Luis Silva, CEO da Cloudwalk. (Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile)

IA geral: evolução está “em tudo”, mas precisa de educação

3 minutos de leitura

Conceito de IA geral mostra que, sem dados relevantes e diretrizes claras, a inteligência artificial pode perder seu propósito



Por Rodrigo Santos em 29/04/2025

Como acontece com qualquer tecnologia exponencial, é difícil para o cérebro humano prever até onde a evolução pode ir. Há cem anos, por exemplo, pensávamos que os avanços tecnológicos ocorreriam de maneira gradual, mas a realidade se mostrou bem mais acelerada. Hoje, a velocidade das mudanças é outra e Luís Silva, CEO da Cloudwalk, acredita que veremos, nos próximos cinco ou dez anos, evoluções equivalentes a 100 ou 200 anos em termos de impacto para a sociedade. Para ele, a inteligência artificial geral (AGI) estará no centro dessas mudanças e devemos, desde já, entender o que queremos passar de direcionamentos para ela.

“Quando falamos de IA geral, estamos falando de uma inteligência – no mínimo – comparada à do ser humano”, definiu Nico Andrade, Head de políticas da OpenAI para América Latina e Caribe.

Já Silva, da CloudWalk, prevê que os agentes de IA vão fazer praticamente tudo. E isso preocupa porque, no sistema educacional atual, não estamos ensinando as crianças a usar a IA, para começar com o exemplo da base.

Tanto Andrade quanto Silva estiveram no Web Summit Rio 2025 e palestraram sobre AGI. Com palavras diferentes, ambos defenderam que os sistemas vão repetir as nossas ações e, mais importante, os nossos valores. 

Inteligência também se ensina

O processo de ensinamento sobre inteligência artificial deve ocorrer tanto com nós, humanos, quanto com os sistemas. Ou seja: ao mesmo tempo em que aprendemos a lidar com as ferramentas, elas precisam ser abastecidas com dados relevantes e positivos para a sociedade, para que possam agir sobre esses parâmetros depois. “E isso se faz com três etapas”, disse Andrade. 

A primeira é o pré-treinamento, realizado com supercomputadores e já prevendo a etapa seguinte, do pós-treinamento. É nessa fase que se refina e reforça o modelo, de forma específica e com reforço e avaliação humana. “Isso tem salvaguardas, como proteções a favor das políticas da empresa criadora”, diz o executivo da OpenAi.

A terceira etapa é o ajuste final, oferecendo mais conhecimentos específicos para a ferramenta e aplicando testes internos e externos, “como se faz com um aluno”, definiu Andrade.

Nico Andrade, Head de políticas da OpenAI para América Latina e Caribe. (Foto: Ramsey Cardy/Web Summit via Sportsfile)

Como alunos, os agentes de IA estão aprendendo com as interações que temos com as máquinas, segundo Silva, da Cloudwalk. “Queremos que esses agentes nos ajudem, mas se os alimentarmos com conteúdos ou comportamentos inadequados, eles refletirão isso. Então, se consumimos um feed ou pesquisa com conteúdos negativos, os agentes de IA aprenderão esses padrões”, completou.

Ele defende que, como qualquer pensamento sobre inteligência, a IA geral precisa de propósito (inteligência com propósito). “Estamos apenas no começo da discussão sobre regulação de IA e todos os dados que utilizamos hoje alimentam esses sistemas. No futuro próximo, esses dados permitirão que os sistemas sejam autônomos e, novamente, eles serão o reflexo dos nossos valores, sejam eles positivos ou negativos”, disse.

A questão regulatória também impacta na democratização da IA, segundo o Nicolas Andrade, da OpenAI. A infraestrutura tecnológica do país também e, nesse aspecto, ele avalia que a América Latina tem potencial de liderança no Sul global, dada a sua riqueza de recursos para geração de energia elétrica renovável. “Em termos de democratização, o custo da tecnologia vai continuar caindo”, afirmou. Segundo ele, o gráfico comparativo do custo anual continua caindo a taxas de dez vezes, o que é bem superior ao de outras tecnologias e demonstra um movimento que deve perdurar.

Alô IA

Os primeiros ‘parques’ de AGI estão em plataformas como o DeepSeek e o GPT, segundo Silva, que sugere um teste para comprovar a máxima: “peça que essas tecnologias escrevam uma carta para o seu ‘eu’ do futuro e ficará surpreso com a profundidade emocional e intelectual que eles podem aplicar nesses textos, por exemplo”, disse.
A AGI, portanto, não é algo que “está vindo”, mas sim que está “se tornando” e a fintech brasileira Cloudwalk trabalha nessa direção. Com mais R$ 2,7 bilhões em receita em 2024, a empresa tem duas principais plataformas: o InfinitePay e o JIM, e as tem impulsionado com aplicações de IA e blockchain. Para quem for pedir essa carta ao ChatGPT, a OpenAI lançou, em primeira mão no WebSummit, o 1800-ChatGPT. Trata-se do GPT no WhatsApp, permitindo perguntas e pedidos (como a carta), mas também um modo interativo para que as pessoas conversem com a IA diretamente no aplicativo de mensagens.


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