Febraban Tech 2025 Febraban Tech 2025
beyond banking Imagem gerada por Inteligência Artificial

Beyond banking: instituições abrem o “canivete suíço”

3 minutos de leitura

Com o avanço da inteligência artificial, os bancos passam a disputar espaço com organizações de outras finalidades, mostrando que têm mais a oferecer além dos serviços transacionais.



Por Rodrigo Conceição Santos em 11/06/2025

Durante o lançamento do iPhone 16, no ano passado, o Itaú vendeu mais aparelhos que a própria Apple. Em apenas 48 horas, por exemplo, o banco comercializou 3,5 mil unidades do smartphone, criando um movimento que tem sido comentado nos palcos do Febraban Tech 2025 como um clássico exemplo do beyond banking. A tradução é literal e quer dizer que os bancos querem ir além do que foram até o momento.

“Vivemos um momento de unificação”, definiu Cláudia Muchaluat, diretora de receitas corporativas da Logicalis no Brasil. Ela citou o caso das vendas de iPhone pelo Itaú, para justificar que os bancos agora concorrem com marketplaces, fabricantes e outros agentes setoriais, assim como esses outros passam a concorrer com os bancos através de movimentos de fintechização corporativa.

O fato, segundo Cláudia, é que os agentes de inteligência artificial mudaram o jogo. “Estamos em outro nível na capacidade de criar, de reavaliar processos e produtos”, disse. Para ela, a nuvem e a IA, combinadas com modelos de negócios de liderança, estão democratizando a hiperautomação de ofertas no setor financeiro, principalmente acerca da experiência do cliente e da produtividade.

Da esquerda para direita: Fábio Giron, Cláudia Muchaluat, Leandra Peres, David Favaro e Mathi Gopal (Foto: Rodrigo Conceição Santos)

Não sem motivo, instituições financeiras brasileiras e globais, como o JP Morgan, não param de anunciar investimentos em desenvolvimento. No JP, são 14 bilhões de dólares anualmente, segundo Fábio Giron, head de design digital do banco no Brasil. “Isso nos suporta na evolução de mais de 10 trilhões de transações por dia e habilita o banco a deixar de ser um parceiro de soluções, para se tornar um parceiro de estratégias”, pontuou.

Ao mercado corporativo, por exemplo, o executivo do JP Morgan lembrou que as negociações com vendas de prateleira já não funcionam mais. “Antes, sentavam o banco e o tesoureiro da empresa cliente para resolver determinada situação. Hoje não é assim. A área de tecnologia passou a ser parte imprescindível da decisão”, disse.

Para atender à demanda da hiperpersonalização, o JP Morgan, assim como outras instituições, tem disponibilizado plataformas para colaboração de desenvolvedores, a fim de promover melhor integração entre o banco e os sistemas de clientes.

“Isto é o que chamamos de life time value, no melhor sentido de que o banco agora atua ao longo de toda a jornada do cliente, funcionando como um verdadeiro ecossistema”, interveio Cláudia, da Logicalis Brasil.

A Sicredi é uma cooperativa financeira que conta com 9 milhões de associados atualmente. Em 2023, ela introduziu um chatbot IA e, no ano passado, realizou cerca de 9 milhões de atendimentos com a tecnologia.

Chamada de Teo (em homenagem ao patrono do cooperativismo no Brasil, o padre Theodor Amstad), a tecnologia elevou o nível de satisfação dos clientes ao patamar de 91%. Estrategicamente, a ideia é de que a solução continue evoluindo, mas sem perder o direcionamento de trabalhar como potencializador da atividade humana. “Hoje, usamos GenAI no backoffice para apoiar os colaboradores e os clientes, principalmente visando ações de hiperpersonalização”, disse Gustavo Fosse, CIO da instituição.

Beyond banking – além do banco

Foto: Rodrigo Conceição Santos

No caso do Sicredi, o movimento é — e deve continuar sendo — phygital. Ou seja, as ações de personalização devem ser multicanais, pois a instituição mantém um alto volume de atendimento em suas 2,9 mil agências físicas no país. “E com crescimento de 200 agências por ano”, pontuou Fosse.

Segundo ele, essa estratégia no movimento beyond banking também cumpre um papel socialmente importante, à medida que a Sicredi é a única instituição financeira privada presente em 200 dos municípios onde atua. “Nesses locais, não chegamos apenas como uma solução financeira, mas sim com a apresentação do modelo cooperativo”, disse, justificando a atuação “além de banco” da instituição.



Matérias relacionadas

Dois profissionais, parte do Chief Data Office, colaboram sobre documentos e um notebook em um ambiente de escritório lounge. Inovação

CDO amplia mandato com IA e assume coordenação da inteligência corporativa

Sobreposição de funções no C-level e avanço de modelos generativos direcionam Chief Data Officer à articulação de novos ecossistemas de inteligência empresarial

Inovação

Agentes de IA com jeito de brasileiros

Em parceria com a Nvidia, startup gaúcha lança 6 milhões de personas regionais e reforça a aposta em modelos proprietários no Brasil

Ícones de justiça, tecnologia e inovação em uma interface digital de um tablet Inovação

Brasil estreia no top 10 em ranking de modernização de governos da OCDE

País avança da 16ª para a 10ª posição entre 2023 e 2025 e passa a figurar entre os líderes em digitalização de serviços públicos

Mulher sorridente sentada em carro autônomo, destacando tecnologia de veículos autônomos e direção automatizada. Inovação

Direção autônoma pode ganhar espaço, mas esbarra em custo, demanda e regulação

Montadoras aceleram sistemas “eyes-off”, enquanto Uber aposta em robotáxis autônomos. No mercado brasileiro, a complexidade do trânsito e a regulação são entraves