Transformar o potencial da inteligência artificial em resultados é um desafio maior para corporações de grande porte, como relataram a CEO do Banco do Brasil (BB), Taciana Medeiros, e o presidente da IBM Brasil, Marcelo Braga, durante painel sobre transformação digital e inteligência artificial no Web Summit Rio 2026. Para ambos, os obstáculos para ampliar o uso produtivo da IA vão além da tecnologia e residem, primeiro, na construção de uma cultura organizacional direcionada à nova economia digital.
Com cerca de 125 mil funcionários e operações distribuídas por diferentes áreas de negócio, o tamanho é um desafio para o BB, segundo Taciana, pois a instituição precisa garantir que a cultura seja incorporada de forma ampla e consistente em toda a organização.
Segundo a executiva, o avanço das soluções baseadas em IA impõe uma pressão adicional sobre as empresas uma vez que, além de implementar novas ferramentas, elas precisam acompanhar continuamente as mudanças que ocorrem no mercado e adaptar suas estratégias em ritmo cada vez mais rápido.
Escala demanda parceiros tecnológicos
Na avaliação da CEO do Banco do Brasil, a velocidade das transformações tecnológicas torna indispensável a atuação conjunta com parceiros especializados. Ela citou a relação entre Banco do Brasil e IBM, construída ao longo de quatro décadas, como exemplo para sustentar a infraestrutura necessária para a evolução digital. “É preciso ter bons parceiros, plataformas confiáveis, principalmente. Não é só IA. IA com responsabilidade faz toda a diferença”, confirmou.
A executiva destacou ainda que o desafio da inteligência artificial envolve diferentes frentes simultâneas. Além da infraestrutura tecnológica, é necessário desenvolver competências internas, criar processos de governança e garantir que a adoção das ferramentas ocorra de forma alinhada às necessidades do negócio.
Na prática, isso significa preparar pessoas, atualizar sistemas e construir mecanismos capazes de acompanhar uma tecnologia que evolui em ciclos cada vez mais curtos. “Devemos ter bons parceiros que sustentem a infraestrutura, desenvolver-se na medida em que as coisas acontecem, na velocidade em que acontecem, e criar uma cultura que permeie toda a empresa”, resumiu.
Marcelo Braga observou que a IBM enfrenta questões parecidas. Embora atue em um segmento diferente, a companhia também convive com a necessidade de promover inovação contínua sem perder o conhecimento acumulado ao longo de décadas. “Temos um desafio muito semelhante porque também somos centenários”, disse.
Segundo ele, é preciso considerar também que a transformação digital acontece em um ambiente marcado pela convivência de diferentes gerações. Atualmente, profissionais que acompanham a trajetória da empresa há décadas dividem espaço com jovens que estão iniciando suas carreiras, e isso precisa ser equilibrado na disseminação de cultura organizacional. “Eu tenho cinco gerações trabalhando na IBM hoje. Vão, portanto, desde pessoas super experientes junto com pessoas que acabaram de sair ou ainda estão na faculdade”, disse.
Para Braga, a capacidade de combinar experiências distintas para resolver problemas de negócios é um diferencial, se tratado corretamente. “Acho que o principal desafio é aproveitar a experiência de cada uma dessas gerações, que viveram eras diferentes. Essas eras, somadas, é que trazem valor para o negócio hoje”, avaliou.
IA é resultado da convergência tecnológica
Ao abordar o papel da inteligência artificial nas organizações, Braga defendeu que o avanço atual da IA é resultado de um processo de evolução tecnológica que reúne diferentes ondas de inovação desenvolvidas ao longo das últimas décadas. E, nesse contexto, os dados são determinantes: “A IA não é nada sem dados”, afirmou.
Ele explicou que não se trata de acumular informações, mas sim garantir que elas possam ser acessadas de forma simples, segura e eficiente por pessoas e sistemas. “O dado sem a forma de acessá-lo de maneira simples, em qualquer lugar e com mobilidade, não serve para nada”, sentenciou.
Outro elemento destacado pelo executivo é a conectividade. Para ele, a inteligência artificial depende de uma infraestrutura capaz de integrar aplicações, bases de dados e usuários em diferentes ambientes. “Se não está tudo interconectado por causa da internet, as coisas não funcionam”, afirmou.
O potencial da IA surge justamente da combinação entre essas diferentes camadas tecnológicas, para o presidente da IBM no Brasil. Assim, computação, conectividade, mobilidade, armazenamento de dados e conhecimento acumulado ao longo dos anos formam o conjunto valioso, de fato. “Esse somatório de ondas e de experiências forma um valor agregado para que se consiga tirar o potencial de tudo isso junto”, concluiu.
* Acompanhe a cobertura do Web Summit Rio 2026 na página especial do Próximo Nível.
