Líder em cenário de incerteza trabalhando com foco utilizando laptop em ambiente de escritório moderno com vista urbana ao fundo. Imagem gerada digitalmente

Pessoas estão no centro das incertezas e das possibilidades de adaptação

3 minutos de leitura

Em um cenário marcado por imprevisibilidade e resistências naturais, liderança e colaboração definem resultados diante de transformações rápidas, diz futurista



Por Redação em 23/12/2025

Em ambientes dominados por incerteza estrutural, interdependência e contradições, adaptar-se deixa de ser opcional. No podcast Próximo Nível, o cientista-chefe da TDS.company e professor da UFPE e FGV, Sílvio Meira, descreve, de forma realista e pragmática, os fatores relacionados à perplexidade e às resistências das pessoas que experimentam de diferentes formas as transformações.

“Ao contrário do que muita gente pensa, os humanos não querem ser desafiados o tempo todo. É muito pequena a parcela que se desafia a continuar aprendendo o tempo todo; que fica sempre preocupado com o fim de alguma coisa e o começo de uma outra”, constata o cientista. “Normalmente, o que dizem ‘isso aqui vai acontecer e vai mudar tudo’ são classificados como apocalípticos pela maioria das outras pessoas, que não querem que aquela coisa mude. Quem aprendeu a gerir empresas, e entende tudo de planilha, KPIs, dashboards e OKRs e todo o repertório que a gente hoje nas organizações, pode ter muitas de suas funções feitas pelas IAs de hoje. Isso muda o que significa pensar, o que significa escrever, o que significa sistematizar, o que significa entender, criar e decidir. E obviamente, as pessoas não querem ver”, observa Meira.

Entre os mecanismos de resistência, as transformações profundas tendem a ser interpretadas como falta de planejamento. O professor avalia que essa reação seja previsível. Pessoas constroem identidade profissional, rotinas e sensação de controle a partir de modelos conhecidos. Quando esses modelos entram em colapso, o impulso natural é preservar o que ainda parece estável.

Meira aponta que, em sistemas altamente interdependentes, essa dificuldade de compreender impactos amplia o comportamento defensivo. “A gente tem que aprender a viver no mundo de interconexões, de interdependência e de contradições”, afirma. Resistir, nesse contexto, não significa rejeitar a tecnologia, mas tentar ganhar tempo diante de um ambiente que parece mudar rápido demais.

Lideranças entre controle e aprendizado

Liderança em ambiente de trabalho promovendo aprendizado contínuo e diálogo, destacando a importância de atravessar a resistência na gestão.
Imagem gerada digitalmente

Se a resistência é parte da equação, o papel das lideranças deixa de ser o de eliminar a incerteza e passa a ser o de criar condições para atravessá-la. Em vez de respostas definitivas, líderes precisam sustentar processos de aprendizado contínuo, experimentação e diálogo.

Esse deslocamento implica abrir espaço para caminhos paralelos, aceitar contradições temporárias e legitimar o erro como parte do processo. Liderar, nesse cenário, é menos conduzir por certezas e mais organizar a convivência com o desconhecido.

A avaliação do acadêmico e consultor converge com a experiência em organizações que lidam há anos com processos mais radicais de transformação. Para o diretor de inovação da Claro empresas, Rodrigo Duclos, a incerteza associada aos cisnes vermelhos torna os limites da previsão ainda mais evidentes. Segundo ele, a experiência acumulada pela companhia mostrou que movimentos como a transformação digital, e a inteligência artificial, são fundamentalmente dependentes das pessoas. “O que aprendemos é que essa transformação é, antes de tudo, dependente dos talentos, do jeito que esses interagem e colaboram entre si, e de como a liderança da empresa se estrutura e se comporta em relação a essas pessoas”, conta. “A tecnologia, nesse cenário, funciona como meio, não como motor isolado”, acrescenta.

Essa centralidade na criatividade e nas escolhas feitas pelas pessoas como fatores determinantes na capacidade de adaptação a novos cenários contrasta com as perspectivas apocalípticas de substituição em massa de profissionais pela IA. E essa avaliação ponderada tem base em fatos. Uma pesquisa recente da Gartner indica que apenas 20% dos líderes de atendimento ao cliente reduziram efetivamente seus quadros por conta da tecnologia. A maioria manteve equipes estáveis, mesmo atendendo volumes maiores de clientes, usando a IA como ferramenta de eficiência.

O estudo também mostra que 42% das organizações estão contratando novos perfis especializados, como estrategistas de IA e analistas de automação. O próprio Gartner projeta que, até 2027, metade das empresas que hoje preveem grandes cortes deve abandonar esses planos.

Vetores inusitados da transformação

A diversidade de caminhos e curvas de adoção de novas tecnologias e hábitos foi ilustrada no podcast por uma história pessoal do apresentador, o jornalista Luiz Pacete. Durante muito tempo, para sua mãe, internet era praticamente sinônimo de WhatsApp. Interessado na compra de um presente para si mesmo, o neto, de 6 anos, a ensinou a usar o TikTok Shop. “Ela se digitalizou pelo WhatsApp durante a pandemia por uma questão de sobrevivência. Hoje, a minha mãe de 75 anos, que por mais de 50 anos era uma cliente fiel de uma rede varejista, com o seu carnê, indo à loja, está no e-commerce. Ela foi introduzida ao TikTok Shopping pelo meu sobrinho de 6 anos”, conta o jornalista. “É ou não é um cisne vermelho?”, indaga.

Nesse caso, a virada ocorreu por um motivo eventual. Entrar no e-commerce, não foi uma decisão estratégica nem um interesse por inovação, mas uma resposta prática a um contexto pessoal. A tecnologia passou a fazer sentido quando se conectou à vida real.



Matérias relacionadas

Mulher sorridente sentada em carro autônomo, destacando tecnologia de veículos autônomos e direção automatizada. Inovação

Direção autônoma pode ganhar espaço, mas esbarra em custo, demanda e regulação

Montadoras aceleram sistemas “eyes-off”, enquanto Uber aposta em robotáxis autônomos. No mercado brasileiro, a complexidade do trânsito e a regulação são entraves

Placa do evento da outh Summit em Porto Alegre Inovação

South Summit Brazil destaca IA, sustentabilidade e novos modelos de negócio

Evento realizado em Porto Alegre reuniu 24 mil participantes de 70 países e ampliou conexões no Cais Mauá

Imagem ilustrativa de inteligência artificial sob demanda com mãos robóticas trocando uma peça de LEGO que forma uma lâmpada, símbolo de inovação tecnológica. Inovação

IA sob demanda ganha destaque como facilitadora de projetos

Oferta pioneira permite agilidade e flexibilidade financeira para viabilizar iniciativas de IA com menor risco, em modelo baseado no uso sob demanda de GPUs e suporte certificado pela NVIDIA

Rodrigo Assad, diretor de inovação e produtos B2B da Claro empresas Inovação

Claro e AWS levam estrutura da nuvem para onde as operações industriais acontecem

Parceria anunciada no MWC leva pontos da nuvem aos locais de coleta de dados e automações, com redução de latência, custos e riscos operacionais

    Embratel agora é Claro empresas Saiba mais