problema, à medida que demandam energia e capacidade de processamento (leia matéria sobre a questão dos data centers no Brasil). “E, nesse aspecto, falamos muito de infraestrutura e pouco de gestão de dados. Precisamos avançar na ciência de dados e o data space pode colaborar bastante nisso”, disse. 

Como exemplo, ele comparou que às vezes temos no computador o mesmo arquivo armazenado em várias pastas diferentes, ocupando a memória RAM sem necessidade. Na cadeia produtiva, o problema é semelhante: “No agronegócio, por exemplo, há fornecedores de sementes, fertilizantes, pesticidas, equipamentos, e cada um deles tem a sua base de dados, sendo que muitas vezes o que eles estão levando em conta são os mesmos parâmetros. Ou seja, estão repetindo o mesmo esforço desnecessariamente. O data space propõe o uso dessas informações de maneira federada, para que os dados não só sejam melhor organizados, como também compartilhados de maneira distribuída e complementar”, exemplificou.

Para o professor Carlos Nazareth, essa perspectiva está alinhada a duas necessidades básicas para a economia de dados: infraestrutura e gestão. 

No primeiro caso, ele sugere que os data centers de todo o mundo tenham a possibilidade de cooperar. E, para isso, precisa-se tanto da infraestrutura de data centers quanto da de telecomunicações.

Já para a segunda necessidade, a gestão, a inteligência artificial vai se tornar fundamental na exploração de dados em volume para proporcionar a criação de plataformas que possam ser acessadas pelas diferentes cadeias produtivas. “E, nesse contexto, faltam profissionais de tecnologia, inclusive para criar os dispositivos IoT que captam os dados na ponta”, concluiu.



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