Homem em frente a um computador com tela de código e símbolo de cadeado, representando segurança e confiança na era digital. Imagem gerada digitalmente

Tecnologia redesenha preocupações com cibersegurança na América Latina

3 minutos de leitura

Pesquisa mostra avanço da confiança digital na região, mas fraudes, golpes com IA e deepfakes ampliam preocupações de consumidores



Por Redação em 11/03/2026

À medida que a digitalização financeira avança na América Latina e Caribe, cresce também uma tensão entre confiança e vulnerabilidade. A constatação deriva de uma pesquisa conduzida pela Mastercard que mostra que 80% dos consumidores se sentem capazes de se proteger no ambiente online, um sinal de maturidade digital. Ainda assim, 47% apontam fraudes e golpes como sua maior preocupação ao efetuar transações digitais, indício de uma insegurança persistente.

O estudo indica que, embora as pessoas se sintam mais confiantes e seguras diante das novas ferramentas adicionadas com a transformação digital, com maior adesão cotidiana a cartões, transferências em tempo real e carteiras digitais, o avanço tecnológico também amplia a superfície de ataque, de maneira mais sofisticada. Deepfakes, clonagem de voz e esquemas impulsionados por inteligência artificial redefinem a percepção de risco e pressionam instituições financeiras e empresas de tecnologia a reforçarem mecanismos de proteção.

Realidade dupla: confiança e cautela com inovação 

Pessoa segurando um cartão de crédito e um dispositivo móvel, com ícones de segurança digital, incluindo cadeado vermelho, banco e alerta na frente de um laptop, representando proteção de dados e segurança online.
Foto: ParinPix/ Shutterstock/ Modificada com IA

O levantamento aponta que o uso de meios eletrônicos de pagamento já é predominante na região e pode ser explicado pela busca por agilidade e conveniência. Ao mesmo tempo, preocupações com fraudes, privacidade, uso indevido de dados e sofisticação de golpes permanecem como pontos sensíveis ao consumidor.

Lideram as transações, os seguintes meios: cartões de débito (89%) e crédito (84%); transferências instantâneas (79%); e carteiras digitais (74%). Já no que diz respeito às maiores apreensões, as fraudes assumem a liderança (47%), seguidos de golpes impulsionados por IA (43%) e de questões de privacidade e compartilhamento de dados financeiros (32%).

Essa conjuntura reflete, segundo a vice-presidente executiva de serviços da Mastercard para a América Latina e Caribe, Ana Lucia Mangliano, uma realidade dupla, na qual os clientes “são confiantes, digitalmente experientes e abertos à inovação, mas também conscientes de que os golpes estão se tornando mais sofisticados”. Para ela, o desafio se concentra agora em reduzir a lacuna de confiança com soluções capazes de antecipar riscos.

Nova roupagem para práticas conhecidas

Entre os golpes mais comuns na América Latina, aqueles por telefone e voz continuam como os mais comuns (32%). Entretanto, as fraudes ganharam uma nova roupagem com a inserção tecnológica. O cenário se traduz em práticas maliciosas em redes sociais e ataques de phishing figurando nos lugares mais altos do ranking.

No Brasil, em particular, as fraudes em compras e varejo lideram (37%), seguidas por roubo de identidade (31%) e esquemas envolvendo investimentos e criptomoedas (30%). O país também registra avanço de 126% nos ataques com uso de deepfakes em 2025, de acordo com o Identity Fraud Report 2025–2026. Com o apoio de ferramentas de IA, essas práticas tornam-se mais difíceis de identificar, inclusive para usuários habituados ao ambiente digital.

Efeitos vão além do aspecto financeiro

Mulher com expressão de surpresa ou preocupação olhando para celular e cartão de crédito, representando risco na compra online ou fraude digital.
Foto: Zigres/ Shutterstock

Os dados nacionais revelam efeitos que vão além do prejuízo financeiro e e revelam mudanças no comportamento da população diante das fraudes. Dos 1.006 entrevistados, 59% afirmam que sentiriam vergonha caso fossem vítimas de golpe online e 42% relatam constrangimento em compartilhar a experiência com outras pessoas. 

O impacto reputacional também recai sobre pequenos negócios, uma vez que 74% dos brasileiros afirmam que abandonariam esses empreendimentos, migrando para grandes varejistas. 63% foram além e disseram que deixariam de comprar do estabelecimento onde o incidente ocorreu.

Outro dado levantado pela pesquisa aponta que os jovens de 18 a 27 anos são os que mais interagiram com tentativas de golpe em 2025 (29%). A Gen Z, como são chamados,  também é a que menos adota medidas básicas de segurança (50%), evidenciando a vulnerabilidade de um grupo altamente conectado.

Diante do temor de que a inteligência artificial seja usada em golpes de clonagem de voz (89%) e deepfakes como ameaça à segurança nacional (81%), a maioria dos entrevistados (88%) aponta a necessidade de mais educação digital para lidar com esses incidentes.



Matérias relacionadas

Mulher sorridente em escritório moderno, usando notebook e explorando a diferença entre dados e informação de forma prática e eficiente. Estratégia

Entenda a diferença entre dados e informação

Os dados geram informações e um depende do outro, mas qual a diferença entre eles?

Edifício do Congresso Nacional em Brasília Estratégia

Redata: o que muda com o projeto aprovado na Câmara

Texto atual suspende tributos por cinco anos e impõe contrapartidas de sustentabilidade, estímulo à pesquisa e inovação e eficiência energética. Tramitação segue para o Senado

Reuniões empresariais sobre a transformação das operadoras de telecomunicações, com gráficos e tecnologia moderna em um escritório. Estratégia

A agenda de transformação das operadoras para 2026

Relatório da EY aponta riscos como sinais claros de mudança estrutural no setor, que avança da conectividade básica para um papel mais estratégico na economia digital

Pessoa analisando gráficos de crescimento com uma lupa, simbolizando o impacto de habilidades com IA na aumenta de salários e oportunidades de carreira. Estratégia

Habilidades com IA incrementam salários

Levantamento do InfoJobs indica altas acentuadas em novas especializações e repasses dos ganhos de produtividade para as funções gerenciais e operacionais

    Embratel agora é Claro empresas Saiba mais