Marco legal de data centers Imagem gerada por Inteligência Artificial

Marco legal de data centers pode pavimentar mercado de R$ 2 trilhões em dez anos

3 minutos de leitura

Regulamentação deve acontecer via edição complementar de legislação no Executivo e Congresso



Por Redação em 09/06/2025

O crescimento dos data centers apresenta números expressivo, segundo o Boston Consulting Group (BCG). Os dados da consultoria indicam que os investimentos mundiais nessa área devem somar US$ 1,8 trilhão até 2030. 

Um ponto de atenção é que esses centros de processamento de dados consomem cerca de 2% da energia produzida no mundo, sendo que essa demanda cresce na taxa de 12% ao ano, agora impulsionada pelo uso da inteligência artificial (IA). 

Os números citados mostram uma oportunidade única para os países que têm uma produção significativa de energia a preços competitivos. Eles saem na frente em termos de atratividade como sede de data centers de grande escala. E mais: aqueles que apresentam uma matriz elétrica sustentável têm ainda mais chances de se posicionar na corrida global de investimentos. 

É exatamente a janela para em que o Brasil pode ganhar destaque. Os dados da Empresa de Planejamento Energético (EPE), que responde pelo planejamento do setor elétrico junto com o Ministério das Minas e Energia (MME), mostram que a geração brasileira de eletricidade deve ser 86,1% renovável em 2034. 

Para atrair os investidores, no entanto, o país precisa não só da garantia do fornecimento de energia barata e renovável, como também de segurança jurídica. Essa é a razão da iniciativa de criação de um marco legal para os data centers

Com a regulamentação, os especialistas acreditam que o mercado de data centers possa movimentar até R$ 2 trilhões em dez anos

Redata deve estabelecer marco legal de data centers

Marco legal de data centers
Imagem: Lubos Chlubny/ Adobe Stock – gerada por IA

Esse montante seria resultado principalmente da chamada Política Nacional de Data Centers (Redata), que atrairia investimentos pela sinalização de desoneração de 100% dos tributos federais no setor, além isenção total de tributos sobre exportações de serviços gerados nesse âmbito. Outro benefício seria a redução do imposto de importação para equipamentos de TI não fabricados no Brasil, mas usados pelo segmento. 

Em tempo: desde 2021, o país já teria emitido R$ 11 bilhões em debêntures na área de data center, mostrando que há fôlego em várias frentes de investimentos, inclusive no mercado de capitais. 

O marco legal de data centers pode acontecer de duas formas: pela via do executivo federal, por meio da edição de uma medida provisória (MP), ou ainda com a aprovação de projeto de lei (PL), no legislativo. As duas vias estão em andamento e podem ser complementares. 

No caso do legislativo, o PL 3028/24, que “dispõe sobre a regulamentação dos data centers de inteligência artificial”, é bastante aguardado pelo setor. 

Em seu estágio atual, o PL está na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado, nas mãos do relator, o senador Vanderlan Cardoso, depois de ter passado por vários estágios de discussão, inclusive audiência pública no final de maio de 2025. 

De acordo com a Agência Senado, o PL tem como objetivo garantir a segurança, a privacidade, a transparência, a eficiência energética e a responsabilidade no uso dessas tecnologias. A regulamentação estabelece obrigações para os data centers e seus operadores, além de medidas para garantir a eficiência energética e a sustentabilidade ambiental.

Na proposta do PL, duas definições precisam ser acompanhadas de perto, segundo avaliação do escritório Lefosse. 

A primeira delas é a caracterização de data center de IA, definido como “estrutura dedicada à centralização, interconexão e operação de equipamentos de tecnologia da informação e redes de telecomunicações, apta a fornecer serviços de armazenamento, processamento e transporte de dados, com os níveis necessários de recuperação e segurança para aplicações de IA”. 

Já o operador de data center de IA é definido “como a pessoa física ou jurídica responsável pela gestão e operação dessas estruturas”.

Entre as obrigações desse tipo de data center estão a garantia de segurança física e cibernética dos dados processados e armazenados, além da implementação de práticas de eficiência energética e sustentabilidade ambiental. 



Matérias relacionadas

Loja de varejo preço analisando produtos na prateleira, segurando embalagem e oferecendo atendimento ao cliente em supermercado. Inovação

Etiquetas eletrônicas aceleram a resposta do varejo às mudanças de preços

Tecnologia permite atualização de valores em tempo real, reduz custos operacionais e dá mais agilidade para responder às variações de demanda, inflação e concorrência

Profissional em ambiente corporativo cumprimenta com aperto de mãos enquanto sorri, simbolizando cooperação e negócios globais com foco em soberania e parceria entre pessoas e empresas. Inovação

Como a soberania fortalece a cooperação e os negócios globais

Semelhante ao GDPR e à LGPD, e com efeitos em maior escala, padrões de controle e responsabilidades sobre infraestrutura e dados dão base estável à criação e aprofundamento de serviços digitais

Torre de telecomunicações com antenas de transmissão no topo, estrutura metálica pintada em azul e vermelho contra céu azul, tecnologia de comunicação sem fio Inovação

Operadoras de telecom adotam o AI First para melhorar redes e a experiência do cliente

Da operação das redes ao atendimento, agentes de IA impulsionam uma nova fase da transformação digital nas telecomunicações

Martelo da justiça sobre uma base com gráfico financeiro em vermelho ao fundo, simbolizando tecnologia e dados para acelerar processos da Justiça, tema ligado à USP. Inovação

IA desenvolvida pela USP busca acelerar a Justiça sem comprometer dados sensíveis

Pesquisadores criam modelo voltado ao setor público que automatiza a classificação de processos, reduz custos operacionais e preserva a privacidade das informações judiciais