Imagem conceito de pessoas montando um quebra-cabeça para ilustrar a ideia de cocriação

Por que a cocriação é necessária para a inovação?

4 minutos de leitura

Empresas podem investir em cocriação ao fechar parceria com diversos players no mercado para manter a competitividade durante a transformação digital.



Por Redação em 11/05/2020

Empresas podem investir em cocriação ao fechar parceria com diversos players no mercado para manter a competitividade durante a transformação digital.

A Indústria 4.0 exige alguns desafios: da mudança de cultura à adoção de tecnologias que vão gerar novos processos, produtos e serviços. No entanto, essa transformação digital demanda uma velocidade que muitas empresas não estão prontas. Por isso, a cocriação é essencial para a inovação.

O motivo é que muitas organizações da indústria não possuem uma área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para criar possíveis soluções e validá-las no ambiente corporativo. Ainda mais quando líderes esperam obter um retorno mais rápido dos investimentos feitos.

Somado a isso, dependendo do porte da empresa, gestores de TI e de negócios buscam desenvolver e fornecer soluções integradas de forma independente, econômica e eficaz. Porém, o cenário atual de pandemia indica que parcerias podem ir além dos modelos tradicionais de inovação.

Em outras palavras, ser uma empresa dentro da Indústria 4.0 demanda olhar para além dos processos internos. Essa inovação colaborativa, como destaca a consultoria Deloitte, é o que vai levar o negócio além das restrições orçamentárias, garantindo receitas e competitividade.

Por que a cocriação é importante na Indústria 4.0?

No mercado atual, cada vez menos organizações podem confiar exclusivamente em um processo interno de P&D para gerar inovação. Por isso, adotar e desenvolver um ecossistema de inovação cooperativa se torna crítico para gerar valor para todas as partes envolvidas.

Um exemplo é a Bosch. Para acelerar a inovação dentro da organização, além do setor de P&D, a multinacional alemã criou um ecossistema de startups, priorizando a criatividade dos colaboradores. Essa cocriação interna permitiu o desenvolvimento e adoção ágil de soluções nos processos.

Claro, este foi o modelo adotado pela Bosch para impulsionar a inovação. No entanto, isso não impede que a sua empresa procure parcerias com outras companhias ou startups de diversos mercados e para diferentes fins.

Quando você está aberto a fechar parcerias para inovar, algumas vantagens são bem perceptíveis. O primeiro deles é que os produtos e serviços vão ser centrados nos clientes (B2B ou B2C), gerando maior valor e menor risco de falhas.

Outros benefícios são:

  • Cronograma: cocriação fornece ciclos mais rápidos de desenvolvimento de produtos, resultando em menor tempo de execução do conceito até o lançamento no mercado.
  • Acessibilidade: a parceria vai te permitir acesso aos recursos da outra empresa para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
  • Reputação: inovação colaborativa vai permitir que o seu negócio entre em novos mercados que, sozinho, você encontraria dificuldades de penetração. Isso vai permitir atrair novos consumidores para a sua empresa.

Os desafios da inovação colaborativa

A transformação digital é uma jornada sem data prevista para acabar. No entanto, se você já deu esses primeiros passos, sabe bem que o tempo de ciclo das inovações tecnológicas tem diminuído cada vez mais.

Por isso, é essencial explorar novas maneiras de inovar, incluindo parcerias estratégicas, laboratórios de pesquisa e centros conjuntos de inovação. Até porque, atualmente, as empresas costumam ter várias alavancas que podem usar para apoiar o desenvolvimento de produtos.

É preciso pensar também que: em uma abordagem somente interna você terá maior controle do que é desenvolvido. Porém, isso vai exigir um maior esforço para manter uma vantagem competitiva, porque será necessário um time experiente e maior tempo para lançar a solução.

Quer saber mais sobre os outros desafios de cocriar para inovar?

