Febraban Tech 2025 Febraban Tech 2025
data centers Da esquerda para a direita: Rodrigo Radaieski, Leandro Cezar, Agostinho Villela e Patricia Nakamura (moderação) – Foto: Vanderlei Campos

Eficiência técnica e políticas de competitividade definem investimentos em data centers

2 minutos de leitura

Matriz energética, inteligência artificial e políticas públicas pautam desenvolvimento de infraestruturas



Por Vanderlei Campos em 16/06/2025

A pressão por soluções mais sustentáveis para mitigar o impacto ambiental está transformando o mercado de data centers no Brasil. O tema foi discutido no painel As novas tecnologias de energia e dados mudando os data centers, no Febraban Tech 2025, que reuniu Leandro Cezar, superintendente de TI do Safra; Agostinho Villela, diretor de tecnologia da Scala Data Centers; e Rodrigo Radaieski, vice-presidente de operações da Ascenty.

O movimento por práticas mais sustentáveis não é apenas uma demanda ambiental. Segundo Leandro Cezar, do Safra, as companhias que adotam essas práticas ganham um diferencial competitivo, inclusive nas condições de crédito. 

Além da escolha da matriz energética, o executivo destacou outros fatores que favorecem o Brasil, como a disponibilidade de terrenos e a diversidade climática, com regiões de temperaturas mais baixas. “Temos que continuar a investir na diversidade de fontes de energia renovável. A hidrelétrica é limpa, mas pode faltar”, alertou.

Na corrida por eficiência, Cezar também ressaltou a evolução no desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. “O consumo elétrico da IA é pesado, mas isso tem sido atenuado com modelos menores e customizados, que chegam aos resultados com menos processamento”, disse. “A virtualização e a nuvem também aproximam as empresas dos compromissos ambientais”, lembrou.

O papel da IA nos data centers

data centers
Foto: Shutterstock

Agostinho Villela, da Scala Data Centers, destacou o potencial de crescimento da infraestrutura no país, comparando a oportunidade ao pré-sal, mas com uma janela de oportunidade limitada. “Em 2030, o uso de energia nuclear (com tecnologias de geradores distribuídos) será comum nos data centers dos Estados Unidos”, advertiu.

Para Villela e Radaieski, da Ascenty, a inteligência artificial também contribui diretamente para tornar os datacenters mais inteligentes e eficientes. “Um ajuste importante é usar IA para ajudar a implementar IA. Com telemetria e IA, a gestão deixa de ser preventiva e passa a ser preditiva”, disse Radaieski. Villela complementou que a IA também aprimora a gestão de mudanças e de comissionamento das estruturas.

Leandro Cezar acrescentou que a automação já permite o gerenciamento granular, como a desativação de recursos subutilizados e a medição contínua de diversos parâmetros, o que amplia a eficiência operacional.

Potencial e desafios

Radaieski reforçou o papel estratégico do país na expansão desse mercado. “Já somos um polo de datacenters. O volume de operações de bancos e operadoras para atender ao mercado interno já garante uma forte demanda de infraestrutura”, afirmou. Com a ascensão da IA e a matriz energética renovável, o executivo vê espaço para atrair ainda mais investimentos.

Por outro lado, a infraestrutura ainda enfrenta gargalos. “Apesar das vantagens energéticas, o acesso à rede de distribuição nem sempre está disponível”, alertou Villela. “O transporte de grandes cargas de energia é um desafio em todo o mundo.”

Outro entrave é o custo. “Precisamos tornar os custos mais competitivos, principalmente na importação de GPUs”, acrescentou Radaieski. 

A desoneração tanto para investimentos quanto para exportação de serviços faz parte da Política Nacional de Data Centers.



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