Futurecom
Satélite de comunicações em uso para fornecer conectividade em áreas remotas, destacando a importância de satélites para inclusão digital e desenvolvimento. Imagem gerada digitalmente

Satélites proporcionam conectividade, inclusão e desenvolvimento em áreas remotas 

3 minutos de leitura

Conectividade via satélite emerge como solução estratégica para reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e sustentar o desenvolvimento em regiões remotas do país



Por Redação em 24/09/2025

Apesar da digitalização ser objeto de trabalho do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a inclusão digital no Brasil ainda encontra desafios, especialmente no que diz respeito à cobertura de sinal em áreas remotas. De acordo com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), cerca de 13 milhões de pessoas vivem em áreas sem qualquer conexão.

Essa lacuna, que a princípio parece apenas de caráter tecnológico, tem implicações sociais e econômicas, uma vez que limita o acesso à educação, saúde, serviços financeiros e oportunidades de trabalho. A ausência de conectividade significativa compromete a integração dessas comunidades à sociedade digital e ao desenvolvimento nacional.

Nesse sentido, a expansão das redes via satélite se coloca como alternativa capaz de superar as barreiras geográficas e infraestruturais que o país enfrenta. Da Amazônia a pequenas comunidades, a conectividade via satélite permite levar serviços essenciais e fomentar atividades produtivas que hoje estão restritas pela exclusão digital.

A contribuição das redes de satélite para a conectividade e, consequentemente, para a inclusão digital e o desenvolvimento do país será tema de debate na Futurecom 2025, no dia 2 de outubro, às 10h. Especialistas do setor vão discutir os desafios da conectividade em regiões remotas, um ponto crítico em um país de dimensões continentais.

Falta de conectividade afeta desenvolvimento

Apesar de avanços recentes, a exclusão digital rural no Brasil ainda é expressiva. O estudo coordenado pelo IICA aponta que a conectividade significativa alcança 79% da população urbana da América Latina e do Caribe, mas apenas 43,4% da população rural. No Brasil, isso se traduz em milhões de cidadãos sem acesso adequado à internet, especialmente em áreas de baixa densidade populacional.

O estudo, que se iniciou ainda durante a pandemia de Covid-19, expôs de forma ainda mais clara essa desigualdade. Enquanto residências com maior conectividade apresentavam maior acesso ao ensino remoto, aquelas com baixa conectividade sofreram mais com insegurança alimentar e perda de emprego. 

Falta de conectividade afeta o desenvolvimento agrícola, destacando a importância do satélite para o setor agrícola em áreas remotas.
Foto: Paulo de Abreu/ Shutterstock

O setor agrícola é um dos que sofrem impacto mais imediato, com consequências que vão desde o comprometimento da produtividade até a fragilidade na inclusão de jovens e mulheres no mercado de trabalho rural. Quando disponibilizada, a conectividade tem a capacidade de reverter esse quadro e, portanto, promover a inclusão nos processos produtivos, além de melhorar a transparência dos preços na cadeia. 

Em resumo, o documento afirma que “o avanço da conectividade e a adoção de novas tecnologias são uma contribuição para contrapor o círculo vicioso que hoje gera insegurança, pobreza e emigração do interior, que incide de forma negativa na exoneração geracional”.

Iniciativas de fomento à conectividade são estratégicas para superar desafios

Iniciativas recentes mostram como políticas públicas podem transformar a realidade digital brasileira. Em 2023, a Anatel converteu uma multa de R$ 15,8 milhões aplicada à Sky em uma obrigação voltada a conectar escolas remotas via satélite, prover computadores e capacitação em habilidades digitais. A medida é emblemática por transformar sanções em investimento direto em inclusão, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Essa determinação está alinhada também ao Plano Estratégico 2023-2027, que tem como missão “promover o desenvolvimento da conectividade e da digitalização do Brasil em benefício da sociedade”. O Plano é pautado em quatro objetivos de resultados: (1) promover a conectividade e a prestação de serviços de comunicação com qualidade para todos, (2) estimular mercados dinâmicos e sustentáveis de serviços de comunicação e de conectividade, (3) fomentar a transformação digital junto à sociedade em condições de equilíbrio de mercado e (4) garantir atuação de excelência com foco nos resultados para a sociedade.

Entretanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) identificou desafios na implementação do Plano. Em relação aos desafios externos e regulatórios, é preciso acompanhar a expansão das novas tecnologias de 5G e regular os serviços OTT (Over-the-Top), que geram debate e possíveis divergências entre as regras aplicadas à radiodifusão, TV por assinatura e aos serviços OTT. Além disso, é necessário garantir a cibersegurança e a privacidade de dados, além de adotar uma regulação ágil e responsiva, capaz de acompanhar o ritmo da inovação e das mudanças do mercado.

Em relação à gestão interna, promover a renovação e capacitação de servidores; garantir a transparência e a gestão interna adequada; e assegurar a adequação da infraestrutura interna e das TICs são metas que ajudam a superar os desafios e alcançar os objetivos propostos.



Matérias relacionadas

Gabriel Villa e Domingos Secco em um evento, com palestrante no palco e outro participante ao lado, diante de um telão Conectividade

IA e geolocalização ampliam segmentação de campanhas publicitárias 

Solução apresentada na SET Expo 2026 combina dados de mobilidade, perfil demográfico e IA generativa para criar campanhas adaptadas a diferentes públicos e territórios

Palestrantes Guilherme Saraiva e Eduardo Massaud apresentam demonstração em um evento com telão exibindo Conectividade

5G amplia possibilidades para transmissões ao vivo, do jornalismo aos megaeventos

Em painel da SET Expo 2026, especialistas compartilharam experiências em grandes eventos e apresentaram novas soluções para emissoras, produtoras e equipes de jornalismo

Conectividade

Rede inteligente sustenta bilhões de transações do Banco do Brasil

Segundo episódio da websérie “Vamos habilitar o próximo novo?” destaca como redes inteligentes e resilientes sustentam operações críticas na era da IA

Renato Sales Bizerra Aguiar, Robson Tavares, Gina Duarte e Francisco Martins Portelinha Júnior Conectividade

Revolução silenciosa: como o 5G pode transformar a TV

Debates na SET Expo 2026 mostram como redes de quinta geração podem ampliar a produção, a distribuição e o acesso a conteúdos de TV, dos estúdios aos smartphones