A convergência entre tecnologia global e contexto local ganhou um novo marco com o anúncio da parceria entre a Nvidia e a startup brasileira WideLabs. Conforme reportagem do Valor Econômico, as empresas lançaram o Nemotron Personas Brazil, um banco de 6 milhões de perfis sintéticos baseados em dados do IBGE. O Nemotron é uma plataforma da Nvidia voltada à criação de agentes de inteligência artificial com competências, personalidade e cultura adequadas a cada contexto.
A inteligência artificial tende a gerar mais valor quando utiliza modelos proprietários, treinados com dados reais da organização e dos usuários. Além de desenvolver agentes capazes de interagir com sotaques e nuances de grupos específicos, os perfis funcionam como métricas de relevância e acessibilidade para serviços públicos, permitindo um planejamento baseado em testes de aceitação em cada região ou segmento da população antes da implementação real.

“São 6 milhões de perfis diferentes que conseguem atender a 22 tipos de segmentação como faixa etária, região, escolaridade ou profissão”, disse ao Valor o CEO da WideLabs, Nelson Leoni. “É possível criar um agente de IA conversacional que conheça a população de um determinado Estado, entenda a realidade de cada local e ofereça um atendimento de qualidade ao público”, exemplificou.
Consolidação e expansão no mercado B2B
O lançamento é o desdobramento de um plano de negócios. Em junho de 2025, outra reportagem do Valor destacava a ambição da startup em dominar o segmento B2B e expandir sua atuação internacional com uma proposta de soberania tecnológica. Naquele momento, a empresa já consolidava a plataforma Amazônia IA 360, permitindo que organizações tivessem controle total sobre seus dados e customizassem IAs com personalidades específicas.
A estrutura da “família” de modelos também foi desenhada para atender demandas setoriais. O portfólio inclui o Guará, focado em transcrição de áudio com sotaques; o Harpia, voltado para análises médicas multimodais; e o Golia, otimizado para velocidade em tarefas cotidianas de tradução e resumo. Um caso de sucesso mencionado foi a parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde agentes como Vera, Tori e Aia apoiam desde o atendimento a populações vulneráveis até o arquivamento de inquéritos.
A WideLabs se define como uma “fábrica de IA”, focada em transformar datasets nacionais em soluções robustas. Segundo informações do Brazil Journal, a empresa ganhou projeção em julho de 2024 com o lançamento da Amazônia IA, um dos primeiros modelos de linguagem de grande escala (LLM) nativos em português brasileiro.
Nuvem local e IA soberana
Além de trabalhar com datasets e modelos proprietários, as soluções da WideLabs são feitas para rodar em “infraestrutura on premise ou em nuvem soberana”, como é destacado no site da empresa.
A premissa para os projetos é que os dados e as aplicações rodem em datacenters sob jurisdição no Brasil. Desde sua fundação, a WideLabs trabalha em parceria com a Oracle, principalmente em função da relativa autonomia de sua infraestrutura local. “A Amazônia IA nasceu na Oracle Cloud Infrastructure (OCI), e seus dados são processados dentro do país, garantindo não apenas mais rapidez, mas, principalmente, o cumprimento dos requisitos de soberania da IA no Brasil, com segurança e privacidade”, disse Nelson Leoni à reportagem do Valor em 2025.Na nova iniciativa junto à Nvidia, se estendeu a parceria com a provedora de infraestrutura. Além de garantir conformidade à LGPD, adequação às normas jurídicas de propriedade de dados (incluindo quebra de sigilo) e proteção a informações estratégicas de companhias e governo, contratos em moeda local também acrescentam sustentabilidade aos projetos.
