Mulher preocupada sentada em uma mesa de trabalho com laptop e documentos Foto: Nan Tun Nay / Shutterstock / Modificada com IA

Preocupação com IA cresce no mundo e brasileiros estão entre os mais apreensivos

3 minutos de leitura

Estudo revela que maioria da população mundial vê a inteligência artificial com cautela e desconfia das grandes potências para regular seu uso



Por Redação em 06/11/2025

Segundo um levantamento do Pew Research Center, realizado em 25 países, apenas 16% das pessoas no mundo se dizem mais animadas do que preocupadas com a nova tecnologia. O Brasil está entre as nações que mais demonstram preocupação com os avanços da inteligência artificial e aparece em quarto lugar entre os que mais temem seus impactos, com 47% dos entrevistados expressando preocupação, atrás apenas dos Estados Unidos (50%), da Itália (50%) e da Austrália (49%).

O relatório How People Around the World View AI foi conduzido entre janeiro e abril de 2025 com mais de 28 mil adultos. O estudo mapeia o grau de familiaridade, percepção e confiança em relação à IA, comparando diferentes regiões e perfis demográficos, como idade, gênero, escolaridade e uso da Internet, além de medir a confiança dos cidadãos na capacidade de seus governos e de blocos econômicos regularem o tema.

Informação e familiaridade com IA

Pessoa trabalhando em um laptop em um ambiente bem iluminado com uma planta no fundo. Ideal para quem busca informações
Foto: Thanadon88 / Shutterstock / Modificada com IA

De forma geral, 81% dos adultos nos 25 países afirmam já ter ouvido falar de IA, ainda que em graus variados. Entre os países mais ricos do G7 – EUA, Japão, Alemanha e França -, cerca de metade da população declarou ter “ouvido muito” sobre o tema. Em contraste, apenas 14% na Índia e 12% no Quênia disseram o mesmo. O nível de informação está fortemente correlacionado ao PIB per capita, bem como à frequência de uso da Internet e ao nível educacional.

As diferenças geracionais também são marcantes. Jovens de até 35 anos estão muito mais familiarizados com o assunto. Em países como a Grécia, o índice chega a 68%, contra apenas 20% entre os maiores de 50 anos. Os homens, por sua vez, tendem a se declarar mais informados do que as mulheres, enquanto usuários que ficam conectados quase o tempo todo são os mais conscientes sobre a presença da IA no cotidiano.

Expectativas e temores

Em todos os países pesquisados, as preocupações superam o entusiasmo. Na média global, 34% das pessoas estão mais preocupadas do que empolgadas com a expansão da IA; 42% se dizem divididas entre expectativa e receio e 16% declaram estar mais animadas do que preocupadas.

O Brasil figura entre os países onde o temor é mais alto, empatando com EUA, Itália e Austrália. Já na Coreia do Sul, apenas 16% da população demonstrou preocupação. Os grupos mais cautelosos são compostos por pessoas mais velhas, mulheres, indivíduos com menor escolaridade e usuários menos frequentes da Internet.

Entre os mais jovens, o cenário se inverte. Em Israel, 46% dos adultos com menos de 35 anos disseram estar mais animados do que preocupados, ante 15% entre os mais velhos. A pesquisa também mostra que quem tem mais contato com a tecnologia tende a vê-la com mais otimismo.

Confiança em regulações soberanas

O estudo aponta que a maioria das pessoas confia mais em seus próprios países para regular o uso da IA do que em potências estrangeiras. A confiança é especialmente alta na Índia (89%), Indonésia (74%) e Israel (72%), e muito baixa na Grécia (22%). No caso brasileiro, pouco mais da metade dos entrevistados disse confiar no país para regular adequadamente o tema.

Em seguida, a União Europeia (UE) aparece como a referência internacional de maior credibilidade, com 53% dos entrevistados expressando confiança em sua capacidade regulatória, bem mais do que os 37% que confiam nos EUA e os 27% que confiam na China.

A confiança, no entanto, varia segundo o posicionamento político e o grau de escolaridade. Europeus ligados a partidos populistas de direita e pessoas com menor formação tendem a desconfiar mais das instituições supranacionais. Já os indivíduos mais instruídos e com visões favoráveis à integração europeia são os que mais acreditam na efetividade da regulação.



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