gen ai idc Diego Anesini e Luciano Saboia

Mercado global de GenAI alcançará US$ 143,1 bilhões em 2027

3 minutos de leitura

Previsão é da IDC, que destaca o potencial da tecnologia em vários segmentos de negócios, inclusive na gestão pública



Por Redação em 09/11/2023

A inteligência artificial (IA) já vem sendo estudada há muito tempo, bem antes do hype da IA Generativa (GenAI). No entanto, como lembra Luciano Saboia, diretor de Telecomunicações para a América Latina da International Data Corporation (IDC), a GenAI tornou essa tecnologia mais “tangível” para a grande maioria das pessoas. 

“Acompanhamos o desenvolvimento da IA há anos, incluindo todos os recursos necessários para que ela seja viável: softwares, máquinas para o processamento, nuvem e conectividade, por exemplo”, disse ele. “Mas, o tema se popularizou, principalmente com a chegada do ChatGPT, e muitas pessoas começaram a fazer experiências, conhecer o potencial da tecnologia”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Próximo Nível.

Segundo Saboia, o mercado global de GenAI vai investir US$ 15,9 bilhões em 2023, e alcançará US$ 143,1 bilhões em 2027, em soluções de GenAI. Conforme estudo da IDC, os investimentos nesse segmento, tanto no Brasil quanto na América Latina, estão em terceiro lugar no ranking de prioridades tecnológicas do setor corporativo, perdendo apenas para investimentos em cibersegurança e gestão de serviços de TI (Managed Services). Inclusive, o crescimento composto no período de 2023 a 2027 é correspondente a 73,3%. “Nenhuma outra tecnologia cresce a essa taxa”, disse Saboia.

“Este estudo foi elaborado com base em pesquisa realizada no início de 2023, o que demonstra que as organizações já tinham interesse no segmento, mesmo antes do momento atual”, pontuou. “Podemos dizer que, sim, hoje observamos maior curiosidade e iniciativas focadas no tema, mas a IA não é novidade e já vem sendo utilizada de forma prática por empresas de diversos segmentos”, completou Saboia.

Aplicações da GenAI

genai idc

Os casos de uso, segundo Diego Anesini, vice-presidente de Data & Analytics (D&A) da IDC, são diversos. “A perspectiva é de que as empresas, cada vez mais, usem a IA generativa em diversas áreas, desde o atendimento aos clientes, com potencial de melhorar a experiência dos consumidores, até na criação de algoritmos e códigos para softwares”, exemplificou. 

Segundo Anesini, o potencial da tecnologia é amplo. Existe possibilidade de uso nas áreas de recursos humanos, vendas, atendimento aos clientes, desenvolvimento de produtos, aumento da segurança, entre outros. “Hoje já observamos, por exemplo, o uso no mercado financeiro, para análise de crédito e score financeiro. Mas existem inúmeras possibilidades para a tecnologia. O desafio é usar dados corretos de forma ética”, ressaltou. 

Os especialistas citaram, dentre outros casos, o uso de IA em eventos, com um “palestrante virtual”, alimentado com informações do trabalho e pesquisas acadêmicas publicadas pelo próprio autor. Eles também aventaram a possibilidade de criação de produtos customizados, conforme pesquisas de interesse dos consumidores.

“As possibilidades são diversas e a responsabilidade é grande, pois os dados a serem utilizados pela IA precisam ser corretos e sem qualquer viés de discriminação”, ponderou Saboia. 

A gestão pública, segundo os representantes da IDC, também já está sendo beneficiada com o uso da IA. “O governo precisa prover questões de segurança de dados, ao mesmo tempo em que faz o correto atendimento ao cidadão. As iniciativas digitais estão cada vez mais presentes, habilitando o atendimento de várias necessidades dos cidadãos, desde documentos digitais até o acesso a água e energia”, explicou. 

Saboia destacou que as discussões sobre regulamentação do uso ético de IA estão acontecendo globalmente, mas ainda não há uma legislação específica. “Por isso, o fator humano ainda é preponderante, pois, quem ‘alimenta’ o sistema de dados usado pela inteligência artificial, são as pessoas. A IA ‘aprende’ pela repetição de padrões de comportamento e informações já registradas”, disse. 

De qualquer forma, o avanço das aplicações de IA está sendo rápido e Saboia ressalta que não se trata de uma coisa momentânea. “Temos muitos estudos no segmento e entendemos que essa é uma tendência já consolidada em vários segmentos e países. A GenIA não é passageira ou um exagero. Fornecedores de tecnologia, como a Embratel, podem levar isso a seus clientes por meio de alianças e parcerias, mostrando o quanto a IA pode agregar em termos de produtividade, eficiência e segurança, por exemplo”, ressaltou. 

A IDC espera que os investimentos no setor aumentem nos próximos anos, à medida que as organizações deixem de lado a fase de experimentação para o uso de fato da GenIA. A perspectiva é de que, até 2035, ocorram avanços significativos no segmento, com criação de novos postos de trabalho. “A inteligência artificial poderá substituir tarefas repetitivas, mas novas profissões surgirão, para lidar com as singularidades da tecnologia. Para ter uma boa resposta da IA, é preciso, dentre inúmeros aspectos, saber o que perguntar, por exemplo”, destacou. 



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