Robô segurando balanço da justiça com temas de inteligência artificial e regulação em destaque, simbolizando debates do MWC 2026 sobre IA e regulamentação. Imagem gerada digitalmente

MWC 2026 coloca IA e regulação em destaque

4 minutos de leitura

Evento discutiu a inteligência artificial como base da economia digital, destaca o papel da rede móvel como habilitadora e aponta para normatização inteligente



Por Redação em 06/03/2026

O destaque da inteligência artificial (IA) em congressos, debates e planejamentos estratégicos não é novidade e, durante o Mobile World Congress 2026 (MWC), não foi diferente. Mas, desta vez, o tema foi abordado sob diferentes perspectivas, com análises que extrapolavam o caráter técnico da tecnologia. A defesa da democratização tecnológica, por exemplo, foi introduzida com a posição do diretor Geral da GSMA, Vivek Badrinath, que avaliou, ainda no primeiro dia de evento, que os objetivos só serão alcançados se o ecossistema de inovação for global e não isolado.

Ao decorrer do congresso, executivos e especialistas discutiram como a inteligência artificial tende a se consolidar como uma infraestrutura transversal da economia digital, influenciando desde modelos de negócios e relações entre empresas e clientes até a arquitetura das redes móveis. O debate incluiu ainda o papel do 6G como habilitador de novas aplicações baseadas em IA, mudanças na monetização das telecomunicações e a necessidade de estruturas regulatórias capazes de acompanhar o ritmo acelerado da inovação tecnológica.

IA é “camada invisível que sustentará a vida digital e cultural” 

O MWC deste ano mostrou que inteligência artificial exerce impacto cada vez maior na vida das pessoas. Isso porque ela deixa de ser apenas uma tecnologia específica para se tornar uma “camada invisível, mas fundamental, que sustentará a vida digital e cultural nos próximos anos”, como explicou o fundador da Exponential View, Azeem Azhar.

Segundo o executivo, o papel da IA na sociedade moderna é comparável à eletricidade ou à própria internet, uma vez que  seu desenvolvimento tem impactos sobre negócios, identidade, cultura e relações sociais.

O avanço acelerado da tecnologia, aliado à queda de custos e ao crescimento dos investimentos em infraestrutura, projeta um cenário de “inteligência abundante” e “demanda insaciável por conhecimento”, que tende a torná-la ainda mais presente nas atividades cotidianas de pessoas e empresas. 

À medida que crescem as possibilidades, ferramentas e adesão, a necessidade de estruturas de governança que favoreçam o progresso coletivo também aumenta. Azhar defende que sem governança, a IA corre o risco de se limitar à eficiência técnica, sem considerar o valor social das aplicações. Para ele, “a verdadeira fronteira da IA não é substituir os humanos, mas nos ajudar a navegar sistemas além da nossa compreensão”.

A fala de Azhar se conecta à maneira de pensar a tecnologia do chairman da OpenAI, Bret Taylor. Para ele, a IA também não é apenas sobre eficiência, é sobre “reinventar a relação com clientes e transformar serviços em motores de crescimento”. Nesse sentido, outra vertente discutida no evento ganha corpo, os agentes de IA. Os agentes são apontados como capazes de redefinir as relações entre empresas e clientes, com foco em gerar receita e ganhar confiança. A ressalva, no entanto, recai sobre valores e responsabilidade ética no uso.

No campo da infraestrutura digital, representantes do setor de telecomunicações defenderam que a expansão da inteligência artificial pode levar a uma mudança estrutural no modelo de monetização das redes móveis, substituindo a tradicional cobrança por gigabytes de dados por tarifas baseadas em tokens de IA, unidades usadas por modelos de linguagem para processar e gerar conteúdo. A proposta, apresentada pelo CEO da Jio Platforms, Mathew Oommen, sugere que operadoras passem a atuar não apenas como fornecedoras de conectividade, mas como infraestrutura ativa da economia de IA, processando tokens diretamente em suas redes, com apoio de edge computing, baixa latência e alta capacidade de processamento.

