Nelson Leoni, CEO da WideLabs (Foto: Luiz79 / Wikimedia Commons)

Agentes de IA com jeito de brasileiros

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Em parceria com a Nvidia, startup gaúcha lança 6 milhões de personas regionais e reforça a aposta em modelos proprietários no Brasil



Por Redação em 14/04/2026

A convergência entre tecnologia global e contexto local ganhou um novo marco com o anúncio da parceria entre a Nvidia e a startup brasileira WideLabs. Conforme reportagem do Valor Econômico, as empresas lançaram o Nemotron Personas Brazil, um banco de 6 milhões de perfis sintéticos baseados em dados do IBGE. O Nemotron é uma plataforma da Nvidia voltada à criação de agentes de inteligência artificial com competências, personalidade e cultura adequadas a cada contexto.

A inteligência artificial tende a gerar mais valor quando utiliza modelos proprietários, treinados com dados reais da organização e dos usuários. Além de desenvolver agentes capazes de interagir com sotaques e nuances de grupos específicos, os perfis funcionam como métricas de relevância e acessibilidade para serviços públicos, permitindo um planejamento baseado em testes de aceitação em cada região ou segmento da população antes da implementação real.

Jovem brasileira mexe no celular na rua
Imagem gerada digitalmente

“São 6 milhões de perfis diferentes que conseguem atender a 22 tipos de segmentação como faixa etária, região, escolaridade ou profissão”, disse ao Valor o CEO da WideLabs, Nelson Leoni. “É possível criar um agente de IA conversacional que conheça a população de um determinado Estado, entenda a realidade de cada local e ofereça um atendimento de qualidade ao público”, exemplificou.

Consolidação e expansão no mercado B2B

O lançamento é o desdobramento de um plano de negócios. Em junho de 2025, outra reportagem do Valor destacava a ambição da startup em dominar o segmento B2B e expandir sua atuação internacional com uma proposta de soberania tecnológica. Naquele momento, a empresa já consolidava a plataforma Amazônia IA 360, permitindo que organizações tivessem controle total sobre seus dados e customizassem IAs com personalidades específicas.

A estrutura da “família” de modelos também foi desenhada para atender demandas setoriais. O portfólio inclui o Guará, focado em transcrição de áudio com sotaques; o Harpia, voltado para análises médicas multimodais; e o Golia, otimizado para velocidade em tarefas cotidianas de tradução e resumo. Um caso de sucesso mencionado foi a parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde agentes como Vera, Tori e Aia apoiam desde o atendimento a populações vulneráveis até o arquivamento de inquéritos.

A WideLabs se define como uma “fábrica de IA”, focada em transformar datasets nacionais em soluções robustas. Segundo informações do Brazil Journal, a empresa ganhou projeção em julho de 2024 com o lançamento da Amazônia IA, um dos primeiros modelos de linguagem de grande escala (LLM) nativos em português brasileiro.

Nuvem local e IA soberana

Além de trabalhar com datasets e modelos proprietários, as soluções da WideLabs são feitas para rodar em “infraestrutura on premise ou em nuvem soberana”, como é destacado no site da empresa.

A premissa para os projetos é que os dados e as aplicações rodem em datacenters sob jurisdição no Brasil. Desde sua fundação, a WideLabs trabalha em parceria com a Oracle, principalmente em função da relativa autonomia de sua infraestrutura local. “A Amazônia IA nasceu na Oracle Cloud Infrastructure (OCI), e seus dados são processados dentro do país, garantindo não apenas mais rapidez, mas, principalmente, o cumprimento dos requisitos de soberania da IA no Brasil, com segurança e privacidade”, disse Nelson Leoni à reportagem do Valor em 2025.Na nova iniciativa junto à Nvidia, se estendeu a parceria com a provedora de infraestrutura. Além de garantir conformidade à LGPD, adequação às normas jurídicas de propriedade de dados (incluindo quebra de sigilo) e proteção a informações estratégicas de companhias e governo, contratos em moeda local também acrescentam sustentabilidade aos projetos.



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