O setor de telecomunicações passou por uma transformação nos últimos anos. Além de expandir a cobertura de internet e telefonia, as operadoras incorporaram princípios de ESG (ambiental, social e de governança) em seus projetos de engenharia e infraestrutura. A mudança foi impulsionada por demandas regulatórias, pressão de investidores, e pelo reconhecimento da conexão entre sustentabilidade e inovação tecnológica.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) avaliou que o consumo de energia elétrica pelas empresas do setor é um dos principais pontos de atenção. Essas empresas operam milhares de antenas, data centers e redes que exigem funcionamento contínuo, o que resulta em elevado impacto ambiental. A agência iniciou estudos para criar um selo ESG específico para o setor, avaliando o desempenho ambiental das companhias, em especial no consumo energético e na gestão de resíduos eletrônicos.
Esse assunto será abordado no painel “Conectividade sustentável: impulsionando a transformação digital, a governança e a inclusão”, no dia 30 de setembro, primeiro dia da Futurecom 2025. O debate contará com a participação de Alexandre Freire, conselheiro da Anatel.
Eficiência energética

A demanda por eletricidade aumentou com a chegada do 5G, já que a nova geração de redes requer mais antenas distribuídas e equipamentos de alta capacidade. Operadoras têm investido em soluções como painéis solares em estações rádio-base, sistemas de refrigeração mais eficientes em data centers e softwares que ajustam o consumo de acordo com o tráfego da rede.
Os data centers sustentáveis ganharam espaço como resposta às novas demandas da economia digital. Empresas de tecnologia e telecomunicações já adotam projetos arquitetônicos que priorizam ventilação natural, sistemas de resfriamento a água e reaproveitamento de calor. O objetivo é reduzir a pegada de carbono e garantir operações resilientes diante das mudanças climáticas.
Economia circular
Outro aspecto da agenda ESG é a gestão de resíduos eletrônicos. O setor de telecomunicações gera toneladas de sucata tecnológica todos os anos, desde cabos até servidores em desuso. Companhias vêm ampliando programas de logística reversa e reciclagem, tanto para equipamentos próprios quanto para dispositivos dos clientes, como modems e roteadores.
Cresce também o movimento em direção à economia circular. Operadoras estão reformando e reutilizando componentes de rede, o que reduz custos e minimiza impactos ambientais. Essa prática abre espaço para parcerias com startups especializadas em reciclagem tecnológica.
Inclusão digital
O pilar social do ESG se manifesta na ampliação do acesso à internet em regiões vulneráveis. Projetos de conectividade sustentável têm buscado atender comunidades ribeirinhas, quilombolas e áreas rurais com soluções híbridas, combinando redes móveis, satélites e energia renovável. A meta é reduzir desigualdades digitais sem aumentar a pressão ambiental.
O governo federal lançou projetos para impulsionar a digitalização de serviços e a conectividade em regiões remotas com um viés sustentável. Entre as diretrizes estão o estímulo ao uso de fontes renováveis, a modernização da infraestrutura com materiais de menor impacto e a adoção de sistemas inteligentes para monitorar a eficiência energética.
A geração de empregos qualificados também é uma demanda. A modernização das redes exige engenheiros, técnicos e especialistas em energia limpa, criando oportunidades de trabalho em áreas de alta demanda. As operadoras têm firmado convênios com universidades e institutos de pesquisa, reforçando a formação de profissionais preparados para a transição verde no setor de telecomunicações.
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