arquitetura as a service no broadcast Da esquerda para a direita: Marcelo Bossoni, Marcelo Fontana, Carlos Cesar Abrahão e Eduardo Taboada (Foto: Vanderlei Campos)

Multicloud de competências: tecnologia transforma operação e ROI de broadcast

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Arquitetura “as a service” se estende a fluxos de colaboração, levando talentos dos times corporativos a cada operação local.



Por Vanderlei Campos em 25/08/2025

Com suas atuais estratégias de renovação dos recursos tecnológicos, a aproximação das emissoras ao modelo das empresas genuinamente digitais vai além da base tecnológica. Enquanto as novas soluções em nuvem para broadcast (nas quais em vez de se operar um equipamento específico se trabalha em uma tela da aplicação) permitem o compartilhamento de recursos técnicos, se desenvolvem desenhos mais ágeis e dinâmicos de colaboração.

No painel Produção centralizada: inovando e otimizando a arquitetura, a operação e a forma de produzir, na SET Expo 2025, Marcelo Bossoni, diretor de tecnologia para produção de conteúdos; Marcelo Fontana, gerente de tecnologia, ambos da Globo, e Carlos Cesar Abrahão, diretor de Projetos Estratégicos e Serviços na Savana Comunicações (após quase 30 anos na emissora), traduziram a  virtualização do ambiente de produção em experiências e resultados de redução de custos, agilidade e qualidade de conteúdo local. O painel contou ainda com a mediação de Eduardo Taboada, gerente de operações do SBT.

“Saímos de ambiente com hardware especializado e migramos para um mundo definido por software”, resumiu Fontana. Ele contou que 38 controles (equipamentos para funções específicas) dispersos em sete localidades foram convertidos em aplicações em nuvem, acessíveis em todos os pontos com conexão.

Além da facilidade de acesso, tornar as funcionalidades independentes de hardware dedicado, e distribuído fisicamente, abrevia e generaliza os ciclos de atualização. “Se o desenvolvedor acrescenta funcionalidades ao produto, não precisamos esperar a remessa de um novo equipamento”, mencionou o diretor de tecnologia.

Carlos Abrahão destacou que a flexibilidade abre a prospecção de soluções mais eficientes e inovadoras. “Muitas vezes, aplicações de entrantes trazem funcionalidades mais adequadas à operação, a um custo menor”, constatou. Além de rodar em uma instância da nuvem (o que dispensa a aquisição de hardware dedicado), os produtos nativos desse novo ambiente já nascem com conexões e APIs de integração.

Fontana afirmou que já se verificam resultados expressivos em agilidade, qualidade e eficiência operacional. “Aceleramos a produção e o retorno de investimentos. Um servidor que adquirimos no ano passado já foi reconfigurado para três aplicações”, exemplificou. 

Workflow com recursos de toda a rede

“Hoje, podemos aumentar e sofisticar a produção local sem multiplicar os investimentos fixos”, disse Marcelo Bossoni. Ele lembrou que, além da possibilidade de contratar capacidade em nuvem, o gerenciamento centralizado aumenta o aproveitamento dos recursos locais já instalados. Em unidades com boa conexão, capacidade não utilizada é liberada e se cria um ambiente de recursos plenamente compartilhados. “Tudo isso funciona com uma camada de orquestração, que automatiza o uso e reúso de capacidade”, esclareceu Abrahão.

A partir das tecnologias de conectividade, nuvem e ferramentas para redes de emissoras hiperconectadas, se redesenham também as interconexões entre os profissionais. “Objetivo é levar o potencial de todos os recursos e profissionais em qualquer lugar. Posso alocar um sonoplasta em São Paulo no time de uma produção em Pernambuco”, exemplificou.

Transição e gaps

Embora a virtualização de controles já tenha alavancado o trabalho nas localidades, evidentemente nem todos os centros realizarão as megaproduções. Na prática, foram definidos quatro pacotes de configuração (chamados de tier 1 a 4), com conjunto de funcionalidades compatível com as condições de conectividade, capacidade de endpoints e outros recursos locais.

Marcelo Fontana destacou a facilidade de utilização de nuvem pública e privada, conforme critérios técnicos e econômicos em cada caso. “Em um primeiro momento, vamos manter as configurações de tier 1 e tier 2 em nuvem privada. Há ainda limitações de conectividade e na nuvem privada a latência é zero”, mencionou.

Para obter essa flexibilidade em relação a tecnologias, fornecedores e modalidade de investimento (aquisição, licenciamento ou subscrição, por exemplo), o fundamento foi migrar todo o tráfego de vídeo para IP, processo iniciado em 2016.

Segundo o gerente de tecnologia, os aspectos referentes à tecnologia e padrões de integração estão relativamente avançados. Todavia, ainda há espaço para os provedores melhorarem sua própria eficiência. “Os modelos comerciais dos fornecedores ainda não são maduros”, disse Fontana. “Esse é o maior desafio. Quando seis diárias de PaaS e SaaS equivalem ao preço do equipamento, a conta não fecha”, acrescentou Bossani.



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