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Thais Lamas da Claro à esquerda, Bruna Costa da Nubank ao centro e Rodrigo Duclos da Claro no palco ao fundo, em feira lotada com telão e iluminação em neon. Da esquerda para a direita: Thais Lamas (Claro), Bruna Costa (Nubank) e Rodrigo Duclos (Claro) (Foto: Marden Matos / Divulgação)

NuCel transforma parceria entre Claro e Nubank em laboratório de inovação para telecom

5 minutos de leitura

Operadora virtual inova em modelos de atendimento, automação, portabilidade e integração de serviços, gerando aprendizados para outras operações dos grupos



Por Rodrigo Conceição Santos em 15/06/2026

De um Web Summit para o outro, a parceria entre Claro e Nubank para a criação do NuCel saiu da etapa de lançamento para se consolidar como produto e uma espécie de laboratório de inovação e incremento processual para as duas empresas. Em painel dedicado ao assunto ontem (11), especialistas explicaram como novas abordagens em áreas como experiência do cliente, automação, inteligência artificial e integração entre telecomunicações e serviços financeiros aconteceram e estão evoluindo para agregar tanto à Claro quanto ao Nubank.

Bruna Costa, diretora de Produtos do Nubank, resgatou a história da instituição financeira para contextualizar como a operadora móvel virtual (MVNO) NuCel nasceu. “O Nubank nasceu com a missão de empoderar as pessoas e combater a complexidade do setor financeiro, mas entendemos que outros setores também poderiam se beneficiar dessa lógica, e percebemos que telecomunicações tem uma muita sinergia com nosso ecossistema”, disse. 

Bruna Costa, diretora de Produtos do Nubank, participa de painel em evento com microfone na mão, sentada em poltrona ao lado de outras pessoas e copos sobre mesa.
Bruna Costa, diretora de Produtos do Nubank (Foto: Marden Matos / Divulgação)

As similaridades foram confrontadas com os problemas do setor que, surpreendentemente, não estavam relacionados à qualidade do serviço, em sua maioria. Segundo Bruna, sete de cada dez reclamações de empresas de telecomunicações nessa fase de pesquisa do Nubank eram sobre contas, atendimento e outros assuntos distantes da infraestrutura de rede que são o core do negócio. “Por isso procuramos um parceiro que pudesse entregar a robustez de conectividade – que é fundamental – enquanto nós poderíamos agregar o jeito Nubank de construir produtos”, disse Bruna Costa. 

A Claro já vinha ampliando seus investimentos em canais digitais e acumulando aprendizados com iniciativas como o Claro Flex nesse momento e, segundo Thais Lamas, Head MVNO e novos negócios da Claro, a avaliação interna era que a evolução da experiência do cliente exigiria uma combinação entre autonomia digital e capacidade de operação em larga escala.

Thais Lamas, Head MVNO e novos negócios da Claro, posa sorridente ao lado de outro participante em evento, em ambiente com fundo vermelho e crachá de identificação.
Thais Lamas, Head MVNO e novos negócios da Claro (Foto: Marden Matos / Divulgação)

“Chegou um momento em que a Claro também estava mergulhando com mais profundidade na transformação digital. O cliente buscava mais autonomia e queria resolver tudo de forma simples. Conseguimos unir esse movimento ao que o Nubank já fazia muito bem. O resultado foi combinar esse jeito Nubank de construir produtos com a robustez que a Claro desenvolveu operando uma rede nacional em um país das dimensões do Brasil”, disse Thais.

Parceria mudou a forma de construir produtos

Para Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer da Claro, o NuCel também representa uma nova etapa para o mercado brasileiro de operadoras móveis virtuais. Segundo ele, tentativas anteriores enfrentaram dificuldades para atingir escala e sustentabilidade econômica, mas o amadurecimento dos modelos de negócio e a evolução das capacidades digitais das operadoras abriram espaço para uma nova geração de iniciativas.

Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer da Claro, participa de um evento em palco, sentado em entrevista com microfone na mão, enquanto pessoas assistem ao fundo.
Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer da Claro (Foto: Marden Matos / Divulgação)

“O negócio de MVNO é diferente. Quando pensamos em retomar esse modelo, anos depois das primeiras tentativas, já existia um entendimento melhor dos aspectos econômicos envolvidos. A Claro tinha avançado muito na construção de capacidades digitais e o Nubank chegou complementando essa jornada. Foi essa combinação que tornou a parceria diferente”, disse.

As duas empresas decidiram organizar o projeto como uma estrutura integrada desde as primeiras etapas de desenvolvimento. A proposta era reunir profissionais de especialidades diferentes em torno de um objetivo comum, para criar uma dinâmica de trabalho capaz de acelerar decisões e simplificar processos. “No primeiro dia de operação definimos que seríamos um único time e teríamos um único sonho: criar a maior MVNO do mundo. Cada empresa trouxe suas especialidades, mas todos trabalhamos para o mesmo objetivo”, lembrou Thais.

O modelo permitiu que a primeira linha NuCel fosse ativada em menos de seis meses. Já a expansão da operação ocorreu de forma gradual, acompanhando a evolução da experiência do cliente.