Leia também: Claro Brasil lança plataforma de nuvem híbrida Claro uStore no MWC 2026

6G como habilitador de novas aplicações de IA

Um smartphone sendo segurado por uma pessoa com destaque para o texto 6G, representando a tecnologia de rede móvel de sexta geração.
Foto: U.P.SD/ Shutterstock/ Modificada com IA

Devido ao caráter habilitador da rede, o 6G também esteve em evidência durante o congresso. Dentre as diferentes visões apresentadas por executivos do setor, o entendimento é de que a próxima geração de rede móvel será concebida como a base de conectividade para a expansão de novas aplicações de inteligência artificial. O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, disse, inclusive, que a missão do 6G será de viabilizar a  a “artificial intelligence everywhere”, ou seja, IA em todos os lugares.

A expectativa é que aplicações de IA respondam por cerca de 30% do tráfego das redes até 2034, exigindo conectividade contínua, baixa latência e maior capacidade de uplink para suportar interações em tempo real entre humanos, sensores e agentes digitais. 

O estudo “6G: The Network for the Future of AI and Immersive Connectivity”, produzido pelo BCG em parceria com a Qualcomm, prevê que, a partir da experiência adquirida com o 5G, o 6G trará soluções inovadoras em escala. Entre elas, se destacam o suporte a gêmeos digitais para fornecer infraestrutura inteligente para a cidade, como a otimização do tráfego, transporte autônomo e monitoramento ambiental da qualidade do ar. As áreas de segurança pública e saúde também podem se beneficiar com drones autônomos de resgate, sistemas de primeiros socorros e diagnósticos remotos com dados de sensores de alta resolução.

Especialistas como o CEO da AT&T, John Stankey, alertam, porém, que a transição será desafiadora. Para ele, os principais desafios consistem em garantir que o ciclo de upgrade – do 5G ao 6G – obedeça a um padrão e seja mais focado em software. A preocupação se debruça nos riscos geopolíticos que podem fragmentar padrões tecnológicos e no processo tradicional de “forklift upgrade”, que substitui a base instalada de hardware por uma nova. 

“Hoje o software é extremamente flexível. [Os clientes] querem mais funcionalidades e capacidades – muitas das quais podem ser entregues via software. Portanto, vamos fazer tudo o que pudermos para ampliar a flexibilidade do software”, explicou Stankey.

De toda forma, o cronograma da indústria prevê as primeiras demonstrações por volta de 2028, com o lançamento da primeira versão do padrão do 3rd Generation Partnership Project em 2029 e comercialização no início da década de 2030. 

Enquanto o futuro começa a ser desenhado, o ciclo atual ainda está em expansão e desenvolvimento. Segundo o presidente da Huawei para América Latina e Caribe, Daniel Zhou, o 5G ainda tem amplo espaço para crescer na região, onde a implantação permanece em estágios iniciais e deve avançar nos próximos anos. No âmbito global, o vice-presidente da Huawei, Yang Chaobin, foi incisivo ao afirmar que “a IA não vai esperar [pelo 6G] e deve atingir um crescimento explosivo nos próximos cinco anos”. Sendo assim, a sugestão do executivo é fortalecer o 5G Advanced para sustentar as novas aplicações.

Não basta apenas a tecnologia ser inteligente, regulação deve acompanhar

O MWC abriu espaço para a discussão da regulação da inteligência artificial, especialmente no Brasil, que foi defendido o avanço por meio de modelos flexíveis, baseados em princípios e avaliação de riscos, capazes de acompanhar a rápida evolução tecnológica sem sufocar a inovação. 

A conselheira substituta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Cristiana Camarate, destacou que o governo brasileiro tende a adotar uma abordagem menos prescritiva e mais inteligente, que evolua junto com a tecnologia. 

A proposta envolve ainda uma governança regulatória distribuída, na qual princípios gerais poderiam ser coordenados por uma autoridade central – possivelmente a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) – enquanto agências setoriais mantêm competência sobre usos específicos da IA. 



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