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IA aliada Foto: Vinicius Cavalcante/ Claro empresas

Bancos investem em IA como aliada, inclusive com letramento digital de clientes

3 minutos de leitura

Setor financeiro aposta na IA para proteção e letramento digital, mas enfrenta novos riscos com fraudes e deepfakes



Por Nelson Valêncio em 17/06/2025

A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia de uso geral que reflete o uso humano, ou seja, pode ser empregada tanto para o “bem” quanto para o “mal”. Esse foi o resumo do painel IA: aliada ou ameaça, durante o Febraban Tech 2025.

Com mediação de Raquel Possamai, diretora-executiva de Finanças da Claro empresas, a discussão reuniu Daniel Santana, diretor de Cibersegurança do Itaú Unibanco; Rony Vainzof, sócio da VLK Advogados; e Átila Batista Bandeira, gerente executivo de Segurança da Informação e Segurança Cibernética do Banco do Brasil. Bandeira também é o encarregado setorial de proteção de dados pessoais (DPO) do banco estatal.

Da esquerda para a direita: Raquel Possamai, Daniel Santana, Rony Vainzof e Átila Batista Bandeira (Foto: Vinicius Cavalcante/ Claro empresas)

Os quatro executivos foram unânimes em apontar o potencial da tecnologia para interpretar decisões, responder a incidentes, conter alertas e extrair valor de grandes volumes de dados.

IA para o bem

Bandeira lembrou que mais de 50% das empresas locais já sofreram algum ataque ou tentativa de ataque baseados em IA. Como esse processo tende a se intensificar e há um gap de mão de obra especializada em cibersegurança – na ordem de 4 milhões de profissionais em nível mundial – ele acredita no uso da tecnologia também vá escalar os mecanismos de defesa.

Átila Batista Bandeira (Foto: Vinicius Cavalcante/ Claro empresas)

Na lista de alertas do executivo estão ainda a possibilidade de viés discriminatório nos modelos de IA e a importância do cuidado com a privacidade dos dados.

De acordo com Bandeira, uma tendência forte é o papel dos DPOs, antes de perfil mais jurídico, se aproximarem das áreas de cibersegurança. Ele lembrou que essa movimentação já atingiria em média 40% das organizações. A métrica foi apurada por ele, em evento global recente na Bélgica.

Vainzof, especialista da área jurídica, tem um posicionamento similar e adverte que uma governança eficiente deve envolver cibersegurança, dados, compliance e inovação. Para ele, a área de direito deve ser vista como impulsionadora da inovação e demanda licitude em todas as frentes de IA.  

A experiência no setor elétrico também levou o executivo a monitorar as novas ameaças, entre elas os níveis de ataque usando a IA. Vainzof lembrou, por exemplo, que quatro em cada dez tentativas de phishing direcionados às empresas já são feitos com base na inteligência artificial. Uma tendência parecida acontece nos ataques diretos aos funcionários, onde 60% dos incidentes desse tipo têm algum tipo de recurso de IA envolvido.

Daniel Santana (esquerda) e Rony Vainzof – Foto: Vinicius Cavalcante/ Claro empresas

Apesar dos vazamentos de dados e do seu uso turbinado pela IA para ações criminosas de engenharia social, o advogado argumenta que as instituições financeiras precisam de uso intenso deles, incluindo os dados biométricos para autenticar clientes e avaliar transações, também com o objetivo de evitar fraudes.

O especialista defendeu que a legislação atual, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não deve ter uma visão restritiva para que inviabilize o desenvolvimento econômico, mas sim ser um guia a ser seguido pelas organizações evitarem fraudes. “A IA precisa ser utilizada com respeito e segurança jurídica”, ressaltou.

Ele citou o uso da geolocalização como uma medida proativa para prevenção de fraudes e deu como exemplo o bloqueio de serviços quando os dados do usuário são incompatíveis.

Letramento digital

Raquel Possamai, da Claro empresas, acrescentou outra preocupação do setor financeiro: o letramento digital. A esse respeito, Santana, do Itaú, lembrou que os investimentos para educar os usuários são institucionais, mas os bancos também têm iniciativas próprias.

Raquel Possamai (Foto: Vinicius Cavalcante/ Claro empresas)

O posicionamento levantado pelos dois executivos deve ser reforçado em função do avanço das deepfakes impulsionadas pela IA. Para Santana, a dificuldade da população em geral em identificar o que é falso e real exige investimentos em pesquisa para entender como os deepfakes são construídos. “Só vamos conseguir nos defender do que entendermos”, resume.

Para Bandeira, do Banco do Brasil, a pandemia evidenciou a necessidade de letramento digital, com bancos investindo na maturidade digital de seus clientes. 

De acordo com o executivo, as restrições impostas pela Covid 19 exigiram que as pessoas passassem a ficar mais preparadas para ambientes complexos. “A conscientização é fundamental, pois até mesmo profissionais do setor bancário podem ser vítimas de golpes”, concluiu.



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