Na avaliação de Duclos, o foco na experiência do cliente ajudou as equipes a tomar decisões difíceis ao longo da construção do projeto. “Foi um dos poucos projetos que vi serem entregues dentro do prazo e do orçamento previstos”, disse. “Quando fui conversar com as equipes para entender por que isso aconteceu, ouvi várias vezes a mesma resposta:  ‘o foco no cliente ajudou a definir o que realmente era importante e o que poderíamos abrir mão. E abrir mão costuma ser uma das partes mais difíceis de qualquer projeto”, avaliou.

Bruna explicou que todo desenvolvimento de produto vive a relação entre escopo, tempo e qualidade. “Neste projeto, decidimos que não abriríamos mão nem da qualidade nem do prazo. Então optamos por ajustar o escopo e sequenciar as entregas”. 

Por isso o NuCel começou apenas com oferta de chip virtual, e com foco nos clientes com cartão de crédito Nubank. “Depois avançamos para clientes com conta e, posteriormente, para oferta de chip físico, que inclui questões logísticas mais complexas”, revelou.

A preocupação com a experiência do cliente se manteve, mesmo depois de conquistar milhares de usuários. Thais lembrou que a expansão da base chegou a ser desacelerada temporariamente para permitir a investigação de problemas de conectividade identificados pontualmente. “Tudo isso para garantir que os ajustes fossem realizados antes de conquistarmos novos clientes”, disse.

Aprendizados de um laboratório de inovação

A evolução gradativa do NuCel aconteceu em diferentes frentes, inclusive na oferta de portabilidade, algo que costuma ser complexo para o usuário, mas que faria diferença na retenção dos clientes da MVNO. “Embora seja um processo amplamente conhecido pelo setor de telecomunicações, identificamos que parte da insatisfação dos clientes estava associada à falta de visibilidade sobre o andamento do processo, e não necessariamente à migração em si”, disse Bruna.

Ela contextualizou que o número do celular é, hoje, como uma “identidade digital”, vinculado à chave Pix, aplicativo de mensagem, processos de autenticação e a outros pontos da vida digital do cliente. “

A revisão da jornada levou à criação de mecanismos para tornar cada etapa mais transparente para o usuário. Segundo a Thaís, da Claro, isso fez com que as reclamações relacionadas à portabilidade caíssem 66% no NuCel. “E esses avanços vão além da MVNO, pois, como parte da Claro, os processos desenvolvidos servem de referência para outras iniciativas da companhia”, disse.

Tínhamos uma operação muito reativa e estamos transformando essa estrutura em uma operação mais preditiva. Estamos nos tornando mais intolerantes ao erro. E aquilo que aprendemos dentro do NuCel não fica restrito ao Nucel. Estamos expandindo essas práticas para outros clientes e outras áreas da companhia”, contou Thais.

Da telefonia ao ecossistema digital

Os aprendizados gerados pela parceria também influenciaram a forma como os serviços foram estruturados. Em vez de tratar a telefonia como uma oferta isolada, as empresas optaram por integrar a gestão do plano à experiência já existente dentro do aplicativo do Nubank.

“O cliente tem toda a experiência do NuCel dentro do aplicativo do Nubank. A administração do plano está integrada à vida financeira dele também, e isso abre espaço para conectar outros serviços ao longo do tempo”, disse Bruna.

Para Duclos, a proposta amplia o papel tradicional de uma operadora virtual ao passo que o cliente do NuCel não contrata apenas um plano. “Ele passa a fazer parte de um ecossistema de produtos conectados”, definiu.

A integração entre conectividade e serviços financeiros também deu origem a benefícios exclusivos para os clientes da MVNO, como caixinhas com rendimento de 120% do CDI.

Outra iniciativa surgiu a partir de um comportamento que o Nubank já observava entre seus usuários: a criação de reservas para situações inesperadas. “O cliente cria reservas para viagens ou emergências porque não quer ser pego de surpresa. Em telecomunicações acontece algo parecido. Ele pode consumir toda a franquia assistindo streaming, mas ainda precisa de internet para pedir um carro por aplicativo ou resolver alguma situação importante. Foi então que nasceu a feature Reserva de GB”, explicou Bruna.

Thais completou que essa iniciativa foi desenhada para funcionar de forma automática. Ou seja: “o cliente não precisa fazer nada. A plataforma identifica quando a franquia de dados acabou e disponibiliza essa reserva automaticamente”.

No backoffice, inovações baseadas em inteligência artificial também foram integradas, sempre com a diretriz de resolver problemas dos clientes. Nesse aspecto, uma aplicação destacada pelos especialistas envolvidos no NuCel foi criada para ajudar as equipes internas a reconstruir mais rapidamente o histórico de ocorrências relatadas pelos clientes.

Com a evolução dos modelos, a ferramenta deixou de apenas reunir informações e passou a sugerir ou executar ações corretivas, como reprocessamento de fluxos e abertura de chamados para investigação. 

Com esses exemplos, o NuCel vem se confirmando tanto como um negócio de MVNO rentável e próspero quanto em um ambiente de inovação de processos, tecnologias e modelos de atendimento que começam a influenciar outras áreas da Claro e do Nubank. 



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