A inteligência artificial tornou a experiência bancária mais rápida, personalizada e eficiente. Mas a mesma tecnologia que impulsiona inovação também está elevando o nível das fraudes digitais. Os deepfakes (imagens, vídeos, vozes e documentos gerados por IA para simular pessoas reais) já representam uma das principais ameaças à confiança digital, motivo pelo qual o tema ocupará espaço de destaque na programação do Febraban Tech 2026, um dos mais importantes eventos de tecnologia e inovação do setor financeiro brasileiro.
No dia 24 de agosto, o congresso promoverá o painel “Nada é o que parece: o colapso das certezas digitais na era dos deepfakes e da fraude sintética”, reunindo especialistas para discutir como bancos e autoridades podem responder ao crescimento das fraudes baseadas em inteligência artificial.
Por que os deepfakes preocupam tanto os bancos?
Durante muitos anos, autenticar um cliente significava conferir documentos, senhas ou biometria. Hoje, a IA generativa consegue reproduzir com impressionante fidelidade rostos, vozes e até expressões faciais, tornando muito mais sofisticadas as tentativas de fraude.
Esse tipo de ataque, conhecido como fraude sintética, combina informações reais com conteúdos artificiais para criar identidades falsas ou convencer funcionários e clientes de que estão interagindo com uma pessoa legítima.
No setor financeiro, isso pode ser utilizado para abertura fraudulenta de contas, invasão de contas existentes, aprovação indevida de empréstimos, golpes por videochamada, engenharia social utilizando voz clonada e até a falsificação de documentos digitais.
Em um ambiente em que praticamente toda interação financeira ocorre por canais digitais, preservar a confiança na identidade dos usuários e na autenticidade das transações tornou-se um dos principais desafios do sistema financeiro. O desafio, além de tecnológico, envolve governança, identidade digital, segurança cibernética e educação dos usuários.
O painel que discute o colapso da confiança digital

O próprio título do painel escolhido pelo Febraban Tech 2026 resume a dimensão do problema: “Nada é o que parece: o colapso das certezas digitais na era dos deepfakes e da fraude sintética”. O painel da trilha “A guerra invisível da cibersegurança” tem como proposta o debate sobre como preservar a confiança em um ambiente onde praticamente qualquer elemento de autenticação visual ou sonoro pode ser reproduzido por inteligência artificial.
Segundo a organização do evento, a discussão abordará mecanismos capazes de fortalecer a autenticação digital e reduzir o impacto das fraudes, reunindo diferentes perspectivas, entre elas: instituições financeiras; órgãos de investigação; especialistas em prevenção a fraudes e representantes do governo.
Entre os participantes confirmados estão especialistas da Caixa Econômica Federal, Santander Brasil, Polícia Federal e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com mediação da diretora-adjunta de Conteúdo Digital da Febraban, Mona Dorf.
Inteligência artificial: aliada e adversária
Existe um paradoxo evidente. A mesma IA utilizada para criar deepfakes também está sendo empregada pelos bancos para detectá-los.
Modelos de aprendizado de máquina conseguem identificar padrões invisíveis ao olho humano, inconsistências em imagens, alterações de voz, movimentos faciais artificiais e comportamentos anômalos durante autenticações digitais.
Essa corrida tecnológica tende a acelerar nos próximos anos, tornando a segurança baseada apenas em senhas ou documentos cada vez menos suficiente.
O avanço das fraudes digitais já levou a Febraban a ampliar o debate sobre segurança cibernética em outros fóruns da entidade. Um exemplo é o Febraban Sec 2026, em que o presidente da federação, Isaac Sidney, afirmou que a digitalização é uma questão de infraestrutura crítica, exigindo equilíbrio entre inovação, segurança, integridade e estabilidade financeira.
A tendência é que o painel desta edição demonstre na prática que combater deepfakes exige uma atuação conjunta entre bancos, empresas de tecnologia, autoridades públicas e usuários. Além disso, a discussão deve mostrar avanços do setor, especialmente em iniciativas como autenticação multifatorial inteligente; biometria contínua; detecção automática de conteúdo sintético; compartilhamento de indicadores de fraude; e campanhas de conscientização para clientes. Isso porque preservar a confiança digital é tão importante quanto inovar, e para bancos e fintechs, essa confiança continua sendo o ativo mais valioso.
Segurança digital em outras trilhas

O debate sobre deepfakes dialoga diretamente com outras palestras da programação voltadas à identidade digital, prevenção a fraudes e cibersegurança. Entre os temas abordados estão a evolução da autenticação biométrica, os desafios da identidade descentralizada, o uso da inteligência artificial para detectar atividades suspeitas e a necessidade de desenvolver mecanismos de verificação capazes de acompanhar a velocidade com que novas técnicas de falsificação são criadas. A segurança digital é um fator estratégico para a sustentabilidade do sistema financeiro.
Outro eixo importante da programação reúne especialistas para discutir o papel da IA generativa tanto na criação quanto no combate às fraudes. As apresentações exploram como algoritmos de aprendizado de máquina vêm sendo utilizados para identificar padrões de comportamento anômalos, reconhecer manipulações em imagens e vídeos, detectar vozes sintéticas e fortalecer os processos de autenticação dos clientes. O tema reforça a ideia de que a inteligência artificial atua em duas frentes: como ferramenta dos criminosos e, ao mesmo tempo, como um dos principais recursos de defesa das instituições financeiras.
A programação também estabelece conexões entre a segurança digital e outras trilhas do evento, como Open Finance, Drex, pagamentos instantâneos, governança de dados e regulação da inteligência artificial. À medida que os serviços financeiros se tornam mais integrados e digitais, cresce a necessidade de combinar inovação, interoperabilidade e proteção da identidade dos usuários. Essa visão transversal demonstra que o combate às fraudes sintéticas depende de uma atuação coordenada entre bancos, empresas de tecnologia, órgãos reguladores e autoridades de investigação.
Acompanhe no Próximo Nível a cobertura especial do Febraban Tech 2026.