  • Velocidade: desenvolver uma solução por conta própria vai exigir pesquisa e desenvolvimento internos, aumentando o tempo de entrega do projeto.
  • Talento: encontrar ou reter talentos qualificados para recursos emergentes pode aumentar ainda mais o gap de desenvolvimento de uma solução.
  • Investimento: sua empresa precisa lidar com investimentos em outras áreas. Então, como evitar uma restrição orçamentária?
  • Burocracia: processos tradicionais exigem aprovação em várias camadas. Isso dificulta uma toma de decisão mais ágil e na velocidade de entrega.

Com quem e como impulsionar a cocriação?

“O que meu parceiro deseja e como ele pode se beneficiar com a minha empresa?”. Talvez essa seja uma das perguntas que você deva fazer ao decidir investir na cocriação. O primeiro passo é identificar quais lacunas existem e que impedem a inovação no seu negócio.

Feito isso, é hora de identificar quem vai apoiar suas necessidades: clientes, fornecedores, concorrentes, instituições acadêmicas, agências governamentais, empresas privadas. Já viu como as opções para inovar são grandes?

Definido o parceiro, a colaboração para o desenvolvimento de uma solução pode ser resumida em três etapas:

  • Descoberta: envolve a criação da estratégia de produto, pesquisa de inteligência de mercado, insights sobre consumidores e concorrência.
  • Design: desenvolvimento e design do produto, da experiência do usuário, estudos sobre precificação e arquitetura e infraestrutura tecnológica da solução.
  • Lançamento: definição da estratégia de lançamento, gerenciamento da solução, comercialização e marketing.

Embora a cocriação seja um multiplicador de forças para inovar em um ambiente da Indústria 4.0, a probabilidade de sucesso depende do ambiente certo.

Ou seja, questões como governança, monetização, cultura organizacional, infraestrutura devem estar alinhadas entre todos os players envolvidos na cocriação de produtos, soluções e serviços.

De fato, a pandemia do coronavírus acelerou a transformação digital em diversas empresas. Porém, inovar sozinho talvez não traga tantos benefícios assim. Por isso, apostar num ecossistema de parcerias pode manter o seu negócio competitivo no cenário atual.

Principais destaques desta matéria

  • Cocriação pode acelerar transformação digital nas empresas.
  • Inovação colaborativa permite o desenvolvimento e a adoção ágil de soluções.
  • Parceria com outros players do mercado é essencial durante a pandemia do coronavírus.


Matérias relacionadas

Kathleen Woodard em palco durante apresentação em evento corporativo, com telões exibindo slides e mensagem sobre novos diferenciais competitivos e Era da IA. Inovação

Bancos entram na era dos agentes de IA, mas confiança e julgamento humano seguem como diferenciais

Kathleen Woodard, da Microsoft, afirma que instituições financeiras estão deixando a fase de testes para incorporar dados, conhecimento e processos a plataformas de IA em escala

Palestra no evento FEBRABAN TECH com Silvia Bassi, Daniel Augusto Falbi, Estevam Carvalho e Wladimir Silva em um painel, telão com o tema “Do data center ao cluster de IA: infraestrutura, automação de o novo core bancário”. Inovação

IA leva bancos a redesenhar infraestrutura e perfil dos profissionais de tecnologia 

Painel no Febraban Tech 2026 mostra como IA leva bancos a repensar data centers, nuvem e automação e amplia a demanda por novas competências nas equipes de tecnologia

Carolina Duca, Luiz Faray e Rodrigo Schiavini em palco durante evento com telões de apresentação e painel de slides, em conferência corporativa Inovação

Da orquestração à autonomia: IA exige novas competências em tecnologia de mídia

Painéis da SET Expo 2026 discutem como inteligência artificial, dados e observabilidade estão transformando as operações de mídia, exigindo novos modelos organizacionais, novas lideranças e maior integração entre tecnologia e negócio

Prof. Dr. Adriano Adoryan, Kensuke Hisatomi, Cristiano Akamine e Sung-Ik Park Inovação

Pesquisador sul-coreano defende radiodifusão como infraestrutura de dados e comunicações críticas

Líder de projeto do ETRI defende integração entre broadcast, 5G e satélite para atender aplicações como veículos autônomos, datacasting, downloads em massa e comunicações de emergência